Sardoal vai celebrar a Semana Santa de 22 de março a 05 de abril, num período marcado pelo regresso à normalidade após a tempestade Kristin, mantendo a forte envolvência popular na recriação de cenários de fé e tradição.
“Os princípios deste ciclo pascal refletem muito aquilo que estamos a viver neste momento”, disse hoje à Lusa o presidente da Câmara de Sardoal, Pedro Rosa, estabelecendo um paralelismo entre o tempo litúrgico e os acontecimentos recentes no concelho.
“Passámos de um momento de reflexão, de silêncio e de consternação e, portanto, o dia de Páscoa, reservado à Ressurreição, permite-nos fazer esse paralelismo com os dias que vivemos hoje. Depois da tempestade vem a bonança, o mundo não pode parar e nós também não podemos parar”, afirmou Pedro Rosa, referindo-se à tempestade Kristin, que afetou o concelho na madrugada de 28 de janeiro.
Segundo o autarca, a realização da Semana Santa representa “um sinal de retoma de normalidade, que é importante para o concelho e para a região”.
O programa religioso inicia-se no dia 22 de março, com o Domingo de Passos e a Procissão do Senhor dos Passos, na Igreja da Misericórdia, seguindo-se, em 29 de março, o Domingo de Ramos, com bênção, procissão e eucaristia.
Na Quinta-feira Santa, 02 de abril, realiza-se a Missa da Ceia do Senhor, com lava-pés e trasladação do Santíssimo Sacramento, culminando, às 21h30, com a Procissão do Senhor da Misericórdia, também conhecida como Procissão dos Fogaréus, considerado o momento mais emblemático das celebrações.
“Vai ser, no que diz respeito às cerimónias religiosas, aquilo a que o Sardoal, a nossa paróquia e as irmandades já habituaram quem nos visita, com a mesma dignidade e o mesmo brilho de sempre”, assegurou Pedro Rosa.
A Procissão dos Fogaréus decorre com as luzes públicas apagadas ao longo do percurso, iluminado apenas por velas, archotes e candeias. Nas janelas, varandas e sacadas são colocadas lanternas acesas, criando um ambiente de recolhimento e misticismo que marca esta manifestação religiosa.
Na Sexta-feira Santa, 03 de abril, realiza-se a Celebração da Paixão do Senhor e a Procissão do Enterro do Senhor. A Vigília Pascal está marcada para sábado, às 22h00, culminando as celebrações religiosas no Domingo de Páscoa, 05 de abril, com a Procissão da Ressurreição e eucaristia.
Durante a Semana Santa, igrejas e capelas da vila e das aldeias do concelho são decoradas com tapetes feitos à base de pétalas de flores e verduras naturais, numa tradição que remonta ao século XIX e que se julga ser única no país.
Os trabalhos de ornamentação decorrem na quarta-feira que antecede a Quinta-feira Santa, prolongando-se pela noite dentro, envolvendo associações, grupos locais e habitantes de todas as idades.
“Este momento da Semana Santa é, certamente, a cerimónia mais genuína que temos. Os sardoalenses, crentes ou menos crentes, sempre cresceram a viver a Semana Santa de uma forma diferente. É também um momento para as famílias se encontrarem e conviverem”, salientou o autarca.
Paralelamente ao programa religioso, o município promove um conjunto de iniciativas culturais e recreativas, incluindo exposições como “Ecos do Divino – Arte Sacra do Sardoal”, no Centro Cultural Gil Vicente, o projeto “Capela”, com participação do Agrupamento de Escolas, e a mostra fotográfica “As Mãos que Fazem Arte”, na Biblioteca Municipal.
Estão ainda previstos um mercado de Páscoa com produtores e artesãos locais, um passeio pedestre denominado “Caminhos da Fé”, teatro com a representação da “Paixão de Cristo” e vários concertos, entre os quais o de Páscoa, pela Filarmónica União Sardoalense, o de Aleluia, e um espetáculo dos Shout!.
O tradicional “Doce Quiosque”, com venda de amêndoas nos Paços do Concelho, preserva um costume antigo ligado à oferta de amêndoas entre namorados após as celebrações religiosas.
“Além do momento de reflexão que está no âmago da Semana Santa, há também um incentivo à união e à paz. São esses os valores que queremos afirmar”, declarou o autarca.
A Semana Santa e Festa do Espírito Santo de Sardoal foi inscrita em 2023 no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.
