VÍDEO | “Só quem dá a alma percebe o que é uma catástrofe”

Seis meses após a passagem do Ciclone Idai por Moçambique, Fernando Vieira e Pedro Suzana, bombeiros nos Municipais de Santarém partilham a sua missão com o ‘Correio do Ribatejo’.

Fernando Vieira e Pedro Suzana são bombeiros nos Municipais de Santarém. Na madrugada de 23 de Março partiram para Moçambique numa missão de “alto risco” de ajuda às populações afectadas pelo Ciclone Idai, o mais forte a atingir Moçambique desde o Jokwe, em 2008. O apoio surge na sequência do pedido de assistência internacional para ajuda nas operações de socorro apresentado pelas autoridades moçambicanas no quadro do Mecanismo de Protecção Civil da União Europeia. Foi a décima tempestade nomeada e o sétimo ciclone da temporada de ciclones no Índico Sudoeste de 2018-2019, teve origem numa depressão tropical que se formou na costa Leste de Moçambique a 4 de Março e durou até dia 21 desse mês. As maiores rajadas de vento ultrapassaram os 205 km/h e o vento mais forte (1 minuto) soprou a 195 nós (361 km/h). Seis meses depois da tragédia, o ‘Correio do Ribatejo’ esteve à conversa com os dois que a par do comandante José Guilherme integraram o contingente de cerca de 50 operacionais portugueses no terreno.

“Era um sonho fazer uma missão no corpo de bombeiros e aceitei prontamente”, revela Fernando Vieira no princípio da conversa.
Sentado a seu lado, no interior do quartel dos Municipais de Santarém, Pedro Suzana justifica ter aceite a missão: “É esta a nossa profissão e temos de dar resposta aos desafios que nos lançam”.
Pedro informou a mulher da viagem sem fim à vista e esta pensou tratar-se de uma brincadeira.
“Julgava que não era possível um bombeiro da cidade de Santarém integrar uma força daquela dimensão e fazer uma missão como esta a dez mil quilómetros de Portugal”, esclarece.
Já Fernando recebeu a chamada um dia antes, tinha acabado de sair de serviço. Acredita que a experiência adquirida nas cheias no Ribatejo terá pesado na escolha: “Fomos preparados para estar lá, autónomos, durante um mês. Não sabíamos se iriamos uma semana, duas, ou mais de um mês, por isso, uma das primeiras coisas que aprendemos foi a lavar a roupa” (sorrisos).
O contingente do distrito de Santarém integrou 19 bombeiros de várias corporações, para além de elementos da Força Especial de Bombeiros, da Guarda Nacional Republicana (18 elementos), Instituto Nacional de Emergência Médica (um elemento), EDP, bem como nove pessoas do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses e duas do Laboratório de Polícia Científica da Polícia Judiciária, para ajudarem na identificação das vítimas mortais.
A força distrital integrava bombeiros de Abrantes, Alpiarça, Barquinha, Benavente, Cartaxo, Pernes, Santarém e Tomar. A viagem para Moçambique foi feita num avião comercial fretado pelo governo.
“Foi engraçado. O avião tinha 300 lugares e nós eramos 50. Toda a gente ia à janela e assim que chegámos vimos logo um cenário de desgraça”, prossegue Fernando Vieira.
Ainda no ar, a primeira imagem que tiveram da cidade da Beira foi “água, selva, água e mais água”. As aldeias em redor da capital estavam completamente submersas.
No avião seguiu ainda ração de combate e uma máquina de purificação de água pertencente aos GIPS da GNR que acabou por ficar.

