O concelho de Santarém viveu nos últimos dias um dos fenómenos climatéricos mais marcantes da sua história. As cheias provenientes do rio Tejo voltaram a fustigar as zonas ribeirinhas provocando centenas de deslocados. O Pavilhão Desportivo abriu, por isso, as suas portas para acolher aqueles que tiveram de deixar o conforto das suas casas. A cidade tornou-se um ponto mediático, reforçado pela visita de Luís Montenegro a diversas zonas da mesma. Mais do que um episódio de mau tempo, foram dias em que a normalidade ficou suspensa: escolas encerradas, estradas submersas, populações em sobressalto e um território inteiro a voltar a olhar para o Tejo com respeito e inquietação. Para os mais velhos, a comparação com 1979 surgiu quase de forma instintiva; para os mais novos, foi a descoberta concreta da força de um rio que tanto dá como pode retirar. O Correio do Ribatejo testemunhou no terreno a realidade vivida durante estes dias pela população e entidades oficiais.

Santarém ativa evacuação obrigatória de moradores das zonas ribeirinhas

A chuva não deu tréguas e as águas subiram. Ainda a cidade de Santarém recuperava dos danos causados pelas tempestades Kristin e Leonardo, quando a Câmara Municipal e a Proteção Civil alertaram no dia 05 de Fevereiro para uma situação de cheias nas próximas horas, devido ao aumento dos caudais do Rio Tejo e à forte precipitação prevista.

As autoridades determinaram a evacuação obrigatória das populações das zonas ribeirinhas das Caneiras, Ribeira de Santarém (até à linha de caminho de ferro) e São Vicente do Paul (Reguengo do Alviela).

A autarquia mobilizava assim, vários meios da Proteção Civil para reabrirem a passagem de nível do Peso, com o objetivo de evacuar a população das Caneiras, monitorizar as zonas ribeirinhas e apoiar as evacuações e circulação em segurança.

De forma a prestar apoio a residentes sem suporte familiar, foi criado um Centro de Acolhimento Temporário no Pavilhão Municipal.

Ao início da tarde, a população da Ribeira de Santarém começou a ser evacuada das suas casas. Pelas ruas da povoação encontramos José Augusto, que vive no rés-do-chão de uma habitação próxima à Praça Oliveira da Marreca e que contou com a ajuda dos bombeiros para transportar os seus eletrodomésticos para o primeiro andar do edifício.

“Eu vivi um drama. Como é que vou conseguir levantar isto tudo? Frigorífico, máquina de lavar e secar, fogão, arca frigorífica, tudo coisas pesadas e eu sem o meu braço direito. Mas vieram aqui os bombeiros e fizeram um trabalho espetacular”, contava-nos o morador que vive há 65 anos na Ribeira.

Apesar do susto, José Augusto manteve a serenidade de quem aqui sempre viveu e disse estar habituado a ter a água a rondar os campos e as ruas. Caso fosse obrigado a abandonar a casa que habita desde 2004, o morador iria recorrer à ajuda dos seus dois filhos.

“Daqui a bocado, quando eu vir que a coisa está preta, ligo-lhes a pedir para me virem buscar e para ir dormir a casa deles”, afirmou-nos.

Na sua memória encontram-se as cheias de Fevereiro de 1979, recordadas como as maiores e mais devastadoras do século XX, na bacia do Tejo, servindo até aos dias de hoje como a principal referência para a região em termos de catástrofes.

“Como as ruas são baixas, a água subiu pelos esgotos e passou a linha”, recordou, apontando a marca deixada pelas cheias de 1979 na porta de uma das casas da vila.

Segundo fonte oficial dos Bombeiros Voluntários de Santarém que se encontrava no local, o caudal do rio Tejo tinha subido “cerca de seis metros nas últimas três horas” e previa-se “o agravamento da situação entre as 19h00 e as 20h00”.

No entanto, o cenário era de uma aparente tranquilidade, com as águas do rio paradas junto ao parque e campo de futebol da Ribeira de Santarém, onde treinam alguns escalões de formação da União Desportiva de Santarém e cujos responsáveis retiravam equipamentos e bolas.

