O Teatro Sá da Bandeira, em Santarém, recebe em Janeiro uma programação marcada por criações contemporâneas que cruzam cinema e teatro, com destaque para a presença da atriz Sara Carinhas no documentário Estava Escuro na Barriga do Lobo, a estreia da peça Lilith e a exibição do filme Justa, de Teresa Villaverde, abordando temas como memória, identidade, insubmissão e luto coletivo.
Na noite de quarta-feira, 21 de Janeiro, a partir das 21h30, a visita da atriz Sara Carinhas, artista que inspirou e protagoniza o documentário ‘Estava Escuro na Barriga do Lobo’, realizado por Joana Botelho.
O filme foi concebido a partir de uma criação teatral de Sara Carinhas, que protagoniza um documentário onde se acompanha o seu percurso com todas as suas dúvidas e inquietações ao longo do processo que antecedeu a estreia da peça a ‘Última Memória’, apresentada no palco do Teatro São Luiz, em Lisboa, em Março de 2023.
Durante 60 minutos, o documentário de Joana Botelho, lançado em 2025, rejeita ser um “making of” da peça de teatro, e propõe antes uma incursão pelo trabalho da encenadora e atriz, revelando como foi a construção do espetáculo antes da estreia ao público.
Na sessão especial que Santarém vai poder assistir, a realizadora e a encenadora “jogam ao encontro entre a tela e o corpo ao vivo da atriz, numa dramaturgia que faz co-habitar o filme com curtas cenas do espetáculo, que o público comum do filme não vê”, segundo indica a sinopse que acompanha a sessão.
Na noite de 28 de Janeiro, pelas 21h30, o Teatro Sá da Bandeira recebe o drama realizado por Teresa Vilaverde, ‘Justa’, uma coprodução entre Portugal e França apresentada durante 2025.
O enredo situa-se em Portugal, em 2017, quando grandes incêndios destruíram floresta, mataram crianças e adultos, tanto nas suas aldeias como encurralados numa estrada rodeada por chamas intensas. A ação do filme acontece, no entanto, mais tarde, seguindo um pequeno núcleo de pessoas que perderam familiares mais próximos, e que agora estão no processo de aprender a viver depois de tudo o que viram desaparecer.
O filme teve a sua estreia mundial em Outubro, no Festival do Rio de Janeiro, onde foi prestada homenagem à atriz Betty Faria que interpreta um dos papéis principais.
‘Justa’ é uma ficção que parte da catástrofe dos incêndios de 2017, e que lembra como tantas experiências na vida não são partilháveis, nem entendíveis por quem não passou por elas.
O mês de janeiro encerra com a estreia de ‘Lilith’, no dia 30 de Janeiro, às 21h30, uma coprodução que revisita o mito da primeira mulher — apagada da narrativa bíblica, mas preservada na tradição judaica — para o confrontar com a realidade contemporânea.
Nesta criação teatral, ‘Lilith’, figura associada à rebeldia, à punição e à transgressão, renasce no corpo e na voz de uma mulher comum, invisível entre tantas outras que habitam os apartamentos das cidades modernas. Expulsa do “paraíso” todos os dias, enfrenta o custo da sua insubmissão: a recusa em aceitar normas, expectativas e hierarquias que a diminuem.
Em palco, dois homens e duas mulheres partilham um território reconhecível, movendo-se entre forças opostas: a imposição de papéis sociais, morais e afetivos ditados de fora e a urgência de expressar a sua verdadeira natureza interior.
O espetáculo propõe uma reflexão urgente sobre género, poder, identidade e liberdade, cruzando mito e quotidiano num mesmo espaço de questionamento.
Bilhetes: 5€ (preço único).