Frango assado ao nono dia


23 de Março de 2019. O avião aterrou no caótico aeroporto da Beira às 15h00 locais (13h00 em Lisboa). Era o terceiro avião com ajuda portuguesa após os dois C-130 que chegaram na véspera e no mesmo dia.
O balanço provisório apontava para “417 mortos”. Um número que viria a aumentar de dia para dia.
O primeiro impacto ao pisar solo moçambicano foram os “30 a 35 graus de temperatura com 80 a 95 por cento de humidade” que se registavam.
“Às 17h30 já era noite e às 4h30 já era dia. O calor era uma coisa fora do normal. Na primeira semana bebi uma média de três a cinco litros de água por dia”, explica Pedro Suzana.
A força instalou-se no aeroporto da Beira, ao lado da pista guardada por militares do exército moçambicano.
“A pista tinha o alcatrão derretido, nunca tinha visto tal coisa”, nota Fernando Vieira.
Os voos comerciais quase não aterravam, apenas os humanitários e o caos depressa se instalou em pleno aeroporto: “andava um indivíduo com umas raquetes luminosas a estacionar aviões na pista. A certo ponto já nem conseguiam sair. Foi a primeira vez que vi uma asa de um avião passar por cima de outra”, observa.
Instalaram-se no aeroporto. Tinham, para cada um, um ‘burrito do mato’ (cama de campanha com cerca de 50 centímetros de altura), um saco-cama e uma rede mosquiteira. Foram oito dias a ração de combate. Na primeira refeição quente coube-lhes um quarto de frango assado. Mas não a todos: “Houve um miúdo moçambicano que distraiu um colega nosso e assim que este olhou para o lado ficou logo sem o frango. O miúdo pegou-lhe e desatou a fugir”, relata.
O cenário era de catástrofe. Não havia água potável, electricidade, comunicações, a torre do aeroporto da Beira só ao fim de “três ou quatro dias” é que começou a funcionar e o que mais ressaltava aos olhos dos dois bombeiros de Santarém era “a pobreza e a falta de géneros alimentícios”.
“Nos cafés do aeroporto, dois ou três, era tudo racionado”, notam.
Os operacionais, “às centenas, senão milhares” eram de diferentes nacionalidades, desde sul-africanos, chineses, brasileiros, australianos, suecos, norte-americanos, ingleses, angolanos ou israelitas.
A coordenação dos bombeiros era feita pelo comandante José Guilherme com assento nos ‘briefings’ diários com os comandantes da Autoridade Nacional de Protecção Civil que os acompanharam na missão e membros do governo moçambicano e do Instituto de Gestão de Catástrofes de Moçambique.

Crianças a fazer balancé em cabos de alta tensão


As primeiras missões foram na região de Búzi, com mais de cem mil habitantes. Estava completamente alagada e a ajuda chegava através do rio com recurso a meios de salvamento aquáticos.
Foram fornecidos à população mais de mil quilos de alimentos (cereais, açúcar e feijão enlatado), bens essenciais à sobrevivência.
“A primeira missão que recebemos foi o transporte de uma carrinha numa embarcação para o porto de abrigo da Beira. Foi a primeira vez que saímos do aeroporto. Uma das imagens que mais me marcou foi ver duas crianças em cima de cabos de alta tensão a fazer de balancé junto ao Grande Hotel da Beira. Olhei para aquilo e pensei: “Não há mesmo electricidade, mas se eles a ligam vai dar barraca”, relata Fernando Vieira.
Os olhos de ambos confrontaram-se com um cenário de destruição completa: telhados arrancados, armazéns completamente destruídos, árvores no chão e estradas com buracos onde cabiam carros.
“Estima-se que o grau de destruição terá rondado os 90 por cento. Os únicos edifícios que se mantiveram foram os construídos pelos portugueses no tempo da guerra colonial. O Consulado e mais dois ou três na cidade da Beira ficaram de pé, tudo o resto ficou destruído ou lá perto. A sujidade das ruas era uma coisa fora do normal”, recorda Pedro Suzana.
Habitualmente, os dois bombeiros eram abordados pela população que lhes pedia comida ou água potável: “Era complicado. Se tivéssemos o azar de dar uma bolacha a uma criança, a seguir tínhamos 20 a pedir-nos”, observa Vieira.
Durante o voo para Moçambique os operacionais foram avisados disso mesmo. Se dessem bens alimentares teriam de dar a todos, se não tivessem para todos, não davam a ninguém.
“E porquê? Para não gerar o caos”, explicam.
O território era uma “autêntica selva”. As aldeias que ficaram isoladas estavam completamente alagadas e o barco possibilitava o único acesso.
“Tínhamos de fazer três ou quatro milhas por mar para depois entrar no leito do rio”, recorda Pedro.
O trajecto do porto de abrigo até ao cais de Búzi demorava duas horas e vinte de barco. “Tínhamos de aproveitar as marés”, relembra Fernando.
Saiam na maré vazia e entravam com maré cheia, a diferença era entre os cinco e os sete metros, “uma parede de água enorme”, notam.
Sentados em pleno quartel, num momento de folga, e seis meses após a experiência por que passaram, nem Pedro Suzana nem Fernando Vieira alimentaram o drama do que viram quando a maré baixava e punha a descoberto os corpos das vítimas do ciclone semi-enterrados no lodo. Guardaram para eles esses momentos e à pergunta: “Depois da maré vazar o que é que aparecia no fundo? A resposta, em uníssono, não se fez esperar: “Areia, basicamente. Madeira, ferros, barcos que estavam fundeados, mas muita areia”.

