A Câmara de Santarém iniciou a demolição de um conjunto de construções ilegais existentes há vários anos em São Domingos, numa operação que permitirá avançar com um projeto privado de habitação naquela zona de expansão urbana, anunciou hoje o presidente do município.

Num comunicado publicado nas redes sociais, João Teixeira Leite afirmou que a situação “não podia continuar” e revelou ter-se reunido há cerca de dois meses com os proprietários dos terrenos, a quem transmitiu que a autarquia poderia avançar, em última instância, para a expropriação por interesse público caso não fosse encontrada uma solução.

Segundo o autarca, os terrenos acabaram por ser adquiridos por investidores privados, tendo sido definido um prazo para o início da demolição das construções.

Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara explicou que a operação é considerada “muito importante” para o concelho por permitir transformar uma área ocupada ilegalmente num espaço destinado à construção de habitação.

“O concelho está a crescer, tem registado um forte aumento da procura por habitação e precisamos de criar condições para aumentar a oferta”, afirmou.

De acordo com o social-democrata, o projeto a desenvolver pelos novos proprietários irá reforçar a oferta habitacional “numa zona com grande potencial de expansão da cidade, no prolongamento do bairro de São Domingos”.

O autarca não adiantou o número de fogos previstos nem o valor do investimento.

Questionado pela Lusa sobre o número de construções demolidas, também não indicou um total, referindo apenas tratar-se de “um conjunto de construções ilegais” existente no local há vários anos.

Também sobre o número de pessoas ou agregados familiares que ocupavam aquelas estruturas o município disse não dispor de dados concretos.

“Estavam instalados vários agregados familiares. O município não considera adequado divulgar informação incerta. Dado que são ilegais, não temos números certos do número de pessoas que lá viviam”, referiu.

Relativamente ao destino dos ocupantes, João Teixeira Leite garantiu que todas as famílias encontraram alternativas habitacionais, embora sem especificar se houve recurso a programas municipais de apoio ou a soluções encontradas pelos próprios.

“Desde o primeiro momento deixei claro que esta situação teria de ser resolvida com humanidade. Estávamos a falar de famílias e, em alguns casos, de crianças. Foi precisamente por isso que promovemos uma solução que permitiu que todas encontrassem alternativas”, declarou.

No comunicado, o autarca sustenta que a intervenção põe fim a uma situação que “durante demasiados anos marcou negativamente uma das principais entradas de Santarém” e defende que o local dará lugar a “novas habitações, mais investimento e uma nova imagem para esta entrada da cidade”.

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