O município de Salvaterra de Magos encerrou o exercício económico de 2025 com um resultado líquido positivo de cerca de 1,83 milhões de euros, refletindo “um desempenho financeiro sustentável”, segundo o relatório de gestão.
De acordo com o documento enviado hoje à Lusa, e já aprovado pelos órgãos municipais, o resultado líquido do exercício fixou-se em 1.832.358,86 euros, resultante de resultados operacionais positivos que compensaram um saldo financeiro negativo.
No plano orçamental, a receita total arrecadada atingiu 28,03 milhões de euros, correspondendo a uma taxa de execução de 95,76%, enquanto a despesa total se fixou em 24,18 milhões de euros, com uma execução de 82,59%.
A autarquia – cuja liderança foi conquistada pelo movimento Juntos Fazemos+ ao PS nas autárquicas de outubro de 2025 – registou assim um crescimento da receita de cerca de 10,8% face a 2024, impulsionado sobretudo pelo aumento das transferências do Estado e dos impostos diretos.
As receitas correntes, que representaram mais de 74% do total, ascenderam a 20,75 milhões de euros, com destaque para as transferências correntes (58,49%) e para os impostos diretos (27,83%), considerados pilares da estrutura financeira municipal.
Já as receitas de capital totalizaram 3,45 milhões de euros, com uma taxa de execução de 56,66%, condicionada por atrasos no recebimento de verbas associadas a projetos financiados, nomeadamente do Plano de Recuperação e Resiliência e do Portugal 2030.
Do lado da despesa, o município, no distrito de Santarém, pagou 24,18 milhões de euros, registando um aumento de 12,56% face ao ano anterior, com as despesas correntes a representarem cerca de 75% do total.
As despesas com pessoal constituíram a principal rubrica, com 9,22 milhões de euros, equivalendo a cerca de metade da despesa corrente, seguindo-se a aquisição de bens e serviços, com 6,04 milhões de euros.
Segundo a autarquia, este aumento da despesa corrente ficou a dever-se sobretudo a atualização salarial, reforço de efetivos, custos com serviços e a despesas extraordinárias, incluindo indemnizações e acertos financeiros na área da saúde.
No que respeita ao investimento, o município aplicou cerca de 4,85 milhões de euros, correspondendo a uma taxa de execução de 68,56%, com destaque para projetos nas áreas da habitação, educação, saúde e requalificação urbana.
Entre os principais investimentos incluem-se a construção de habitação municipal, a requalificação e construção de unidades de saúde, obras na rede viária e equipamentos coletivos, bem como projetos financiados por fundos europeus.
Segundo o relatório, o município cumpre o princípio do equilíbrio orçamental, com as receitas correntes a superarem as despesas correntes em cerca de 2,6 milhões de euros, permitindo “financiar o défice de capital e reforçar o saldo de gerência”.
A dívida total do município fixou-se em 2,74 milhões de euros no final de 2025, representando uma redução de cerca de 19% face ao ano anterior, quando era de 3,7 milhões.
O município destaca ainda indicadores de solidez financeira, com níveis elevados de autonomia e liquidez, e uma redução do prazo médio de pagamentos para cerca de 14 dias, sem dívidas vencidas há mais de 90 dias.
Na análise global, a autarquia considera que 2025 foi marcado por “um reforço da capacidade de investimento e resposta pública”, assente numa gestão que garantiu o equilíbrio financeiro, apesar do aumento dos custos e da pressão associada à execução de projetos estruturantes.
