Monumental “Celestino Graça” – 19 de Março de 2022 – 16 horas. Corrida à Portuguesa, no âmbito das Festas de S. José. Cavaleiros: João Moura Júnior, João Ribeiro Telles e João Salgueiro da Costa; Forcados: Amadores de Santarém e do Aposento da Moita do Ribatejo, capitaneados, respectivamente, por João Grave e Leonardo Mathias; Ganadaria: Veiga Teixeira; Director de Corrida: Marco Cardoso; Médico Veterinário: Dr. José Luís Cruz; Tempo: Ameno; Público: ¾ da Lotação da Praça.

Foi bem agradável a corrida inaugural da temporada taurina escalabitana, realizada no Dia do Pai, padroeiro de Santarém, em cuja honra se realizaram as populares festas municipais. Muitos aficionados preencheram as bancadas da alindada praça, ocupando cerca de ¾ da lotação do maior tauródromo nacional.

Oportunamente, João Ribeiro Telles brindou a sua segunda lide aos pais dos três cavaleiros que constituíram o cartel desta tarde, que, igualmente, foram três figuras maiores do toureio equestre – João Moura, João Palha Ribeiro Telles e João Salgueiro – o que provocou uma das mais sonoras ovações da corrida, sinal de que os aficionados ainda não os esqueceram.

Os toiros de Veiga Teixeira estavam muito bem-apresentados e cumpriram na generalidade, destacando-se pela positiva o que foi lidado em quinto lugar, por João Ribeiro Telles, e pela negativa o que tocou a João Salgueiro da Costa, lidado em último lugar. No entanto, manda a verdade que se diga que estes toiros emprestaram emoção à corrida e proporcionaram aos cavaleiros e aos forcados que os enfrentaram condições de triunfo, pois, como diz o rifão, todos os toiros têm a sua lide…

João Moura Júnior esteve em bom plano, expendendo os seus vastos argumentos técnicos e artísticos, na linha do toureio mourista que o vem consagrando. Bregou com eficiência e alegria, colocou vistosa e emotiva ferragem, pontificando as valorosas sortes frontais, carregadas ao píton contrário, e adornou-se templadamente em movimentos de poderio e de bela expressão estética.

Impondo-se a si mesmo um toureio de verdade, privilegiou sempre que os seus oponentes lho permitiram o toureio de poder a poder, reunindo em terrenos de muito compromisso. Sem sacar um triunfo de apoteose, o cavaleiro de Monforte cumpriu muito satisfatoriamente este seu desafio.

Outro tanto se pode dizer de João Ribeiro Telles, marialva que interiorizou toda a ortodoxia do toureio equestre que sempre se cultivou na Torrinha, aprimorando as regras mais clássicas e impregnando-as com uma expressão artística singular, anteriormente interpretada por seu pai.

O valor com que sempre se apresenta em praça, expresso na ambição de triunfar sobre a concorrência e de superar o seu próprio desempenho, projecta-o para sortes de elevado risco e de ousado rigor técnico, sublimando a dimensão das sortes frontais colocando a ferragem em terrenos do máximo aperto. Arte, técnica e valor são atributos que assinalam a trajectória deste cavaleiro, em atitude de louvor à ilustre dinastia Ribeiro Telles, que representa de forma tão eloquente e digna. Esteve uma vez mais em plano superior.

João Salgueiro da Costa é um jovem toureiro a quem a Praça de Santarém muito dirá, pois foi seu bisavô, o saudoso Dr. Fernando Salgueiro, que a inaugurou no já longínquo dia 7 de Junho de 1964. O jovem marialva de Valada tardou a alcançar a regularidade dos grandes êxitos, sendo fiel à tauromaquia dos seus avoengos, no entanto, há que reconhecer que já no ano passado deu boas indicações de que estava preparado para os mais exigentes desafios e neste sábado, perante uma concorrência tão apertada, rubricou duas lides de elevado nível técnico e artístico. Em ambas foi fiel ao seu estilo, citando de largo e cravando a ferragem em sortes muito poderosas, e mesmo frente ao toiro que encerrou a corrida, o mais complicado, não deixou de sacar lide onde parecia que ela não era possível, rubricando algumas sortes a sesgo. Esteve muito bem e confirmou as melhores expectativas, assegurando que está aí para dar cartas.

Os Grupos de Forcados Amadores de Santarém e do Aposento da Moita do Ribatejo saíram em plano de triunfo, pois lograram pegar todos os toiros ao primeiro intento, algo que não é frequente quando pela frente estão toiros da ganadaria Veiga Teixeira.

Pelos Amadores de Santarém, que se apresentaram com muita gente jovem, mas que revelaram imensa coesão e empenho nas ajudas, foram solistas Francisco Cabaço, que se fechou com garra e determinação consumando vistosa pega, Joaquim Grave, que, igualmente, esteve perfeito em todos os momentos da sua rija pega, e António Queiroz e Mello que fechou a tarde de sonho do Grupo de Santarém, concretizando uma rija sorte, a raiar a perfeição.

Pelo Aposento da Moita do Ribatejo abriu praça o Cabo Leonardo Mathias, que consumou uma boa pega, com o Grupo a ajudar muito bem, depois Martim Cosme Lopes rubricou valorosa sorte,

uma vez mais ajudado com querer e garra pelo Grupo, e a fechar a corrida com chave de ouro, saltou à arena Tiago Valério, que concretizou uma pega muito vistosa e tecnicamente perfeita.

No início da corrida foi respeitado um minuto de silêncio em memória do cavaleiro tauromáquico Eng.º José Samuel Lúpi e do aficionado escalabitano Carlos Lucas Martins “Caloca”, figura muito estimada em Santarém. De notar que os dois primeiros toiros foram difíceis de recolher aos chiqueiros, o que teve grande efeito na duração da corrida.

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