Afastada dos planos curriculares há vários anos, a obra de Alves Redol, figura cimeira do neo-realismo português, poderá estar de regresso aos bancos das escolas da região, no âmbito da flexibilidade curricular – aprovada pelo Governo e em vigor desde o início do ano lectivo – que dá autonomia a todos os agrupamentos de escolas de gerir até 25 por cento do horário.

A intenção vai contar com o empenho do Município de Santarém e foi assumida publicamente esta quinta-feira, 28 de Março, pela vice-presidente da autarquia, Inês Barroso – que tutela também o pelouro da educação – à margem de uma conferência de Ludgero Mendes no Centro de Investigação Professor Doutor Joaquim Veríssimo Serrão (CIJVS) a propósito do cinquentenário da morte do escritor neo-realista (29-12-1911/29-11-1969), que se assinala este ano.

“Seria interessante para as Escolas abordarem a importância de Alves Redol na Cultura do Ribatejo. O Município está disponível, em articulação com a Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT), para, junto dos agrupamentos, e no enquadramento da flexibilidade curricular, desenvolver um projecto que possibilite incluir a obra de Redol nos planos de estudos”, declarou a responsável.

O conferencista saudou a iniciativa até porque, segundo referiu, “existe uma dívida de gratidão” para com o escritor que descreveu como “um pensador livre, que não tinha medo das palavras”. Para Ludgero Mendes, a obra de Redol alia uma marcada sensibilidade lírica a uma grande capacidade de rigor e de observação da realidade social, compondo o políptico do mundo do trabalho, fazendo emergir na cena literária portuguesa o povo rural como virtual sujeito e enunciador da História.

Saiba mais na edição do Correio do Ribatejo, nas bancas no dia 5 de Abril.

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