Rui Brito assumiu a presidência do Rotary Clube de Santarém na cerimónia de Transmissão de Tarefas realizada a 26 de Junho, num jantar festivo que assinalou o início do novo ano rotário e a passagem de testemunho da presidente cessante, Maria João Cardoso. O novo presidente recebe a liderança de um clube com 63 anos de serviço à comunidade e assume o mandato sob o lema internacional “Create Lasting Impact!”, que, em Santarém, pretende traduzir numa maior aproximação às instituições locais, no reforço da visibilidade do trabalho rotário e na continuidade dos projectos desenvolvidos nos últimos anos. Sem prometer rupturas, Rui Brito defende que o Rotary deve continuar a afirmar os seus valores — amizade, companheirismo, ética, serviço e proximidade — e procurar deixar marcas positivas nas pessoas, mesmo através de acções que nem sempre têm grande projecção pública. Nesta entrevista ao *Correio do Ribatejo*, o novo presidente fala das prioridades do mandato, da ligação à juventude, da necessidade de tornar o clube mais presente na comunidade escalabitana e do desafio de acrescentar algo ao legado de uma instituição que atravessa gerações.

Que prioridades definiu para este mandato e que objectivos concretos gostaria de cumprir até ao final do próximo ano rotário?

Acima de tudo, pretendo continuar a mostrar quais são os valores que estão por trás de um clube como o Rotary Club de Santarém e do próprio movimento Rotary Internacional. Estamos a falar de um movimento de líderes e de causas humanitárias e, quando abraçamos uma responsabilidade desta natureza, temos também de promover a continuidade daquilo que tem sido a acção desenvolvida no passado.

Inovar não significa necessariamente criar grandes novidades ou romper com aquilo que foi feito. Nesta fase, considero mais relevante olhar para princípios como a amizade, o companheirismo, a ética e a proximidade à comunidade. São esses valores que estão na base do movimento rotário e é através deles que podemos tocar, de alguma forma, a vida das pessoas e das instituições com quem nos relacionamos.

O meu objectivo é dar continuidade ao trabalho do clube, valorizando o caminho que já foi feito e procurando reforçar a presença do Rotary na comunidade. Mais do que apresentar grandes rupturas, interessa-me que o clube continue a cumprir a sua missão, mantendo vivos os princípios que sempre orientaram a sua acção e procurando que essa acção seja cada vez mais sentida por Santarém.

O Rotary é uma organização de serviço à comunidade. Quais considera serem, neste momento, as necessidades mais urgentes em Santarém às quais o clube pode dar uma resposta diferenciadora?

Nós não pretendemos substituir-nos a outras instituições, nem fazer exactamente o mesmo trabalho que outros já fazem. O Rotary deve situar-se naquilo que são os seus princípios e as suas acções basilares. Há um caminho feito ao longo dos anos pelo Rotary Club de Santarém e esse caminho deve ser continuado, acarinhado e promovido.

O que queremos é tornar essas acções mais impactantes na comunidade. Uma das coisas que pessoalmente tenho sentido é que, por vezes, o significado de uma instituição como a nossa não está suficientemente visível. O Rotary tem uma história, tem valores, tem trabalho desenvolvido, mas é importante que essa presença seja mais conhecida e mais reconhecida.

Por isso, uma das prioridades será precisamente tornar o clube mais visível. Não por uma questão de protagonismo, mas para conseguirmos passar melhor a mensagem do Rotary e fazê-la chegar a toda a comunidade de Santarém. Se as pessoas conhecerem melhor aquilo que o clube faz, os valores que defende e a forma como se relaciona com as instituições, será também mais fácil criar impacto.

A resposta diferenciadora do Rotary passa por essa proximidade, pela capacidade de estar junto das pessoas e das instituições, mantendo a sua identidade própria. Não temos de ser iguais aos outros. Temos de continuar a fazer aquilo que corresponde aos princípios do Rotary e procurar que esse trabalho tenha maior expressão junto da comunidade.

O lema internacional deste ano é Create Lasting Impact, criar um impacto duradouro. Como é que esse princípio se traduzirá em Santarém? Já pensou em iniciativas ligadas a este lema?

Não tenho, neste momento, grandes novidades para anunciar. Algumas iniciativas ficarão reservadas para serem apresentadas no momento próprio. Mas a orientação está muito ligada a uma ideia central: aproximar mais o clube da comunidade.

Aquilo que pretendo é que a mensagem do Rotary possa tocar cada instituição com que o Rotary Club de Santarém se venha a relacionar e, através dessas instituições, chegar também às pessoas. Esse impacto não tem necessariamente de passar por acções de grande visibilidade. Muitas vezes, o mais importante são gestos, iniciativas e momentos que ficam na memória das pessoas e que deixam uma marca positiva.

