“Queremos recuperar as bases do passado e inovar a pensar num futuro risonho”

João Neves, de 33 anos de idade, líder da lista única “Rumo ao Futuro”, foi eleito presidente do Sport Lisboa e Cartaxo no passado dia 12 de Junho. Em entrevista ao Correio do Ribatejo, o profissional da área da manutenção industrial e jogador do clube durante 18 anos, refere que sentiu “a obrigação de se candidatar pela falta de uma direcção no clube nos últimos anos”.
O grande objectivo da nova direcção é “recuperar as bases do passado, inovar para o futuro com o desafio de criar uma estrutura própria para os escalões de formação e reerguer um clube gigante no distrito de Santarém”, afirma ao ‘Correio do Ribatejo.

O que é que o levou a candidatar-se a presidente do Sport Lisboa e Cartaxo?
Perante a falta de uma direcção nos últimos anos e todos os problemas que daí surgiram no clube, senti a obrigação de ajudar uma casa que me deu tanto durante tantos anos. No meu caso foram 18 anos a representar esta camisola, sem conhecer qualquer outro clube. Quis dar o meu contributo para o crescimento de tantas crianças que temos no concelho.

Quais são o objectivos que pretende concretizar durante este mandato?
Temos vários objectivos em mente, todos com o intuito de reconduzir a formação ao patamar onde merece estar e estamos a trabalhar em várias frentes. Queremos, simultaneamente, recuperar as bases do passado e inovar a pensar num futuro risonho. Vamos estar atentos ao desenvolvimento dos nossos jovens como jogadores, mas também como cidadãos. Vamos tentar reaproximar as pessoas da terra e chamar sócios. Entre tantas outras iniciativas. Mas, acima de tudo, queremos criar uma estrutura própria para a formação, que acaba por ser o grande handicap e o principal desafio que temos, desde que o clube saiu do Campo das Pratas.

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O grande objectivo é recuperar a grandeza do clube e levá-lo a outros patamares?
Sim, em termos desportivos, claramente. Embora também queiramos olhar para o lado social, escolar e humano dos jogadores formados no clube, a verdade é que num período de quatro a seis anos pretendemos que todas as equipas da formação do Sport Lisboa e Cartaxo estejam na Primeira Distrital, ou algumas delas até nos Nacionais. Foi a isso que nos habituámos enquanto atletas do clube. Conto com muito trabalho pela frente, mas eu e a minha equipa estamos prontos para voltar a colocar equipas nas divisões nacionais. É importante recuperar a cultura de vitória a que o Sport Lisboa e Cartaxo sempre esteve habituado.

Tem vários nomes sonantes que o acompanham na direcção, onde se incluem antigos jogadores do clube e antigos dirigentes. Ter uma direcção forte é garantia de um futuro promissor?
Mais do que ter nomes sonantes ou não, prefiro focar a estrutura como um todo, que se complementa na perfeição. É verdade que temos uma estrutura forte, que conhece o clube a fundo. Isso só podia ser conseguido com ex-atletas, ajustando depois os vários departamentos com pessoas especializadas nas mais diversas áreas profissionais, desde as finanças ao marketing, passando pela área jurídica ou até à comunicação. É uma estratégia determinante para que o clube cresça com sustentabilidade. Com estas pessoas na direcção, sobretudo as que cresceram neste clube, também será, certamente, mais fácil passar aos jovens do SL Cartaxo uma mensagem com esse ADN e filosofia de sucesso e vitórias que o clube sempre teve.

Logo após a tomada de posse, anunciaram já o  coordenador técnico e treinadores para a formação. O que pretende o clube com esta nova organização formativa?
A aposta num Coordenador Desportivo foi feita para ir ao encontro das ambições desportivas que já falamos. Esse cargo será o pilar de toda a estratégia para o futebol de formação do clube. E não poderíamos ter tido outra escolha para desempenhar o cargo que não o mister Alfredo Amaral. Tal como a direcção, é alguém que conhece todos os cantos à casa, além de saber exactamente o que é preciso para ter sucesso neste clube. Pretendemos que os pais e atletas vejam que o clube entrou num novo ciclo, com um coordenador que cresceu no clube e treinadores que também cresceram no clube, como jogadores e como técnicos. Repito, é fundamental que toda esta estrutura, desde a direcção, ao coordenador e aos treinadores, consiga passar a mensagem aos jovens do SL Cartaxo do ADN e da filosofia de sucesso e vitórias que o clube sempre teve.

É mais importante formar jogadores ou vencer competições?
O sucesso desportivo é sempre importante, em qualquer clube ou modalidade. Temos os nossos objectivos definidos nesse aspecto. Mas, na minha opinião, e é aí que também queremos fazer coisas diferentes, formar jogadores e pessoas é o mais importante. O futebol é um desporto para os atletas serem felizes naquilo que fazem. Queremos que os nossos atletas cresçam desportivamente, mas também socialmente. Vamos tentar acompanhar de uma forma mais próxima a sua evolução como pessoas. Vamos tentar dar ênfase ao lado escolar, desenvolvendo iniciativas também nesse aspecto, como, por exemplo, premiar os melhores alunos. O desporto tem de se complementar com o lado social e escolar. Estamos já a trabalhar nesse sentido.