“Já pedimos para vir uma carrinha para ver se conseguimos tirar tudo para levar para o planalto da cidade”, afirmou Hugo Ribeiro, vice-presidente do clube que esperava também que os jogos agendados para o fim-de semana fossem adiados.

“Os treinos já foram cancelados e penso que os jogos, por uma questão de bom senso, devem ser adiados para uma nova data, porque acho que acima de tudo devem salvaguardar-se as vidas humanas”, defendeu.

Iluminado pelo sol que decidiu romper as nuvens escuras da intempérie, encontra-se o Padrão de Santa Iria que, por estes dias, funcionava como um hidrómetro. Dizem os antigos que quando a água chega aos pés da Santa, a Ribeira de Santarém fica submersa.

Por entre ruas e ruelas, de modo a fugirmos à água, deparámo-nos com a azáfama dos populares a retirarem os seus bens pessoais. É o caso de Paulo e Alexandre Sá que transportavam os seus eletrodomésticos para as divisões superiores da casa. Ambos nasceram em 1979 e moram na Ribeira desde sempre.

De porta em porta, as técnicas de ação social da Câmara Municipal foram ajudando as pessoas a serem retiradas de casa e acautelando todo o provimento que seja necessário relativamente à alimentação, ao alojamento e às condições necessárias para os próximos dias. Contudo, houve quem não quisesse esta ajuda.

“É normal, as pessoas não quererem sair do seu espaço, temos de ter esse cuidado. Mas para já estamos a conseguir evacuar tranquilamente as pessoas”, confidenciou Vânia Horta, chefe da divisão de educação e juventude da Câmara Municipal.

No terreno encontravam-se também as equipas da Proteção Civil, do Município de Santarém, da Junta de Freguesia, PSP e corporações de bombeiros a auxiliarem os moradores na evacuação das suas casas, colaborando com os mesmos na retirada dos seus bens pessoais e viaturas, uma ação que se estendeu a várias zonas ribeirinhas do concelho.

“Na povoação das Caneiras a população também está a ser evacuada. As pessoas já começaram a retirar as suas viaturas e a Junta de Freguesia está a ajudá-los a retirar os seus bens das zonas inundáveis”, revelou Alfredo Amante, presidente da União de Freguesias da Cidade de Santarém que adiantou ainda “que se previa a maior cheia dos últimos 100 anos”.

Cerca de 250 pessoas retiradas das zonas de risco em Santarém

O aumento dos caudais do Rio Tejo e a forte precipitação levaram à retirada de cerca de 250 pessoas das três zonas ribeirinhas no concelho. O presidente da Câmara de Santarém, João Teixeira Leite, destacava à Lusa, pelas 00h30 de sexta-feira (dia 06 de Fevereiro), que o caudal do rio ainda estava a aumentar e que os dados apontavam que estavam a ser debitados 8.500 metros cúbicos por segundo.

A aldeia de Caneiras foi totalmente evacuada, enquanto na Ribeira de Santarém uma percentagem muito elevada de pessoas deixou as suas habitações, tendo ficado apenas as que habitam no primeiro ou segundo piso, “sem risco acrescido, estando a ser acompanhadas e monitorizadas”, frisou o autarca na altura.

A autarquia determinou também o encerramento das escolas no concelho na sexta-feira, de forma a “evitar a deslocação das pessoas pelas estradas”.

Pavilhão Desportivo de Santarém transformado em Centro de Acolhimento Temporário

As camas sucediam-se no piso sintético do Pavilhão Desportivo, que foi transformado naqueles dias num Centro de Acolhimento. A comida encontrava-se organizada em mesas de madeira e as crianças brincavam em colchões de ginástica. Foi esta a casa de várias pessoas deslocadas que pernoitaram aqui na madrugada do dia 06 de Fevereiro.

“Dormiram aqui esta noite 50 pessoas. Estamos na expectativa que hoje venham mais, porque as nossas equipas estão no Reguengo do Alviela a evacuar a população. Estamos a preparar agora mais camas e cobertores”, referia Teresa Ferreira, vereadora do Desenvolvimento Social ao ‘Correio do Ribatejo’.

De acordo com Teresa Ferreira, algumas dezenas de deslocados que também tinham passado a noite no local saíram para “ficarem em casas de familiares”.

