O Presidente da República enalteceu hoje a coragem e a “capacidade de resistência” dos agricultores portugueses, lembrando as tempestades na região Centro, e salientou que é importante que estes profissionais “não fiquem sozinhos”.
“Os agricultores passam um ano inteiro a investir, têm dores de cabeça, têm dificuldades, vieram as intempéries – aqui na zona Centro a tempestade Kristin – e, portanto, é fantástico o que eles são capazes de fazer, a sua capacidade de resistência, a sua força, o amor à terra”, enalteceu António José Seguro, após uma visita de quase seis horas à Feira Nacional de Agricultura, que decorre no CNEMA – Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas, em Santarém.
Escusando-se a responder a perguntas sobre outros temas, António José Seguro disse sair “muito satisfeito e muito feliz” após a visita e parabenizou os agricultores pela sua coragem.
“Parabéns aos agricultores portugueses. É preciso é que eles não fiquem sozinhos nesta caminhada”, salientou.
O Presidente da República realçou que “hoje ser agricultor não é nada fácil” e destacou a sua “capacidade tecnológica, a capacidade de empreender, a capacidade de resistir, a capacidade de criar riqueza no nosso país, produtos de qualidade e tecnologia de alto nível”.
A visita de António José Seguro pelos pavilhões da feira começou pelas 12:30 e terminou já perto das 18:00.
Quando chegou ao local, foi recebido pelo presidente da Confederação dos Agricultores Portugueses (CAP) e também do CNEMA, Álvaro Mendonça e Moura, que disse estar muito contente por receber “o primeiro Presidente agricultor”, numa referência ao facto de o chefe de Estado ser produtor de vinho e azeite em Penamacor, distrito de Castelo Branco.
“Recebemos hoje aqui um dos nossos, que é Presidente”, gracejou.
Álvaro Mendonça e Moura alertou que 2026 tem sido um ano “particularmente difícil” para os agricultores devido às intempéries do início do ano e à guerra no Médio Oriente, com consequências no aumento do preço dos combustíveis e fertilizantes.
O responsável reconheceu que esta é uma situação que “está além do controlo nacional, mas a verdade é que os agricultores portugueses estão numa situação particularmente difícil porque têm de competir” com outros países onde há apoios “muito superiores”.
O presidente da CAP deu como exemplo que em Espanha os agricultores foram apoiados com um pacote que rondou os 500 milhões de euros e em Portugal o valor foi de 20 milhões.
Depois de ter ouvido estas preocupações, António José Seguro participou na cerimónia de obliteração de uma nova edição de selos de coleção dos CTT – Correios de Portugal, que homenageia o engenheiro José Sousa Veloso, rosto do famoso programa TV Rural.
Antes de um almoço privado, o chefe de Estado visitou algumas bancas com frutos vermelhos, que dão mote à edição deste ano da feira.
Seguro provou amoras, framboesas, ofereceu algumas aos presentes e considerou: “A qualidade é excelente, magnífica.”
O chefe de Estado disse estar em causa “um potencial muito grande”, uma vez que 95% deste tipo de fruto produzido em Portugal é exportado, o que se traduziu em 400 milhões de euros no ano passado, segundo o presidente da CAP.
Seguiram-se vários brindes, provas de queijos e enchidos, e muitas interações e fotografias durante largas horas. Numa destas interações, um agricultor do Douro deixou um apelo ao Presidente.
“O senhor Presidente também é viticultor, sabe quantos são os custos da vinha. Nós pedíamos sinceramente e apelamos para que tenha intervenção neste meio da vinha e do vinho”, apelou o cidadão que interpelou Seguro. O chefe de Estado disse compreender e manifestou-se preocupado com a situação, “quer por razões económicas, quer sociais”.














