Foto: DGRSP
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Uma horta vertical hoje inaugurada no Estabelecimento Prisional de Torres Novas visa mudar a vida de 41 reclusos e, ao mesmo tempo, apoiar 100 famílias do concelho que vivem em situação de vulnerabilidade.

A horta, composta por 40 torres agrícolas, é um projecto-piloto de combate à pobreza e à exclusão social, liderado pela organização não-governamental nacional Abundant Quotidian Associação (Upfarming), com financiamento do Prémio BPI Fundação “la Caixa” Solidário 2022, da Race for Good e de um grupo de doadores privados.

O projeto “Horticultura Vertical, Solidariedade Horizontal”, inaugurado numa sessão com a ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro, envolve reclusos que se encontram em regime aberto ao exterior e guardas prisionais, num estabelecimento prisional “muito focado na reinserção” e em “trabalhar para que não haja reincidência”, salientou à Lusa Margarida Villas-Boas, uma das três responsáveis da Upfarming.

O projeto no estabelecimento de Torres Novas vem concretizar um dos oito casos de estudo apresentados pela Upfarming aquando da sua criação, em 2020, com o propósito de trabalhar com instituições que “alimentem um número significativo de pessoas, particularmente num ambiente terapêutico ou educativo”, e desenvolver programas de literacia ambiental e alimentar.

Desde o início do mês, reclusos e guardas foram envolvidos em todas as fases do processo, desde a conceção do espaço à execução da obra e instalação das 40 torres, com recurso a fornecedores locais, tendo recebido formação sobre como instalar e fazer a manutenção da horta, dada por técnicos da marca norte-americana que concebeu as torres modulares, adiantou.

Além de um acompanhamento semanal, a Upfarming assegura formação certificada sobre agricultura ao longo do ano.

Numa colaboração com a ‘chef’ e ‘influencer’ Marta Caras Lindas, será dada formação na cozinha do estabelecimento prisional e serão dinamizados quatro ‘workshops’, junto de reclusos, guardas e famílias apoiadas, para ensinar a confecionar receitas nutritivas concebidas a partir do que é cultivado na horta.

Serão produzidos “folhetos informativos com receitas e dicas práticas de alimentação saudável”, para acompanharem os cabazes.

Margarida Villas-Boas salientou a importância do envolvimento dos reclusos no programa de cabazes solidários da Cruz Vermelha e do Centro de Recuperação Infantil de Torres Novas (CRIT), que abrange uma centena de famílias do concelho, numa “retribuição à sociedade” com impacto na autoestima e no combate ao estigma.

Na horta vertical estão a ser produzidos alfaces, espinafres, rúcula, acelgas, ervas aromáticas, entre outros, sendo objetivo assegurar oito a 10 culturas diversificadas em cada colheita.

Segundo a informação de divulgação do projeto, cada torre pode produzir entre quatro e oito quilogramas por mês e até 52 plantas por unidade, explicando Margarida Villas-Boas que a aeroponia permite uma poupança de 95% de água quando comparada com a agricultura convencional.

Usando os princípios da hidroponia, em que as plantas são nutridas em água misturada com nutrientes naturais, na aeroponia as raízes são mergulhadas na solução em intervalos regulares, ficando o resto do tempo ao ar livre, para receber “o máximo de oxigénio”, método que está a ser estudado localmente numa parceria com a Faculdade de Ciências, disse a representante.

Recorrendo a uma tecnologia simples, semelhante ao sistema Lego, as torres, modulares, com uma altura que pode ir até aos três metros, podem ser instaladas ao ar livre, numa estufa, no interior de um edifício, recorrendo a luzes LED, ou num terraço, destacando Margarida Villas-Boas a versatilidade e a facilidade de instalação e manutenção.

Depois da apresentação dos oito casos de estudo para uma “visão de futuro” de hortas urbanas, no âmbito de uma exposição realizada em 2020 no Museu de Lisboa sobre o papel das hortas na cidade desde a Idade Média, a Upfarming começou por criar uma horta no parque hortícola Aquilino Ribeiro, que serve dois bairros vulneráveis em Alvalade, na sequência de uma candidatura ao programa Bairros e Zonas de Intervenção Prioritária do município lisboeta.

Outra horta foi instalada numa escola em Alvalade, aguardando a associação que lhe seja entregue a verba do orçamento participativo 2021 para concretizar um projeto similar numa escola de Marvila.

“Ao colocarmos as hortas no coração das instituições vamos, por um lado, eliminar a necessidade de embalagens, de refrigeração, de transporte e reduzimos os custos ambientais”, ao mesmo tempo que são desenvolvidos programas de educação, de literacia alimentar e ambiental, acrescentou Margarida Villas-Boas.

O projeto em Torres Novas conta com o apoio da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, do Centro Protocolar da Justiça, da Câmara Municipal, da Start-Up Torres Novas, do CRIT, da Cruz Vermelha Torres Novas e de Marta Caras Lindas – Revolution Chef.

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