Com capacidade máxima para cerca de 150 pessoas, o centro de acolhimento garante refeições quentes, banhos e camas de campanha, além do acompanhamento médico e de enfermagem.

“Eles [Câmara Municipal] tiveram uma gestão de organização muito bem estruturada. Foram muito rápidos, profissionais, acolhedores e humanos”, destacou Rejane Bicalho, uma das 50 pessoas que pernoitou no Centro de Acolhimento.

Residente na zona da Ponte d’Asseca, Rejane nunca tinha testemunhado uma situação semelhante desde que reside no concelho há 24 anos.

“Quando eu estava em casa, a decidir se saía ou não, ouvi a sirene dos bombeiros e eles entraram no quintal. Fui ao encontro deles, pedi a sua opinião e disseram-me que era melhor sair”, contou, revelando que para trás tinham ficado a senhoria, a mãe e a sua filha de 17 anos por opção própria.

Com apenas três horas dormidas e “a tentar assimilar ainda tudo o que aconteceu” Rejane trouxe consigo vários livros que se encontram dispersos pela sua cama.

“Esqueci-me das meias, das roupas íntimas e lembrei-me dos livros”, disse com um sorriso.

 

Ribeira de Santarém acordou com o impacto das cheias

Na Ribeira de Santarém, as águas galgaram a Praça Oliveira da Marreca, encontrando-se junto à rampa que dá acesso à linha férrea, cuja passagem se encontrava vedada ao trânsito pela PSP. Entre as ruas inundadas e o aparato mediático, a população aguardava pacientemente que a água descesse.

Entre os moradores, encontrámos novamente Paulo que nos assegurou que “não houve nenhum azar” consigo, nem com a população da zona ribeirinha, apesar das poucas horas dormidas durante a noite.

“Faltavam 20 minutos para as sete da manhã e já estava aqui, a tirar algumas fotografias”, contou o morador que vive há 46 anos na Ribeira.

O habitante adiantou que a situação se encontrava “estável”, com a água mantendo-se imóvel junto às casas.

“Ainda falta um metro e meio para chegar às cheias de 1979”, afirmou, revelando também que houve quem se recusasse a deixar as suas moradias durante a noite.

Contudo, a Proteção Civil manteve o alerta máximo devido ao risco de inundação no rio Tejo, entre os dias 06 e 07 de Fevereiro, devido à passagem da depressão Marta, indicou o comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre.

 

Primeiro-ministro visita zonas afetadas de Santarém

Também durante a manhã, o Primeiro-ministro, visitou sem informação prévia à comunicação social, a cidade de Santarém na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram muitas centenas de desalojados.

Luís Montenegro deslocou-se ao Pavilhão Municipal da cidade, que acolheu os deslocados que foram retirados de casa, e ao jardim das Portas do Sol, onde observou os campos da Lezíria e as zonas ribeirinhas inundas, acompanhado pelo presidente da Câmara Municipal de Santarém, João Teixeira Leite e pelo vereador da Proteção Civil da Câmara Municipal, Emanuel Campos.

Em declarações à imprensa, o primeiro-ministro aproveitou para fazer um ponto de situação do recurso aos apoios já disponibilizados pelo Governo.

“Relativamente à recuperação de casas, já temos hoje cerca de 450 pessoas que recorreram à plataforma para aceder ao apoio que está disponibilizado. Em termos de agricultores, já há mais de 1.200. Em termos de empresas, também cerca de 1.200. Estamos a falar já de uma disponibilidade financeira que ultrapassa os 350, 400 milhões de euros, no conjunto de todas estas ajudas”, salientou.

O primeiro-ministro foi ainda questionado se Portugal irá recorrer a fundos europeus para financiar estes apoios.

“Nós estamos a usar todos os instrumentos e usaremos todos os instrumentos financeiros para poder fazer face a um nível de prejuízos que nós estimamos, neste momento, já ultrapassou os quatro mil milhões de euros”, afirmou.

Entre esses instrumentos, Montenegro incluiu “recursos privados (como as companhias de seguros) e recursos públicos.

“Nós teremos de ter capacidade de financiamento, temos o Orçamento do Estado, temos uma reorganização dos fundos disponíveis, incluindo o PRR, e teremos também outros fundos aos quais nos estamos a candidatar e que estamos em permanente contacto com os organismos”, afirmou, sem detalhar.

