O partido político Chega vai organizar as “Jornadas Autárquicas – Distrital de Santarém 2026”, no próximo dia 28 de março, a partir das 15h00, no CNEMA – Centro Nacional de Exposições, em Santarém.
A iniciativa, promovida pela Distrital de Santarém do CHEGA, reunirá dirigentes nacionais, autarcas, militantes e simpatizantes num encontro dedicado à reflexão estratégica sobre o poder local e à preparação dos próximos desafios políticos no distrito.
A evento contará com a participação de André Ventura, cuja intervenção será dedicada à estratégia política do partido para o poder local e à “consolidação do crescimento eleitoral que o CHEGA tem registado, especialmente no distrito de Santarém, nos últimos anos”, destaca a Distrital de Santarém do Chega em comunicado.
Para além do presidente do partido, estarão também presentes Bruno Nunes, Patrícia Almeida, Carlos Magno e Eduardo Teixeira, entre outros convidados, que participarão em sessões de debate e partilha de experiência autárquica, em conjunto com vários autarcas eleitos do distrito.
Segundo José Dotti, presidente da Distrital de Santarém, estas jornadas assumem “um significado particular após um período de forte intensidade eleitoral”.
“Os últimos meses foram extremamente exigentes, com vários atos eleitorais consecutivos. Ainda assim, alcançámos resultados históricos no distrito de Santarém, conquistando uma câmara municipal e triplicando o número de autarcas eleitos. A presença do nosso presidente, André Ventura, nestas jornadas representa um forte sinal de mobilização e confiança para continuarmos este caminho de crescimento”, sublinha José Dotti, citado na nota informativa.
A Distrital de Santarém do Chega pretende que o encontro se afirme como “um momento de união e preparação política”, promovendo a partilha de conhecimento entre responsáveis partidários e representantes com experiência no poder local.
Após a tarde de debates, o evento prossegue com um jantar de confraternização.
Vereador do Chega em Santarém rejeita acusações de afastamento feitas por autarcas do partido
O vereador do Chega na Câmara de Santarém rejeitou hoje críticas de afastamento, falta de empenho e alinhamento com o executivo municipal, feitas num documento subscrito por autarcas do partido, considerando tratar‑se de uma “campanha para denegrir” a sua imagem.
Num manifesto enviado à estrutura nacional e ao qual a Lusa teve acesso, 11 autarcas do partido pediram a intervenção da direção para ultrapassar aquilo que classificam como um “grave problema interno”, acusando o vereador da Câmara de Santarém eleito pelo Chega, Pedro Correia, de afastamento, falta de coordenação com os restantes eleitos e de posições políticas que consideram alinhadas com o executivo municipal da AD.
Os 11 autarcas que assinam o manifesto exercem funções em vários órgãos autárquicos do concelho – quatro eleitos na Assembleia Municipal, dois na Assembleia da União de Freguesias da Cidade de Santarém e um na junta de freguesia, um na Assembleia de Freguesia de Vale de Santarém, dois em Alcanede e um na União de Freguesias de Romeira e Várzea.
Em declarações à agência Lusa, Pedro Correia afirmou que a divulgação deste manifesto constitui uma “violação dos mecanismos internos do partido e visa “denegrir” a sua imagem enquanto vereador, vice-presidente da Distrital e deputado à Assembleia da República.
Segundo o documento, os militantes envolvidos na campanha autárquica de 2025 acusam Pedro Correia de ter participado pouco durante o período eleitoral, alegando que apenas surgiu “nos últimos 15 dias” e em “poucas ações de rua”. O grupo defende que o reduzido envolvimento prejudicou o desempenho eleitoral e impediu a eleição de um segundo vereador.
Os subscritores referem ainda que, após as eleições, o vereador “se afastou completamente” dos eleitos e do grupo de trabalho que o acompanhou na campanha, mencionando igualmente desentendimentos com os autarcas da União de Freguesias da Cidade de Santarém relacionados com a definição de estratégias locais.
Os autarcas subscritores do documento afirmam que a posição de abstenção de Pedro Correia num ponto sobre delegação de competências no presidente da câmara “contrariou” a decisão do grupo, que tinha optado por votar contra. A atitude é descrita como “passiva” e “permissiva” face ao executivo.
No manifesto, aqueles autarcas defendem que a atual situação “trai” os eleitores do Chega, nomeadamente os que se mostraram descontentes com o PSD, e que impede o partido de exercer influência como “fiel da balança” no executivo municipal.
Os subscritores pedem, por isso, que a direção nacional intervenha para “encontrar uma solução” e evitar que o caso provoque danos na imagem e credibilidade do partido no concelho.
Pedro Correia, que foi eleito vereador na Câmara de Santarém nas eleições autárquicas de 2025, disse à agência Lusa ser “uma abominável mentira” que tenha estado ausente durante a campanha para as autárquicas de 2025, garantindo que, desde janeiro até outubro desse ano, esteve “praticamente todos os fins de semana” em Santarém, participando em eventos nas freguesias rurais e em iniciativas de campanha, interrompendo apenas o calendário devido ao período das eleições legislativas.
O autarca afirmou também ter participado em “todos os debates e todas as entrevistas” promovidas pela comunicação social, considerando “caluniosa” a ideia de que apenas surgiu nos últimos dias de campanha.
Sobre as acusações de afastamento dos restantes eleitos do Chega, o vereador negou qualquer rutura, garantindo preparar o trabalho autárquico “com aqueles que querem rever-se numa política séria para o concelho” e sublinhando que tem estado presente em vários eventos oficiais juntamente com eleitos do partido.
A propósito da crítica de que votou de forma divergente na delegação de competências do presidente da câmara, Pedro Correia afirmou que seguiu “exclusivamente” as orientações do Chega a nível nacional.
“Só há um partido”, disse, defendendo que compete aos eleitos cumprir as indicações transmitidas pela Comissão Autárquica Nacional.
Relativamente à acusação de alegado alinhamento com o PSD, com alguns militantes a apelidarem-no de “quinto vereador da AD”, contrapôs com o facto de ter sido “o único vereador” a votar contra o orçamento municipal para 2024, lembrando que os eleitos do PS se abstiveram.
Pedro Correia considerou ainda que algumas das pessoas que assinaram o documento “foram coagidas” a fazê-lo e que determinadas acusações estão a prejudicar a imagem do Chega.
