A Câmara Municipal de Santarém estimou em 34 milhões de euros os prejuízos provocados pelo mau tempo no concelho, dos quais cerca de 28 milhões respeitam a intervenções nas encostas, onde foram registados 42 deslizamentos.

João Leite, presidente da câmara de Santarém, disse à agência Lusa que o levantamento já foi enviado para a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDRLVT) e alertou para a “gravidade” da situação, que representa riscos para infraestruturas essenciais, incluindo a linha ferroviária.

“Só com investimento público nacional é que estas intervenções e reparações vão acontecer”, afirmou, acrescentando que será necessário “um envelope financeiro” que permita avançar com as obras de consolidação das barreiras.

As encostas de Santarém voltaram a revelar sinais graves de instabilidade nas últimas semanas, situação agravada pelas chuvas intensas e pelas cheias no rio Tejo, que saturaram os solos e provocaram movimentos de massa em várias zonas do concelho.

Entre os episódios mais recentes relacionados com a instabilidade das encostas de Santarém, destaca‑se o deslizamento de terras que atingiu o parque de estacionamento do Miradouro de Atamarma, no centro histórico, onde parte do muro de sustentação colapsou, obrigando à retirada de viaturas.

Também a Estrada de Alfange, que liga a cidade à povoação ribeirinha de Alfange, foi interditada ao trânsito automóvel e pedonal após um deslizamento ocorrido no talude da encosta das Portas do Sol.

O vereador Pedro Gouveia, eleito pela coligação PSD/CDS-PP, afirmou, na reunião de câmara de 09 de Fevereiro, que o município está a “monitorizar desde o primeiro dia” a situação das encostas, sublinhando que estas “já eram uma preocupação antiga” e que a instabilidade recente veio reforçar “a necessidade de acompanhamento permanente”.

Nessa ocasião, o autarca revelou que a Câmara contactou o projetista responsável pelo Plano Global de Estabilização das Encostas de Santarém (PGEES), o geotécnico Alexandre Pinto, professor no Instituto Superior Técnico, que se disponibilizou para se deslocar ao local e apoiar o município na avaliação dos riscos, com o apoio da Força Especial de Proteção Civil e com equipas operacionais de drones, que recolheram informação destinada a definir a estratégia de intervenção.

O vereador explicou que esta avaliação permitirá estabelecer prioridades de intervenção, adiantando ainda que o investimento necessário para estabilizar as barreiras será “muito considerável”.

Além das encostas, João Leite afirmou que o levantamento municipal inclui ainda estradas e taludes em várias freguesias que necessitam de reparação, dando o exemplo concreto da Ponte da Panela, entretanto encerrada e com uma intervenção prevista na ordem dos 600 mil euros.

Para mitigar o impacto no trânsito local, está a ser criada uma alternativa viária que reduz os desvios da população de 20 para dois quilómetros, numa obra conduzida pela União de Freguesias de Vale de Figueira e São Vicente do Paul, com apoio financeiro do município.

João Leite recordou que o concelho viveu “semanas de muita tensão”, mas elogiou a capacidade de resposta às situações mais urgentes, frisando que é tempo de “passar do diagnóstico à prática”.

“Se depender do município, a ação vai existir”, garantiu, reiterando que as intervenções de fundo exigem financiamento do Estado.

Leia também...

Instituto Politécnico de Santarém vai construir nova residência com 131 camas

O Instituto Politécnico (IP) de Santarém vai ter uma nova residência para estudantes com 131 camas no antigo quartel da Escola Prática de Cavalaria,…

NERSANT dinamizou workshop sobre oportunidades de negócio na Economia Circular

Descobrir oportunidades de negócio na Economia Circular foi o tema de um workshop realizado pela NERSANT no dia 10 de Setembro. O tema interessou…

Chamusca promove Actividade Assistida por Animais

O Município da Chamusca em parceria com a Ânimas e o Agrupamento de Escolas da Chamusca tem vindo a promover, desde o início do…

Professora condenada a 19 anos de prisão por matar marido em Abrantes

O Tribunal de Santarém condenou, a 19 anos de prisão, uma professora acusada de ter matado o marido, também professor, no verão de 2018,…