A Câmara Municipal de Santarém formalizou junto das principais instituições do Estado a sua disponibilidade para acolher o futuro Centro Interpretativo da Revolução dos Cravos, defendendo que a cidade reúne “condições únicas” para a instalação de um projecto de âmbito nacional. A proposta foi apresentada pelo presidente do município, João Teixeira Leite, numa carta dirigida ao Presidente da República, ao primeiro-ministro e a outros responsáveis institucionais.

No documento, o autarca sustenta que Santarém “não é apenas uma possibilidade — é, pela sua história, o local natural para concretizar este desígnio”, sublinhando o papel da antiga Escola Prática de Cavalaria (EPC) como ponto de partida da coluna liderada por Salgueiro Maia na madrugada de 25 de Abril de 1974. O espaço é descrito como “um dos principais marcos fundacionais da nossa democracia e um símbolo maior da memória colectiva nacional” .

A proposta surge num contexto em que o projecto do Centro Interpretativo permanece sem localização definitiva, depois de ter sido considerada inviável a sua instalação no edifício inicialmente previsto, em Lisboa. Nesse cenário, Santarém posiciona-se como alternativa, invocando não só o valor simbólico associado aos acontecimentos de Abril, mas também condições logísticas e operacionais que, segundo o município, permitem uma concretização célere.

Na carta, João Teixeira Leite destaca que o complexo da antiga EPC, actualmente propriedade municipal, “reúne condições únicas para uma concretização rápida e sem constrangimentos”, apontando ainda a localização central e as acessibilidades como factores que reforçam o potencial do espaço enquanto pólo de memória, visitação e estudo .

O autarca enquadra igualmente a proposta numa lógica de coesão territorial, defendendo que a eventual instalação do equipamento fora dos grandes centros urbanos representa uma oportunidade de afirmação de políticas públicas descentralizadas. “O País não se resume a Lisboa e ao Porto”, refere, na mesma comunicação, sublinhando que projectos estruturantes devem reflectir o conjunto do território nacional.

A candidatura de Santarém apoia-se ainda no trabalho já desenvolvido no âmbito do Museu de Abril e dos Valores Universais (MAVU), projecto municipal apresentado em 2023 e cujo desenvolvimento técnico se encontra em curso. Segundo o presidente da Câmara, esta base permitirá disponibilizar ao Governo “uma solução concreta, madura e prontamente mobilizável”, potenciando a convergência entre iniciativas e garantindo maior eficiência na concretização do projecto nacional .

O município reafirma, por fim, total disponibilidade para colaborar com o Governo e com as entidades envolvidas na definição da solução final, considerando que a escolha de Santarém “prestigia o País e dignifica a memória do 25 de Abril”

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