É muito difícil qualificar os cartéis da principal praça de toiros do país, atendendo às circunstâncias tão excepcionais em que assenta a temporada. Que saudades dos bons velhos tempos em que o Campo Pequeno era uma referência a nível mundial, e agora está numa travessia do deserto sem oásis à vista.
Naturalmente qualquer tentativa de comparação entre Portugal e Espanha resultará sempre a nosso desfavor, e não é apenas ao nível da tauromaquia, porque neste aspecto nem dá para começar, pois a Monumental de “Las Ventas” é um caso muito à parte, a todos os níveis.
No Campo Pequeno, graças à resiliência do empresário Luís Miguel Pombeiro, que teve a coragem de pegar o toiro pelos cornos há uns anos, quando a concessão da praça de toiros passou para as mãos de uma empresa promotora de concertos musicais, e se correu até o risco de não se realizar nenhum espectáculo tauromáquico numa praça de toiros! Somos, sem sombra de dúvidas, um país cada vez mais insólito!
Porém, a dívida de gratidão que temos para com Luís Miguel Pombeiro, pela ousadia da sua atitude e pela disponibilidade para assumir os riscos financeiros inerentes a este grande desafio, não nos pode inibir de comentar criticamente a sua gestão, embora nunca deixando de ter em conta que o Dr. Luís Pombeiro arrisca o seu dinheiro como bem entender e utiliza o Campo Pequeno como lhe parecer mais adequado à sua estratégia empresarial. Se usa a praça como moeda de troca com toureiros e ganadeiros para os colocar em outras praças de que é concessionário, é assunto seu, porém todos sabemos que esta opção tem o seu preço, que resulta da maior ou menor afluência de público às bancadas do Campo Pequeno.
Percebemos que seja difícil montar quatro cartéis de arromba, com primeiríssimas figuras do toureio mundial e ganadarias de topo, pois o esforço financeiro é tremendo, mas temos dúvida de que alguns dos cartéis anunciados tenham viabilidade financeira, pois são tão modestos que não têm atractivos para o aficionado se deslocar ao Campo Pequeno, pois todos sabemos que a maioria dos espectadores do tauródromo da capital não são alfacinhas.
E muitos dos toureiros que se apresentam este ano no Campo Pequeno estão muito vistos nas praças de menor exigência.
Oxalá que as expectativas do Dr. Pombeiro resultem e que o público corresponda, pois, o seu sucesso será o sucesso da tauromaquia em Lisboa, mas receio que a fórmula encontrada não seja a que lhe proporcione o êxito taurino e financeiro. Se o empresário ganhar muito dinheiro ficaremos todos muito felizes, porque, assim, a estratégia resultou, se o empresário perder muito dinheiro será o futuro da tauromaquia em Lisboa que ficará um pouco mais sombrio. Vamos torcer para que tudo corra pelo melhor.
Eis os cartéis da temporada no Campo Pequeno:
– 5ª feira, 16 de Julho, às 21.45 horas. Corrida Mista. Cavaleiros: António Ribeiro Telles e Fermín Bohórquez (rejoneador); Matador: “Morante de la Puebla”; Novilheiro: Tomás Bastos; Grupo de Forcados Amadores de Santarém; Ganadarias: Murteira Grave, Álvaro Nuñez e El Freixo.
– 5ª feira, 6 de Agosto, às 21.45 horas. Corrida à Portuguesa – Alternativa de Duarte Fernandes. Cavaleiros: Rui Fernandes, Diego Ventura (rejoneador) e Duarte Fernandes; Forcados: do Aposento da Moita e Amadores de Turlock (Califórnia); Ganadaria: Maria Guiomar Cortes Moura.
– 6ª feira, 21 de Agosto, às 21.45 horas – Corrida à Portuguesa. Cavaleiros: Luís Rouxinol, Gilberto Filipe, Filipe Gonçalves, Manuel Telles Bastos, Andrés Romero (rejoneador), Paco Velásquez (confirma a alternativa) e Vasco Veiga (praticante); Forcados: Amadores de Montemor e de Vila Franca (concurso de pegas); Ganadaria: Herdºs. Dr. António Silva.
– 6ª feira, 4 de Setembro, às 21.45 horas – Corrida à Portuguesa. Cavaleiros: Ana Batista, João Moura Caetano, Duarte Pinto, Miguel Moura, Joaquim Brito Paes, António Ribeiro Telles (Filho) e Tristão Ribeiro Telles; Grupo de Forcados Amadores de Lisboa (despedida do Cabo Pedro Maria Gomes); Ganadaria: Dr. António Raul Brito Paes.
Que Dios reparta suerte!
