O director do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), Joaquim Oliveira Caetano, disse que o quadro de Diogo Contreiras (1500-1560) que esta semana vai a leilão não consta entre as prioridades desta instituição.

Joaquim Oliveira Caetano foi o responsável pela identificação do pintor e autor de uma tese de mestrado sobre o artista do século XVI, sendo actualmente director do MNAA e por inerência subdirector-geral do Património Cultural.

“A obra em si mesma tem importância”, começou por dizer à Lusa o responsável, que referiu ser uma “situação complicada” do ponto de vista “jurídico-deontológico”, pois o retábulo “S. Bento e S. Bernardo” que vai a leilão esta semana, quando foi subtraído ao convento de Almoster, nos arredores de Santarém, onde estava originalmente, fazia parte do património do Estado.

“É preciso resolver este problema jurídico de o Estado comprar uma obra que pertencia ao seu próprio património, antes de se pronunciar sobre a sua compra”, disse Oliveira Caetano, que referiu que já anteriormente este e os outros dois retábulos que compunham o conjunto foram a leilão e estiveram à venda em antiquários e adquiridas por coleccionadores privados.

Do quarto quadro, “A Adoração dos Pastores”, não se conhece o seu paradeiro, “ou se foi destruído durante obras”.

“Do ponto de vista de salvaguarda da peça, não me compete dizer se a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) deve ou não adquirir a peça”, afirmou Oliveira Caetano, que recordou que nas outras vezes que a obra foi à venda não optou pela sua compra e “até à data” não lhe foi pedido “qualquer parecer oficial se haveria ou não interesse”.

“Nós, as propostas de aquisição que fazemos tem a ver com prioridades prévias que o museu define para certas aquisições e no quadro actual não decidimos esta obra como prioritária”, disse o responsável que adiantou estar a trabalhar em encontrar financiamento para a compra de outras obras que o MNAA considera prioritárias.

Questionado se a DGPC devia intervir e adquirir o retábulo “S. Bento e S. Bernardo”, de Contreiras, Joaquim Oliveira Caetano afirmou: “A DGPC tem os seus canais próprios e não me compete a mim dizer”.

O responsável advertiu ainda que “uma eventual campanha nas redes sociais” para adquirir ma obra de arte, “tanto mais num leilão”, irá “reflectir-se no preço”.

O óleo com as dimensões de 135 por 90 centímetros vai a leilão nas próximas quarta e quinta-feira com uma licitação entre 80 e 120 mil euros.

O historiador de arte Vitor Serrão defendeu, em declarações à Lusa, a compra pelo Estado do quadro de Diogo Contreiras, tendo destacado a sua qualidade formal e técnica, e as qualidades descritivas.

“Era importante que ficasse na esfera do Estado e devidamente exposto num museu, como o Nacional de Arte Antiga. É importante que não se perca uma obra importante da pintura antiga, e que não vá para o estrangeiro e não lhe percamos o rasto”, defendeu Vítor Serrão.

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