Cerca de uma centena de participantes assistiram, no passado sábado, 8 de Novembro, à jornada cultural A Santarém do Tempo do Renascimento (1520-1590), que decorreu ao longo de todo o dia, entre a Casa do Brasil e vários monumentos históricos da cidade. Promovida pelo grupo Fórum Ribatejo, em parceria com a Câmara Municipal de Santarém, a iniciativa procurou reconstituir o ambiente artístico e intelectual da antiga Scalabis quinhentista, afirmando-a como um dos principais centros culturais de Portugal no tempo de Camões.

Na sessão de abertura, na Casa do Brasil, o coordenador do Fórum Ribatejo, Carlos Matias, salientou a importância de recuperar e divulgar o legado artístico da cidade. Ao longo da manhã, sucederam-se as comunicações de investigadores e académicos de várias instituições de ensino superior, que apresentaram estudos inéditos sobre a presença do Renascimento em Santarém.

Entre os oradores estiveram Vítor Serrão (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa / ARTIS-IHA), que abordou o tema “No sempre enobrecido Scabelicastro: Pintura, Escultura, Poesia e outras artes em Santarém no tempo de Camões”; Fernando António Baptista Pereira (Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa / CIEBA), que destacou a passagem de Francisco de Holanda pela cidade; e Francisco Bilou (Universidade de Coimbra), que apresentou a obra em Santarém de Diogo de Sarça, “o melhor oficial que havia neste reino”.

Maria Teresa Desterro (Instituto Politécnico de Tomar), Paulo Renato Ermitão Gregório e Luís António Mata (Divisão de Cultura da Câmara Municipal de Santarém) completaram o painel da manhã, centrando-se em figuras como Ambrósio Dias, mestre pintor escalabitano, e na irradiação artística que, a partir de Santarém, se estendeu a todo o Médio Tejo durante o século XVI.

Durante a tarde, o historiador e professor Vítor Serrão orientou um percurso patrimonial que incluiu visitas à Igreja do Santíssimo Milagre, à Igreja de Marvila e ao túmulo dos Portocarrero, na Igreja da Graça. A jornada terminou na Igreja da Misericórdia, com um momento cultural que uniu música e poesia: Marta Cruz, do Conservatório de Música de Santarém, interpretou peças no órgão histórico, enquanto Nuno Domingos, vereador da Câmara Municipal de Santarém, declamou poemas de Luís de Camões, figura tutelar do encontro.

Ao longo do dia, os participantes puderam redescobrir a riqueza patrimonial de Santarém e compreender a sua centralidade artística no período renascentista. Como sublinhou Carlos Matias, coordenador do Fórum Ribatejo, “esta jornada demonstrou que Santarém foi muito mais do que a capital do Gótico — foi também uma verdadeira capital do Renascimento português, com um património de valor universal que importa preservar e divulgar”.

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