O primeiro-ministro acrescentou ainda que já estavam no terreno seis das 12 carrinhas móveis que foram anunciadas no Conselho de Ministros do dia 06 de Fevereiro, bem como 275 Espaços de Cidadão já “abertos e disponíveis para receber as pessoas, para ajudá-las a preencher os formulários online, para elas poderem acelerar este procedimento”.

 

Moradores de Reguengo do Alviela retirados devido à subida das águas

Os cerca de 30 habitantes do Reguengo do Alviela, que se tinham mantido em casa acabaram por ser retirados na manhã do dia 06 de Fevereiro pelas autoridades, devido à subida do nível das águas do Tejo.

Emanuel Campos, vereador da Proteção Civil da Câmara Municipal de Santarém, referia em declarações à Lusa que o nível das águas subiu durante a noite e por isso, as pessoas que se mantiveram nos locais de residência durante a última noite iam ser retiradas pelos bombeiros e pela Proteção Civil.

“A água já ultrapassa a altura dos joelhos. As equipas acompanharam durante a noite os moradores que não saíram voluntariamente, mas neste momento, não há condições de segurança”, disse.

As duas equipas da Proteção Civil e os Bombeiros de Pernes montaram uma base de socorro junto à zona alagada a cerca de dois quilómetros das casas atingidas pelas cheias.

Por voltas das 11h30 as duas lanchas finalmente foram colocadas na zona alagada junto à estrada submersa que ligava a localidade de Pombalinho a Reguengo do Alviela.

“A nossa prioridade é a segurança das pessoas”, disse por sua vez à Lusa, João Teixeira Leite, presidente da Câmara Municipal de Santarém.

O último resgate ocorreu às 13h00 quando a lancha da Proteção Civil desembarcou um grupo de quatro pessoas e três animais de companhia.

As pessoas retiradas de Reguengo do Alviela foram posteriormente conduzidas a casas de familiares ou, em caso de necessidade, ao centro de acolhimento instalado no Centro Desportivo de Santarém.

Foto: Rui Louraço

Caudais do Tejo estabilizados e mais de 160 vias afetadas no distrito de Santarém

No fim de semana, a situação nos rios Tejo e afluentes manteve-se estabilizada, mas a chuva persistente continuou a provocar condicionamentos e submersões em mais de uma centena de vias em 15 concelhos do distrito de Santarém, alertava a Proteção Civil.

“De acordo com o último briefing que fizemos no âmbito do Sub comando Regional do Médio Tejo, e também na sequência da última reunião da Comissão Distrital da Proteção Civil, os caudais têm estado mais ou menos estáveis e assim se vão manter”, disse à Lusa, Manuel Jorge Valamatos, presidente da Comissão Distrital da Proteção Civil de Santarém e da Câmara de Abrantes.

De acordo com a informação disponibilizada pela Proteção Civil, verificou-se desde o último comunicado, às 22h00 do dia 06 de Fevereiro, uma estabilização dos caudais no Tejo, embora com oscilações e valores ainda elevados.

“Na verdade, a montante, as barragens espanholas estão com mais capacidade de encaixe do que já estiveram e a situação neste momento, em termos caudais do rio Tejo, está estabilizada, mas temos de manter níveis de atenção e de alerta bastante altos. É muito mais calma do que já vivemos, mas temos de continuar atentos à quantidade de pluviosidade que cai no nosso território, em Portugal e em Espanha”, acrescentou Valamatos.

Por sua vez, o distrito de Santarém registava no dia 09 de Fevereiro 162 vias cortadas ou condicionadas devido às cheias na bacia do Tejo, que continuavam a provocar inundações urbanas, estradas submersas e isolamentos de populações nos concelhos da Lezíria do Tejo e Médio Tejo.

Num aviso divulgado pelo Comando Regional de Lisboa e Vale do Tejo da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), é referido que a informação da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) indicava a manutenção dos caudais elevados no rio Tejo e previa que a situação se prolongasse nas próximas horas.

