Somos nós os principais responsáveis pela calamidade que coloca em causa o nosso futuro

Alguns de nós chegámos aqui há pouco tempo. Não me refiro à Assembleia da República, ao Governo ou à nova Comissão Europeia. Refiro-me aos seres humanos nesta pequena rocha hidratada rodeada de gases, a que chamamos Terra.

Quando chegámos já o planeta tinha ultrapassado várias crises globais de consequências catastróficas para os seus habitantes, que o digam os dinossauros. Mas agora somos nós os principais responsáveis pela calamidade que coloca em causa, não a continuidade da Vida, mas o nosso futuro enquanto espécie.

Dependemos completamente das condições muito especiais, e também muito frágeis existentes neste bocadinho de Universo. Não somos o pináculo da criação, somos parte de uma intricada e delicada rede de ciclos bio-geo-químicos a que chamamos Sistema Terra.

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Se durante muitos anos as teorias negacionistas das alterações climáticas conseguiram impor-se junto dos decisores políticos e até na opinião pública, hoje a realidade é outra. O combate às alterações climáticas será o primeiro ponto da ordem de trabalhos do próximo Conselho Europeu.

A Comissão presidida por Ursula Von der Leyen defende como prioritário um PACTO ECOLÓGICO EUROPEU, o GREEN DEAL, com o objetivo de reduzir em 55% as emissões de gases com efeito de estufa até 2030 e atingir a neutralidade carbónica da EU em 2050. Mas mobilizar o conhecimento científico não basta. Um comprimido pode fazer baixar a febre, mas não cura a doença.

O consenso científico aponta o caminho: a causa da emergência climática está no sistema de extração, produção e consumo vigentes. Uma produção viciada em combustíveis fósseis, agressivamente extrativista, que enterra toneladas de recursos naturais ao mesmo tempo que destrói rios e florestas, mas também povos e culturas. Uma lógica de consumo linear insustentável num planeta finito.

O sistema económico global que levou milhões de jovens para a rua é o mesmo que especula com o preço dos recursos naturais, que se alimenta da precaridade dos seus “colaboradores”, que está disposto a pagar para poluir o ar que tod@s respiramos.

Mais de 500 000 pessoas na rua em Madrid demonstram que a mudança necessária está a ser liderada pelos movimentos sociais, pelas ONG’s, pelos povos originários, perante a exiguidade da ação política e falta de ambição operacional dos Governos. É um gigantesco grito global dos jovens pelo seu futuro a que não podemos ser surdos.

Precisamos de medidas concretas, por exemplo: Cancelamento dos benefícios fiscais sobre o carvão e outros combustíveis fósseis, tanto na produção de energia, como na aviação; Colocação de painéis solares em edifícios públicos e prédios de habitação, numa lógica de produção solar descentralizada, baseada no auto-consumo partilhado; Fim do fabrico de automóveis a gasolina e gasóleo na EU; Transportes públicos eficazes e acessíveis, com a expansão do metro, aumento da oferta de autocarros, ambos ligados à ferrovia; Abolição do uso de plástico único e das duplas embalagens; Fim dos apoios às explorações agroflorestais e pecuárias intensivas e super intensivas; Proteção dos trabalhadores afetados diretamente pela transição energética e industrial.

Só mediante a implementação de mecanismos efetivos de ação, acompanhados de processos de monitorização e avaliação, abertos à participação da cidadania ambiental global, poderemos durante mais algum tempo chamar casa a este maravilhoso planeta.

Fabíola CardosoDeputada do BE eleita por Santarém

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