Quando falamos de impacto duradouro, falamos precisamente disso: não apenas de fazer uma actividade, mas de conseguir que essa actividade tenha significado para quem participa, para quem recebe e para a comunidade que a envolve. O Rotary tem essa capacidade de criar relações, de aproximar pessoas e instituições, e de deixar pequenas marcas que podem permanecer.

Um exemplo são as iniciativas de entrega de prémios aos alunos. São momentos muito importantes, porque valorizam o mérito, aproximam o clube dos mais jovens e deixam uma mensagem positiva. Podem não ser acções espectaculares, mas têm um impacto real na vida das pessoas e ajudam a transmitir os princípios que o Rotary defende.

O Rui Brito está ligado ao Rotary há cerca de três anos e assume agora a presidência. O que o trouxe para o Rotary e que valores encontrou neste movimento?

A minha entrada no Rotary aconteceu de uma forma relativamente natural, quase por acaso. No Rotary temos sempre um padrinho, alguém que nos acompanha e nos apadrinha no momento da entrada no clube. No meu caso, essa pessoa foi José Alberto Maia Pereira, que era presidente do clube nessa altura e é também um bom amigo.

Foi ele que começou por me convidar para participar em alguns eventos e em algumas reuniões. A partir daí fui conhecendo melhor o clube, a sua dinâmica, as pessoas que o integram e os valores que estão na base do movimento rotário. Mais tarde, surgiu o convite para entrar no Rotary Club de Santarém e aceitei.

Não foi um percurso pensado de forma muito programada. Estar no Rotary acabou por ser, de certa forma, uma casualidade. E chegar agora à presidência também é uma consequência desse caminho e da confiança dos meus companheiros. Foram eles que entenderam que eu poderia dar um contributo positivo ao clube e eu aceitei esse desafio.

O que encontrei no Rotary foi precisamente esse sentido de companheirismo, de serviço e de responsabilidade perante a comunidade. É um movimento que vive muito da relação entre as pessoas, mas também da vontade de colocar essa relação ao serviço de causas e de princípios. Foi isso que me motivou a ficar e é com esse espírito que assumo agora esta responsabilidade.

O Rotary Club de Santarém é um dos mais antigos do país e tem também uma ligação à juventude. Essa ligação é para manter e para solidificar ainda mais?

Obviamente. A ligação à juventude é para manter e para reforçar, porque os jovens representam a continuidade. Um clube como o Rotary, com a história e o percurso do Rotary Club de Santarém, não pode olhar apenas para aquilo que já fez. Tem de olhar também para o futuro e para a forma como consegue transmitir os seus princípios às novas gerações.

Temos de aumentar, incrementar e incentivar essa ligação aos mais jovens. Só assim conseguimos cativá-los para os valores que o Rotary defende: o serviço à comunidade, a ética, a amizade, o companheirismo e a responsabilidade perante os outros.

Essa relação com a juventude é também uma forma de renovar a presença do clube na comunidade. Quando o Rotary se aproxima dos jovens, não está apenas a apoiar percursos individuais ou a distinguir mérito. Está também a criar pontes com o futuro e a mostrar que estes princípios continuam actuais.

Por isso, esse será um caminho para continuar. A juventude é essencial para que a mensagem do Rotary não fique apenas presa à sua história, mas possa projectar-se nos anos que vêm.

Daqui a um ano, quando transmitir a presidência ao seu sucessor, o que gostaria que a comunidade pudesse dizer que mudou graças ao trabalho desenvolvido pelo Rotary Club de Santarém?

Não quero ser demasiado ambicioso. Aquilo que gostaria, acima de tudo, era de conseguir deixar uma marca no clube e no Rotary, respeitando todo o passado que recebemos e que, como disse, já é longo. O Rotary Club de Santarém tem uma história importante e qualquer presidente tem de ter consciência dessa responsabilidade.

Gostaria de conseguir acrescentar alguma coisa a essa marca, ainda que fosse pouco. Não tenho grandes ambições de fazer coisas fantásticas ou de apresentar projectos apenas pela sua dimensão. O mais importante é que a engrenagem continue a funcionar e que o clube possa prosseguir o seu caminho de forma cada vez mais oleada.

Se, no final do mandato, o Rotary estiver mais próximo da comunidade, mais visível e mais capaz de transmitir os seus valores, já será um sinal positivo. O meu compromisso é fazer o melhor possível para que a roda continue a funcionar de forma mais positiva, mantendo a identidade do clube e contribuindo para que a sua acção continue a fazer sentido em Santarém.

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