Os efeitos das cheias acumulam-se em praticamente todos os municípios ribeirinhos do Tejo, com destaque para o concelho de Santarém que apresentava dezenas de estradas cortadas, incluindo a EN365-4, acessos afetados pelo transbordo do Alviela e vias submersas na Ribeira de Santarém, além de movimentos de massa e abatimentos de taludes em vários pontos.

Chuva agrava instabilidade das encostas do planalto de Santarém

Até ao momento da realização desta reportagem a instabilidade das encostas que sustentam o planalto de Santarém tornou-se uma das principais preocupações do município, levando à retirada de quatro famílias e à realização de levantamentos técnicos, referiu o presidente da Câmara Municipal, João Teixeira Leite.

Segundo o autarca, nos últimos dias quatro famílias foram retiradas de casa por razões de segurança, numa intervenção que o presidente classificou como preventiva, alinhada com a estratégia municipal de agir “atempadamente, evitando situações futuras de maior dimensão”.

Segundo o autarca, as equipas técnicas da câmara estiveram no terreno nos últimos dias a realizar “levantamentos técnicos detalhados”, com recurso a drones em zonas de difícil acesso.

O município contou com o acompanhamento de especialistas e está já a ser preparada uma priorização das intervenções necessárias.

Uma das situações identificadas ocorreu na via de Alfange, onde um deslizamento de terras provocou a interrupção do acesso principal à localidade.

“Há alternativas, mas é um acesso que tem de ser reposto com maior celeridade e urgência”, referiu.

Paralelamente às questões do planalto, o concelho mantém-se em “alerta máximo” devido ao aumento do caudal do rio Tejo. As três zonas ribeirinhas mais críticas já tinham sido evacuadas preventivamente, uma decisão que o autarca considera ter permitido “salvaguardar vidas”.

O autarca disse ainda que Bombeiros e Proteção Civil continuam no terreno a acompanhar a população e a monitorizar a subida “residual, mas contínua” do rio, referindo que a prioridade continua a ser a segurança das populações.

“É importante apelar ao bom senso da nossa população para manter o cumprimento das normas”, afirmou.

Questionado sobre prejuízos, o presidente do município disse estar em curso um levantamento de danos, que a autarquia espera concluir até ao final da próxima semana.

João Teixeira Leite lembrou que Santarém pertence à lista de concelhos para os quais o Governo declarou situação de calamidade, o que permite mobilizar recursos públicos nacionais para recuperar dos danos do mau tempo.

“Vamos mobilizar todos os recursos públicos nacionais necessários para corrigir com celeridade tudo o que esta situação crítica de calamidade causou no nosso território”, garantiu.

A preocupação com as encostas ganhou ainda maior relevo com a deslocação a Santarém da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, que visitou o concelho na passada terça-feira para acompanhar no terreno a situação.

Durante a visita, o município voltou a sinalizar ao Governo o carácter estrutural do problema das encostas, defendendo que a sua resolução exige uma intervenção à escala nacional e não apenas respostas pontuais.

Segundo informação divulgada pela autarquia, o encontro permitiu expor a dimensão do risco e a necessidade de soluções duradouras para garantir a segurança das populações e a protecção do território, num contexto em que a instabilidade geológica se tem agravado com episódios de precipitação intensa.

O município sublinha que conta com o apoio do Governo para encontrar respostas conjuntas, num processo que exige planeamento, financiamento e acompanhamento técnico especializado.

O que fica depois da água

O levantamento de danos decorre. Santarém integra os concelhos em situação de calamidade. Mas há um balanço que não cabe em relatórios. Nas Caneiras, na Ribeira e no Reguengo repete-se uma relação antiga com o Tejo: proximidade, dependência, respeito e receio. O rio molda a paisagem, alimenta campos e, ciclicamente, recorda o seu poder. Quando as águas recuarem, as ruas serão limpas, os móveis voltarão ao lugar e as portas secarão ao sol. A vida regressará ao seu ritmo habitual, como sempre aconteceu. Mas nas zonas ribeirinhas ficará a marca de mais um episódio inscrito na memória colectiva.

Porque em Santarém o Tejo não é apenas paisagem ou recurso agrícola — é uma presença constante, capaz de sustentar e de interromper a normalidade. E quem vive à sua beira sabe que, de tempos a tempos, o rio lembra que continua a mandar no território.

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