“Só quem dá a alma percebe o que é uma catástrofe”


A missão portuguesa em Moçambique era sobretudo logística. Garantir o transporte de alimentos e medicação às aldeias que estivessem isoladas.
Localizaram ainda um português, registado no consulado, que se encontrava desaparecido.
“Por incrível que pareça estava tudo bem com o senhor, acabou visto pelo médico e embarcou num helicóptero para sair daquela selva. Quando falamos em selva, aquilo é mesmo selva. Nunca tinha visto crocodilos na minha vida e lá vi, em pleno rio,” recorda Fernando.
Ambos deixaram bem vincada a cordialidade com que foram recebidos, quer pelo povo moçambicano, quer pela comunidade portuguesa.
“São um povo excelente e super feliz com aquilo que têm. Fazem de tudo uma festa. A nossa chegada foi uma festa. Se salvamos ou ajudamos uma pessoa juntam-se todos e cantam em coro, dançam e agradecem-nos. Se houve momentos que nos deixaram bem marcados foi a imagem deles a agradecer aos bombeiros portugueses”, revela emocionado Fernando Vieira.
Partiram de Santarém preparados para o pior mas apesar do treino, no terreno, há sempre momentos que deixam marcas.
“Todos os dias nos sentíamos impotentes porque era impossível chegar a todo o lado e dar comida a toda a gente. Aquilo tinha uma dimensão fora do normal e só estando lá é que se consegue perceber isso. Quando estamos em casa, sentados no sofá a ver imagens de uma catástrofe e nos interrogamos: “por que é que as equipas não chegam”, não se tem a noção do que é estar no meio de uma catástrofe. Só quem dá a alma percebe o que é uma catástrofe e os mecanismos que envolve. Desde logo estarmos a operar num país que é soberano, onde temos de respeitar regras, a sua religião, o seu modo de vida, bem diferente do nosso. Tudo isso atrasa até a nossa forma de pensar, quanto mais a nossa forma de agir”, constata Pedro Suzana.
“Uma pessoa quando tem filhos em casa pensa de várias maneiras. Não vou dizer que vou para lá e sou o super-homem. Há coisas que nos marcam e que nos deixam a olhar seriamente. Uma noite, nas tendas, a conversar para ver se o sono chegava, deparo-me com um dos meus colegas alagado em água, a chorar. Eu disse-lhe que se tivesse que desabafar desabafasse que estávamos sozinhos e amanhã seria outro dia. Ele tinha visitado um campo de refugiados, só de crianças, órfãos de pai e mãe, e aquilo marcou-o…”, revela com a voz embargada Fernando Vieira.
“Quando chegou ao acampamento largou-se logo a chorar”, completa Pedro Suzana.
“Depois desta passagem por Moçambique concluo que todos por cá somos ricos e quando dizemos que vivemos na miséria é mentira, não temos noção da riqueza que temos em Portugal”, sublinha Vieira e acrescenta: “se pudesse trazia um miúdo e acabava por assumir a responsabilidade de ser pai dele” e explicou porquê: “Andava descalço, de calções e t-shirt rasgados e todos os dias nos visitava no aeroporto, afastado dos grupos de outras crianças que andavam a pedir. Reparei que não falava e só o fez no dia em que partimos. Abraçou-se a mim e disse-me obrigado, sempre com um sorriso na cara, porque eu, à socapa, dava-lhe sempre uma bolacha, marmelada ou aquilo que houvesse porque tinha mesmo pena dele. Ele sentia-se seguro com a nossa presença”, revela emocionado Fernando Vieira.
Durante as missões não havia tempo para soltar emoções. Havia a manutenção das embarcações para fazer e até consertar motores dentro do rio, saltar para dentro de água e puxar barcos arrancando-os dos bancos de areia.
“O cenário era o mesmo que apanhamos em Santarém, no Rio Tejo em época de cheias, com bancos de areia por onde temos de navegar aos ziguezagues. Por incrível que pareça pensávamos que seria diferente mas não é”, nota.
Os bombeiros de Santarém recordam dois portugueses, ele do Funchal e ela da Malveira que os ajudaram no terreno.
“Foram a imagem do consulado português e quem nos recebeu e deu algum apoio, nomeadamente um camião que utilizámos para meter barcos no porto. Era o senhor António que providenciava, tal como as máquinas para os carregar. Foram incansáveis,” refere Pedro.

