A Proteção Civil reforçou hoje que a previsão meteorológica para sábado em Portugal continental “é extremamente preocupante”, com chuva intensa, ventos fortes, neve e agitação marítima, alertando para o agravar de inundações e cheias, bem como deslizamento de terras.

As zonas do país “com risco significativo” são Alcácer do Sal, Leiria, Lisboa, região Oeste e o Alentejo litoral, afirmou o comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, ressalvando que “todo o território nacional” requer “cuidados redobrados” devido ao mau tempo, nomeadamente a passagem da depressão Marta.

Num ponto de situação pelas 19:00, em conferência de imprensa na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, concelho de Oeiras, distrito de Lisboa, Mário Silvestre sublinhou que os efeitos expectáveis do mau tempo são inundações, cheias e deslizamentos terras, indicando que “as derrocadas são cada vez mais um risco iminente”.

“Alertamos nomeadamente as populações que vivem nas zonas mais urbanas, Lisboa inclusivamente, para ter em atenção às inundações rápidas, uma vez que o volume de precipitação pode ser bastante elevado em algumas zonas”, apontou.

O comandante nacional da ANEPC disse que se prevê no sábado em Portugal continental, sobretudo entre as 06:00 e as 15:00, precipitação bastante forte e vento intenso, que poderá ter rajadas entre os 100 e os 110 quilómetros/hora, bem como queda de neve nas zonas mais altas, sobretudo nas zonas acima dos 1.000 metros, e agitação marítima.

“Este quadro meteorológico é extremamente preocupante, uma vez que grande parte dessa precipitação ocorrerá entre a região de Leiria e, portanto, de oeste para este, pela linha correspondente à sub-região de Leiria e à sub-região da Beira Baixa e daí para sul até ao Algarve”, afirmou.

Atendendo ao impacto da depressão Kristin, que provocou estragos sobretudo na madrugada de 28 de janeiro, a Proteção Civil alerta os cidadãos, sobretudo aqueles que residem nas zonas mais afetadas pelo mau tempo, “para redobrarem os cuidados relativamente à questão dos ventos fortes”.

“É crítico que ajam com segurança, que salvaguardem os seus bens […], tenham muito, muito cuidado”, avisou Mário Silvestre, pedindo aos cidadãos que adotem “todas as medidas preventivas para tentar evitar maiores danos”, inclusive evitar estacionar viaturas em zonas de risco, quer por queda de árvores, quer por inundações e cheias.

Segundo a Proteção Civil, estas condições meteorológicas proporcionam e mantêm um elevado risco de inundações nos rios Vouga, Águeda, Mondego, Tejo, Sorraia e Sado.

“No Rio Tejo, a barragem de Alcântara apresenta quotas de enchimento na casa dos 95%, o que significa que poderá haver descargas mais significativas no Rio Tejo e, com isto, aumentar a problemática das cheias neste curso de água”, acrescentou o comandante nacional.

Mário Silvestre disse que o Rio Soraia já galgou a sua margem direita, deixando o município de Coruche “bastante afetado na sua zona mais baixa por esta cheia”.

Também o Rio Sado já galgou as margens, afetando sobretudo Alcácer do Sal, concelho que também vai ser sujeito na manhã de sábado a forte precipitação, “o que poderá agravar desde já a situação de cheia que já se encontra a decorrer”.

Com risco de inundação, a Proteção Civil alerta para os rios Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Lis e Guadiana.

Neste momento, encontram-se ativados sete planos distritais de emergência e proteção civil e 90 planos municipais de emergência e proteção civil, revelou a ANEPC.

Em termos de recomendações devido ao risco de inundações e cheias, a Proteção Civil aconselha a quem conduza em zonas afetadas que não atravesse estradas inundadas, que pare em local seguro e elevado longe de linhas de água e que evite túneis, passagens inferiores, ribeiras e valas.

“Se estiver em casa, feche portas e janelas, feche o gás, desligue a corrente elétrica […]. Mantenha-se nos andares superiores ou em pontos altos na zona da habitação. Afaste equipamentos elétricos da água. Se tiver de abandonar a casa, leve apenas o essencial e siga rotas seguras”, recomendou o comandante nacional, reforçando a necessidade de as pessoas retiradas de zonas inundadas levarem os seus medicamentos e a sua identificação pessoal, bem como ter atenção aos animais.

Outra das recomendações é para que os cidadãos não se aproximem de rios ou da orla costeira para filmar ou fotografar a subida das águas.

Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de fevereiro.

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