O parque de ciência e tecnologia de Abrantes, Tagusvalley, reviu os procedimentos de admissão de empresas após o caso da Polyfarchemi, acusada de esconder um laboratório de droga nas suas instalações, anunciou o presidente da Câmara.
“Durante o período em que a empresa esteve instalada na Tagusvalley não existiram indícios ou circunstâncias que permitissem suspeitar da existência das atividades ilícitas agora descritas na acusação do Ministério Público”, refere um esclarecimento do diretor executivo da Tagusvalley, Pedro Saraiva, lido esta terça-feira, 23 de junho, por Manuel Jorge Valamatos na reunião do executivo municipal de Abrantes.
O documento foi elaborado na sequência de um pedido de esclarecimento da direção da Tagusvalley, presidida por Manuel Jorge Valamatos, após a divulgação da acusação do Ministério Público relacionada com a operação “Erva Daninha”.
Segundo a acusação, a Polyfarchemi fazia parte de uma alegada rede criminosa internacional ligada ao tráfico de droga e ao branqueamento de capitais, tendo utilizado instalações no Tagusvalley para montar um laboratório industrial destinado à produção de anfetaminas e transformação de cocaína.
A operação “Erva Daninha”, conduzida pela Polícia Judiciária e dirigida pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), investigou uma alegada organização criminosa internacional que, segundo o Ministério Público, utilizava empresas do setor farmacêutico e da canábis medicinal para encobrir atividades de tráfico de droga.
Segundo o esclarecimento apresentado, a Polyfarchemi instalou-se na Tagusvalley em setembro de 2022, apresentando um projeto industrial na área da produção de polímeros destinados aos setores aeronáutico e aeroespacial, atividade considerada compatível com a missão do parque de ciência e tecnologia.
A Polyfarchemi foi admitida através dos procedimentos normais de acolhimento empresarial e ficou instalada num dos edifícios destinados à aceleração de empresas.
Em agosto de 2023, as autoridades realizaram diligências nas instalações ocupadas pela empresa, tendo a Tagusvalley colaborado com os esclarecimentos solicitados e seguido as orientações transmitidas no âmbito da investigação.
“Importa referir que apenas com a divulgação pública da acusação foi possível conhecer a dimensão e o enquadramento global dos factos investigados”, refere ainda o texto.
No esclarecimento lido pelo autarca, a direção da Tagusvalley sustenta que o caso não correspondia a uma situação “simples, evidente ou facilmente detetável” por uma entidade de acolhimento empresarial.
“Segundo a informação tornada pública, estamos perante uma alegada rede criminosa internacional dotada de elevados recursos financeiros, capacidade logística, sofisticação operacional e uma estrutura construída precisamente para aparentar legalidade e ocultar a verdadeira natureza das suas atividades”, lê-se no documento.
A direção acrescenta que a acusação descreve a utilização de empresas, documentação, certificações e operações internacionais que permitiram à organização desenvolver atividade durante vários anos e em vários países.
“A informação tornada pública não aponta qualquer responsabilidade à Tagusvalley nem ao município de Abrantes”, refere ainda o esclarecimento.
Ainda assim, a associação decidiu alterar os procedimentos de acesso aos espaços de aceleração empresarial.
“Por esse motivo, a Tagusvalley procedeu à revisão do modelo de admissão de empresas aos espaços de aceleração empresarial, passando a adotar mecanismos concursais para a atribuição desses espaços e reforçando os procedimentos de avaliação dos projetos candidatos”, concluiu.
