Foto: CGTP-IN

Os trabalhadores da Nobre, em Rio Maior, cumpriram hoje a 27.ª greve contra a recusa da empresa em negociar o caderno reivindicativo, protesto em que o sindicato do setor denunciou terem sido pressionados pela empresa a não aderir.

A paralisação, convocada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos (SINTAB), contou hoje com “uma adesão um bocadinho abaixo do que é habitual”, devido “não à desmotivação os trabalhadores, mas sim por ameaças que foram feitas diretamente pelas chefias e pela direção da empresa nos últimos dois dias”, disse à agência Lusa o dirigente sindical Diogo Lopes.

De acordo com o sindicalista, “principalmente os trabalhadores que estão a contrato foram ameaçados e coagidos pelos chefes e pela direção da empresa, que caso aderissem à greve o seu contrato não ia ser renovado”.

Diogo Lopes afirmou que o SINTAB irá avançar “com uma queixa em tribunal contra estas chefias que fizeram esta coação e intimidação a estes trabalhadores, porque isto é inadmissível”.

Esta é a 27.ª greve convocada desde 2023 face à recusa da empresa em negociar o caderno reivindicativo em que os trabalhadores exigiam um aumento salarial de 150 euros, a valorização do subsídio de refeição e do trabalho noturno, a implementação de diuturnidades, direito a 25 dias de férias, e o fim do recurso à contratação precária, entre outras reivindicações.

A falta de acordo levou à realização de reuniões de conciliação na DGERT [Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho], a última das quais no dia 05 de fevereiro.

Nenhuma das reuniões “surtiu efeito, a empresa mantém a mesma postura de dizer que não vai fazer qualquer aumento salarial nem atender a nenhuma das reivindicações dos trabalhadores, apesar de o resultado líquido do último ano ter sido de 2,1 milhões de euros e de estar a investir cerca de nove milhões em painéis solares e tecnologia”, lamentou Diogo Lopes.

Os trabalhadores, que entretanto acederam a que o aumento salarial proposto passasse de 150 para 50 euros, decidiram “não participar em mais reuniões de conciliação” e agendar uma nova greve para o dia 06 de abril.

Contactada pela Lusa a empresa negou que “a falta de adesão tenha resultado de qualquer pressão”, esclarecendo que o pré-aviso de greve foi apresentado por um único sindicato, o SINTAB, que “representa aproximadamente 3% da força de trabalho, com base nos trabalhadores sindicalizados declarados”.

Do total de 755 colaboradores, a Nobre Alimentação estimou que impacto da greve represente “menos de 10% de ausências”, apesar de não apresentar “um número final, uma vez que algumas ausências não estão relacionadas com a greve e resultam de circunstâncias pessoais”.

Para a Nobre “esta greve deve ser entendida no contexto de um movimento mais amplo de mobilização sindical coordenada, associado ao denominado “Pacote Laboral”, conforme referido no pré-aviso de greve, e não como uma reação específica à empresa, como se pode verificar pela presença dos trabalhadores nos seus postos”.

Na resposta enviada à Lusa a Nobre reafirma que tem “desenvolvido esforços contínuos para se adaptar às condições de mercado, salvaguardando simultaneamente um conjunto alargado de benefícios para os colaboradores”, esclarecendo ter, nos últimos dois anos, implementado “melhorias relevantes ao nível da remuneração, benefícios e condições de trabalho, refletindo o seu compromisso contínuo em equilibrar a sustentabilidade do negócio com o reconhecimento e valorização da dedicação das suas equipas”.

A empresa afirma manter “um diálogo aberto e permanente com os seus colaboradores” e manter a proposta apresentada em janeiro, “que foi bem acolhida, incluindo a implementação faseada de várias medidas, como a diferenciação das categorias profissionais e as diuturnidades”.

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