O rapaz que vendia ‘smokings’


Por mais ajuda internacional que aterrasse no aeroporto da Beira esta parecia sempre escassa.
“A China metia lá, por dia, cinco aviões C-130 carregados não sei com quantas toneladas de alimentos e tudo e mais alguma coisa e é sempre pouco porque estamos a falar de milhões de pessoas que tiveram de ser evacuadas da zona onde viviam. Ficaram desalojadas, ficaram sem nada, sem roupa, sem casas. É uma coisa fora do normal”, lembra Pedro Suzana.
“Foi a primeira vez que assisti a cortarem o cabelo no meio da rua, no mesmo sítio onde carregavam o telemóvel porque era ali que o gerador estava”, acrescenta Fernando.
Quadros que ambos recordam quando a rua era o palco da vida.
“Não há lojas, não há cafés, não há nada. Vende-se e compra-se tudo na rua”, lembra Pedro Suzana.
Fernando recorda ainda um rapaz que, por perto, vendia ‘smokings’: “Depois de negociar com ele cheguei à brilhante conclusão que não iria dar cinco euros por um ‘smoking’. Ele já me estava a pedir 600 meticais [cerca de oito euros]. Trazia o ‘smoking’, a camisa, o colete e a gravata. Só não trazia os sapatos para ele não ficar descalço”.
“Naquele cenário tudo é negociável. Se precisar de uma garrafa de água vazia tenho de a pagar. Ali negoceia-se tudo”, frisa Pedro Suzana.
Quanto a alimentos, ambos constataram a importância do caju para os moçambicanos e Fernando garante mesmo que comeu as “melhores bananas de sempre”, bem como uma laranja, verde por fora, mas “completamente doce”.

