Protesto em Torres Novas por decisão que mantém fábrica poluidora em funcionamento

Movimentos ambientalistas marcaram um protesto junto à ribeira da Boa Água, em Torres Novas, “indignados” pela aceitação, pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Leiria (TAFL), da providência cautelar que evitou o encerramento da fábrica responsabilizada pela poluição naquela zona.

Pedro Triguinho, do movimento informal de cidadãos BASTA, que organiza, juntamente com o movimento Protejo, o “ajuntamento de gente consciente”, agendado para o próximo dia 23 junto à ribeira da Boa Água, disse hoje à Lusa que o protesto já estava pensado perante a demora na concretização da ordem de encerramento da fábrica, decretada em Março de 2018, mas foi precipitado pelo conhecimento, há cerca de três semanas, de que o TAFL deu provimento à providência cautelar interposta pela empresa para evitar o encerramento.

“Ficámos incrédulos com a decisão da juíza”, tendo em conta o historial de incumprimentos e contra-ordenações de que a empresa tem sido alvo ao longo dos últimos anos, e que levou à ordem de encerramento emitida pelo IAPMEI – Agência para a Competitividade e Inovação, disse.

Pedro Triguinho afirmou que as pessoas estão “cansadas” pelo arrastar de uma situação que se prolonga há quatro anos, com queixas continuadas da poluição, tanto atmosférica, sentida sobretudo na aldeia de Carreiro da Areia, onde se situa a empresa, como hídrica, nas ribeiras do Serradinho e da Boa Água, que desagua no rio Almonda.

“As pessoas de Carreiro da Areia não podem abrir as janelas de casa e são frequentes as queixas de irritações nos olhos e nas vias respiratórias porque o ar é ácido”, declarou.

Os promotores do protesto reuniram-se esta semana com o ministro e o secretário de Estado do Ambiente e com a Agência Portuguesa do Ambiente e convidaram os deputados dos vários partidos eleitos pelo distrito de Santarém para visitarem, na próxima segunda-feira de manhã, vários locais afectados pela poluição, nomeadamente uma quinta de turismo rural e um terreno agrícola situado junto à empresa, “onde é possível ver o estado de corrosão de uma manilha que supostamente só devia transportar água”, disse.

Para o porta-voz do BASTA, “a decisão do tribunal de manter a fábrica aberta não cabe na cabeça de ninguém e é muito estranha”, visando o convite aos deputados sensibilizá-los para a necessidade de “alguma coisa ser feita para alterar uma legislação que permite que quem pratica este tipo de crime esteja protegido”.

Também Paulo Constantino, porta-voz do Protejo, alertou para a situação “cada vez mais grave” vivida pelas populações desta zona e para o “sentimento de impunidade” gerado por decisões como a que foi tomada neste caso.

“A Justiça devia ter uma actuação mais firme em defesa das populações e da protecção dos recursos hídricos”, afirmou.

Pedro Triguinho disse que o “ajuntamento”, que decorre sob o lema “Queremos viver com dignidade, deixem-nos respirar”, tem por objectivo dar voz às pessoas para que, “quem está a sofrer, fale e decida qual o próximo passo”.

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