Com o PS a reforçar a maioria no distrito de Santarém nas legislativas de ontem e o PSD a segurar os três deputados, a grande novidade foi a perda do BE e da CDU e a eleição do Chega.

Num distrito onde as vitórias eleitorais nas legislativas têm vindo a ser repartidas entre socialistas (nove) e sociais-democratas (sete, por três vezes em coligações), o PS subiu dos 37,1% (quatro eleitos) de 2019 para os 41,2% (cinco deputados).

Hugo Costa, presidente da Federação Distrital de Santarém do PS e segundo eleito pelo círculo eleitoral de Santarém, logo a seguir a Alexandra Leitão, salientou à Lusa a vitória em 20 dos 21 concelhos do distrito (só Ourém se manteve fiel ao PSD), crescendo o partido em votos e em eleitos.

“A eleição de mais um deputado é o resultado do trabalho e do empenho dos socialistas. O trabalho que o Governo fez no distrito foi reconhecido”, declarou.

Instado a comentar o resultado do PSD no distrito, que manteve os três deputados que havia eleito nas anteriores legislativas, subindo a votação dos 25,2% para os 26,9%, o presidente da distrital laranja, João Moura, também ele eleito a seguir à cabeça de lista, Isaura Morais, remeteu qualquer reacção para depois da declaração a ser proferida pelo presidente Rui Rio.

O deputado eleito pelo Chega (10,9% dos votos), o vice-presidente do partido e actual vereador na Câmara de Santarém, Pedro Frazão, declarou-se “honrado” por ter sido o primeiro deputado do partido a ser eleito esta noite, afirmando que a mensagem “conservadora corajosa” da sua campanha, centrada nos “valores e nas tradições do Ribatejo”, veio “comprovar” que o partido tem “o coração político no sítio certo”.

“Estamos mandatados pelo povo para, no parlamento, defendermos Deus, a Pátria, a Família e o Trabalho”, afirmou, sublinhando o “gosto especial” de, “apesar da vitória do PS”, o seu mandato significar “a erradicação dos deputados da extrema-esquerda neste distrito”.

Perdendo um deputado histórico, António Filipe, ao baixar dos 7,6% de 2019 para os 5,4%, o PCP remeteu para as declarações proferidas esta noite pelo secretário-geral do partido, Jerónimo de Sousa, o qual reconheceu “uma quebra eleitoral com significativas perdas de deputados”, incluindo a representação parlamentar do PEV.

Também o Bloco de Esquerda, que em 2019 foi a terceira força no distrito, com 10,2% dos votos, não conseguiu agora reeleger Fabíola Cardoso, tendo o partido sido o quinto mais votado, com 4,6% dos votos.

Contactada pela Lusa, a coordenadora distrital do BE remeteu um comentário para mais tarde.

Nas eleições legislativas de ontem a abstenção no distrito de Santarém baixou dos 45,7% de 2019 para os 42,3%, tendo votado 218.192 dos 353.885 eleitores inscritos, num distrito marcado pelo envelhecimento e pela perda de população (o número de deputados eleitos pelo círculo de Santarém passou dos 13 em 1976 para os nove em 2015).

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