Santarém equipa ambulância


Antes da partida, tempo para um novo momento que os marcou a ambos: a oferta aos bombeiros locais de um saco de reanimação e de trauma.
“Íamos tomar banho muitas vezes aos bombeiros do aeroporto. Aí, reparámos que as ambulâncias estavam completamente vazias, sem qualquer material. O nosso comandante falou com o presidente da Câmara de Santarém que autorizou a oferta do saco. Pusemos os bombeiros do aeroporto a chorar, enchemos a ambulância que tinha apenas uma maca com material topo de gama, ficou toda equipada”, salienta Fernando, orgulhoso da boa acção praticada.
Apesar de tudo, ao fim de doze dias de presença na região da Beira, os dois bombeiros dos Municipais de Santarém já notavam diferenças no terreno: estradas desobstruídas, circulação para Búzi reposta via terrestre e um grande sentimento de missão cumprida entre os operacionais portugueses.
Muito fica, no entanto, por fazer, até mesmo ao nível de quem, por lá, escolheu a mesma profissão de Fernando e de Pedro.
“Na Beira, eles têm à volta de 600 mil habitantes registados e cerca de 30 bombeiros. No aeroporto estava destacado um miúdo com cerca de 22 anos cuja farda era uma camisa, umas calças e umas botas e nem meias tinha para calçar. Eu perguntei-lhe: “Estás aqui de prevenção no aeroporto, quando houver um acidente com um avião como é que te desenrascas? Têm outro material?”. Ele respondeu: “Não patrão, não tenho mais nada. Se houver um acidente vou com esta camisa, estas calças e estas botas”. Nós olhámos para aquilo e pensámos: somos milionários. Os bombeiros em Portugal são milionários. Trabalhar naquelas condições… Nem é bom falar, é incrível, não há comparação possível”, nota Fernando Vieira.
Ambos regressariam a Moçambique à primeira chamada para tal. “Eu ia já amanhã”, garantiu Fernando, desta vez “com metade das coisas”…
“Levei roupa a pensar que não ia lavar uma única peça e acabei por andar a lavá-las… E lava-se com o melhor detergente do mundo: o sabão azul e branco tem de ir connosco. Lava tudo!”

1,5 milhões de pessoas afectadas


A organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) considera crítica a falta de alimentos nas zonas atingidas pelos ciclones Idai, em Março, e Kenneth que se abateu no Norte do país, em Abril.
A FAO estima que só o ciclone Idai terá causado a perda de 800 mil hectares de colheitas na região centro de Moçambique.
O ciclone que oficialmente matou 603 pessoas – outras fontes no terreno acreditam que foram bem mais -, afectou 1,5 milhões de pessoas.
De acordo com o relatório do Gabinete de Reconstrução pós-Ciclones Idai e Kenneth, ao qual o Jornal ‘Público’ teve acesso, 240 mil habitações foram total ou parcialmente destruídas, bem como 1372 escolas e 92 centros de saúde. Além disso, 29 por cento das estradas nacionais do país foram afectadas, enquanto 20 pontes sofreram danos ou caíram.
Segundo o relatório, o Idai causou danos totais superiores a 1257 milhões de euros e 1248 milhões de euros em perdas económicas e, para fazer frente a isso, as autoridades moçambicanas calculam que sejam necessários 2,6 mil milhões de euros para recuperar tudo aquilo que o ciclone destruiu.
Seis meses após os ciclones, mais de meio milhão de pessoas ainda vivem em locais destruídos ou danificados, enquanto outros 70.000 permanecem em centros de acomodação de emergência.
Pedro Suzana diz que ser bombeiro “não se explica”. Foi voluntário aos 14 anos em Coruche. Em 2007, pediu a transferência para Santarém, “por questões familiares” onde foi “bem recebido”.
Para ele, “só os bombeiros conseguem sentir certas e determinadas coisas e nem vale a pena tentar explicar porque as pessoas provavelmente não irão compreender”.
Já Fernando Vieira integra os Municipais de Santarém desde 1994. Começou ainda como voluntário. “Naquela altura achei engraçado. Deram-me um fato de macaco, uns botins de borracha e um capacete e já era o maior do mundo, com 15 anos de idade. Estou cá há 25, brevemente serei o elemento mais velho aqui dentro, já faço parte da mobília dos Municipais que vão transitar agora para Bombeiros Sapadores de Santarém”, conclui.
Os dois, juntamente com o comandante José Guilherme representaram os Bombeiros Municipais de Santarém na ajuda a Moçambique.
Na cronologia da conversa aproximava-se o regresso a Portugal. Foi a 2 de Abril: “Assim que aterrámos quisemos logo apanhar outro avião para Moçambique quando soubemos que se estava a formar outro ciclone [o Kenneth]”, recordam.
A derradeira pergunta feita a ambos – “Como se sai de uma missão destas?” – foi lançada em jeito de balanço da longa conversa que mantivemos no Quartel dos Municipais de Santarém, mas a resposta foi curta, pronta e a duas vozes: “Mais ricos!”

João Paulo Narciso com Filipe Mendes, Daniel Cepa e Lusa

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