A presidente da Câmara de Rio Maior, Isaura Morais (PSD), retirou os pelouros à vereadora centrista Ana Filomena Figueiredo, assegurando não estarem em causa nem as relações entre partidos nem a coligação que sustenta a maioria no executivo municipal.

Ana Filomena Figueiredo, eleita para o executivo municipal rio-maiorense no âmbito da coligação Juntos pelo Futuro (PPD-PSD/CDS-PP), disse que entrou em rutura por situações que atribuiu a “autoritarismo e falta de diálogo” por parte do vice-presidente, Luís Dias.

A retirada de vereadora a tempo integral, e consequentemente dos pelouros que detinha, surgiu na sequência de um email que enviou terça-feira a todos os vereadores e colaboradores, na sequência de “um transbordar de situações”, dando conta do seu descontentamento, num gesto que reconheceu ser “impulsivo”, mas “fiel” a si mesma.

“Sei que fiz um bom trabalho para o concelho, o qual olhei sempre como um todo e com a preocupação de chamar todos e trabalhar em equipa”, disse, salientando que a missiva que enviou não constituiu qualquer “ato de vingança, mas apenas visou o esclarecimento”.

Isaura Morais reconheceu a “capacidade de trabalho e de iniciativa, o empenho e o voluntarismo” de Ana Filomena Figueiredo, mas, disse, “perante uma situação de falta de lealdade”, não lhe restou outra opção senão retirar os pelouros à vereadora.

Segundo a presidente, a decisão foi tomada com o apoio de todos os vereadores com pelouros, incluindo do outro eleito pelo CDS-PP, Miguel Santos, que exerce funções a meio tempo.

Ana Filomena Figueiredo, que se manterá como vereadora, agora no bloco da oposição, afirmou que o futuro da coligação será decidido numa reunião da concelhia marcada para hoje à noite.

Isaura Morais reafirmou que esta é uma situação individual que em nada afeta a coligação, adiantando que os pelouros detidos pela vereadora (Educação, Cultura, Turismo, Taxas e Licenças e Gestão Cemiterial), que chamou a si, serão redistribuídos.

O executivo municipal de Rio Maior integra três eleitos do PSD, dois do CDS-PP e dois do PS.

Ana Figueiredo afirmou que a situação que representou a “gota de água” e que esteve na origem do seu “desabafo” teve a ver com uma floreira que estava a ser feita no estaleiro municipal para ser colocada num jardim infantil e que foi suspensa quando se encontrava de férias, não tendo tido resposta aos pedidos de esclarecimento enviados.

Isaura Morais afirmou ser prática haver diálogo prévio entre vereadores quando as decisões de uns implicam pelouros dos outros, como seria o caso (com o estaleiro e a gestão do espaço público a constituírem competências do vice-presidente).

“Sou uma mulher de consensos. Tenho-o demonstrado”, disse, lamentando que Ana Figueiredo não tenha aceitado “retratar-se”, como lhe solicitou, depois do envio do email geral sem o seu conhecimento prévio.

Por seu turno, Ana Figueiredo lamentou que a presidente “não tenha estado à altura dos acontecimentos”, permitindo que seja o vice-presidente “quem manda”.

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