O sindicato dos trabalhadores das rodoviárias do Oeste, Lis e Tejo (distritos de Leiria e Santarém) afirmou que a adesão à greve de hoje nas transportadoras foi superior a 85%, enquanto a ‘empresa-mãe’ aponta para uma adesão de 38,3%.

De acordo com Manuel Castelão, da Federação Nacional das Comunicações e Transportes (FECTRANS), a greve de dois dias, hoje e sexta-feira, visa protestar contra “situações discriminatórias” relativas a diferenças laborais e salariais entre trabalhadores, por serem abrangidos por duas convenções de trabalho diferentes.

“A greve está a decorrer de uma forma tremenda, com uma posição muito clara dos trabalhadores. Foi para lá daquilo que estávamos à espera. (…) Tendo em conta o que nos chega dos diversos locais de trabalho, não falharemos muito se avançarmos com um número que ronda os 85 a 90%, tanto de trabalhadores como de motoristas, em greve. Há locais de trabalho parados a 100%, há outros em que é de 95% e muito poucos são os locais onde a greve não se fez sentir”, considerou.

As três empresas pertencem ao grupo Barraqueiro e à Transdev (49% de participação cada uma, com os outros 2% a pertencerem à empresa-mãe Rodoviária do Tejo), explicou.

Num comunicado, a Rodoviária do Tejo considerou que a adesão à greve no global das três empresas foi de 38,3%.

A empresa destacou que “as condições remuneratórias aplicadas pelas empresas são as que decorrem do Contrato Coletivo em vigor”.

“Visando a revisão do Contrato Coletivo em vigor, estão atualmente em curso negociações entre a Associação que representa o setor dos transportes rodoviários pesados de passageiros (ANTROP) e as estruturas sindicais. A ANTROP apresentou já uma proposta aos sindicatos, a qual aguarda resposta, estando agendada uma reunião para o dia 13 de dezembro”, salientou a Rodoviária.

Os trabalhadores reivindicam a “unificação das relações laborais”, assim como aumentos do salário e do subsídio de refeição, que é de 2,55 euros, valor que “não dá para comer uma sandes e beber um sumo”, disse Manuel Castelão.

“Enquanto um motorista da Rodoviária do Tejo tem um salário de 621 euros, que na prática são 609, porque tem englobado o abono para falhas, um motorista [abrangido pelo contrato coletivo de trabalho] da ANTROP [Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros] tem um salário a rondar os 650 euros”, exemplificou.

“O salário mínimo em janeiro ficará nos 600 euros e um motorista tem um salário de 609 euros, ou seja, grande parte destes motoristas fica com um salário nove euros acima do salário mínimo nacional e é inconcebível”, afirmou Manuel Castelão.

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