Qual é o espírito que querem incutir aos atletas?
Gostávamos que os nossos atletas tivessem um espírito solidário, completado com humildade, rigor e competitividade saudável. É importante que os jovens percebam que representar o Sport Lisboa e Cartaxo acarreta o peso de representar uma das instituições mais históricas, tituladas e importantes do distrito. Para isso, faz parte do nosso trabalho também mostrar-lhes um pouco da história do clube e criar algumas referências. Temos os olhos postos no futuro e queremos rumar a um futuro risonho. Mas estamos bem cientes que temos de honrar um passado que nos trouxe até aqui. Desejamos que os atletas sejam reconhecidos por todos os campos que passam como excelentes praticantes e desportistas, mas também como pessoas exemplares. É importante mostrar-lhes os bons exemplos, para que cresçam assentes nessa realidade. É um trabalho que tem de ser feito em conjunto e ao qual esta direcção encara como prioritário.

A parte financeira é outra questão que esta direcção quer ver resolvida a curto prazo. Que está previsto nesta área?
Esse é um assunto que começou a ser analisado ainda antes de avançarmos com uma lista candidata. Analisámos ao pormenor a situação, estudámos soluções e estruturámos as respostas a dar. Apesar de ainda estarmos há pouco tempo na direcção, sei que o nosso departamento financeiro está a resolver a questão muito bem. Prevemos que a curto prazo tudo esteja resolvido e a caminhar para um futuro positivo.

Um campo de apoio é outro dos assuntos abordados nesta fase inicial. Que alternativas já foram encontradas?
Como já frisámos, esse é o principal desafio que temos pela frente. Dessa forma, tivemos de começar a trabalhar nele ainda muito antes de assumirmos a direcção do clube. Estudámos muitas alternativas ao pormenor e tentámos encontrar a melhor solução, não só para o clube, mas, acima de tudo, para os nossos jovens atletas e para os pais. Neste momento já temos soluções encontradas. A seu tempo vamos comunicar essas novidades. Mas posso garantir que já está encontrado o campo de apoio para a formação, que servirá de alternativa ao Estádio Municipal do Cartaxo.

Esta direcção tem pensado algum torneio de competição à imagem de outros clubes da região?
Acreditamos que os torneios são essenciais para o desenvolvimento dos jovens atletas, sobretudo pela possibilidade que criam de estes interagirem com outros jovens de outras zonas e realidades, não só a nível desportivo como também social. Além de a realização de torneios ser essencial para o futuro do clube, julgamos que também o é para o futebol a nível do distrito de Santarém. Um dos projectos que foi logo mencionado nas primeiras reuniões, quando a lista ainda estava a ganhar forma, foi a possibilidade do regresso do histórico Torneio Internacional da Cidade do Cartaxo. Sabemos que é um grande desafio e que poderá não acontecer a breve prazo, mas queremos, seguramente, que esse evento se volte a organizar ainda neste mandato. Infelizmente, há alguns anos que o Torneio Internacional deixou de ter continuidade. Por cá passaram as maiores equipas do futebol nacional e também nomes que se tornaram referência da Selecção Nacional, como por exemplo, o Ricardo Quaresma, que foi o melhor jogador da primeira edição do torneio. Não sabemos se o torneio irá regressar nos mesmos moldes, até porque a inovação faz parte do dia-a-dia desta equipa, ou quando vai regressar. Mas garanto que já há essa vontade. As ideias já estão a ser trabalhadas.

Qual vai ser a relação desta direcção com a SAD do SL Cartaxo?
A relação entre ambas as partes é para continuar como tem vindo a ser até aqui. Temos um contrato a cumprir com a SAD e queremos crescer lado a lado, sem levantar qualquer tipo de problema e pensando somente no melhor para o futuro do clube.

Que mensagem quer deixar aos sócios, simpatizantes, adeptos e atletas do clube?
A mensagem que gostaria de passar é de esperança. Podem acreditar no nosso trabalho. Estamos a trabalhar de forma voluntária na recuperação de clube gigante no distrito de Santarém, devolvendo um pouco daquilo que o clube nos proporcionou na infância e juventude. Estamos abertos a que todos os cidadãos da cidade e do concelho do Cartaxo nos ajudem nesse processo que é reerguer o “nosso” Sport Lisboa e Cartaxo. Neste momento, estamos em processo de inscrição dos atletas para a próxima temporada e todos são bem-vindos para se juntarem a este novo ciclo. Esperamos estar de volta à actividade brevemente e a trabalhar para devolver as alegrias que as gentes do Cartaxo merecem!

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