O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) criticou hoje a suspensão de férias decretada aos profissionais do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT), afirmando que a medida é “extemporânea” e “contraproducente”, além de “contribuir para o aumento do absentismo”.

Em declarações à agência Lusa, a coordenadora do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) do Distrito de Santarém, Helena Jorge, disse “compreender quando as férias são suspensas em hospitais onde a pressão é muito grande”, tendo feito notar, no entanto, que “essa é uma medida para cada hospital equacionar em termos da sua realidade” e que o Médio Tejo (CHMT) “ainda não tem uma realidade que tenha de suspender as férias dos profissionais” de saúde.

“É uma medida contraproducente, principalmente porque os profissionais, alguns, se não tiverem férias, vão ficar exaustos e o absentismo vai aumentar imenso”, disse a dirigente sindical, enfermeira no Hospital de Santarém.

Para a sindicalista, no CHMT, que abarca as unidades hospitalares de Abrantes, Tomar, e Torres Novas, “ainda é cedo” para tomar uma medida que afirmou ser “extemporânea”.

O Conselho de Administração (CA) do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) suspendeu na quarta-feira, e até 31 de Janeiro, as férias aos seus cerca de dois mil profissionais.

Em comunicado, o CA do CHMT, afirma ser “absolutamente indispensável e essencial, no particular momento em que nos encontramos, proceder à adopção de uma medida de carácter excepcional e temporária de suspensão do gozo de férias”, medida tomada “no âmbito da situação actual de Estado de Emergência e em virtude dos condicionalismos hospitalares e de saúde pública”.

Para Helena Jorge, esta medida “vai contribuir para a exaustão muito rápida dos profissionais” que, “estando extremamente cansados, não dão rendimento, acabam por entrar em ‘burnout’ e têm de sair dos cuidados na mesma”.

A dirigente sindical frisou ainda que a decisão atinge toda a gente por igual, inclusive “quem não teve férias ainda este ano, nem no Verão nem nada, e esteve a aguentar o barco até agora”.

Na quarta-feira, a ministra da Saúde admitiu que os profissionais de saúde deverão ter de alterar os seus planos de férias previstos para o Natal e Ano Novo devido à evolução da pandemia de covid-19.

“Muito provavelmente terá de haver, em função da situação epidemiológica que vivemos, alteração de planos de férias de 2020, como já houve no início do ano”, disse Marta Temido, durante a conferência de imprensa de balanço da epidemia de covid-19.

A ministra admitiu que esta é “uma decisão difícil” porque “é um esforço adicional que se pede aos profissionais de saúde” assim como se poderá ter de pedir a profissionais de outras áreas.

Leia também...

Militar da GNR de Rio Maior morre vítima de despiste na A1

Vítor Cabral, militar da GNR em Rio Maior, morreu na sequência de um despiste de automóvel este sábado, 9 de Maio, na A1, no…

Câmara de Coruche rejeita competências na área da saúde e pede clarificação

A Câmara de Coruche rejeitou, por unanimidade, a assunção de competências na área da saúde por considerar que o pacote financeiro atribuído pelo Governo,…

Incêndio mobiliza mais de uma centena de bombeiros no concelho de Benavente

Um incêndio que deflagrou pelas 14h00 na localidade de Foros de Almada, no concelho de Benavente, mobilizou para as operações de combate mais de…

Grupo de trabalho prepara projecto agro-florestal para Vila de Rei, Sertã e Mação

O ministro da Agricultura anunciou a criação de um grupo de trabalho que engloba o Governo e Vila de Rei, Sertã e Mação, para…