Foto ilustrativa

O movimento proTEJO celebra no sábado o Dia Mundial da Migração dos Peixes com a oitava edição do “Vogar contra a indiferença”, numa descida de canoa das Caneiras até Valada.

A ação previa a realização de uma “concentração ibérica de cidadãos”, intitulada “Por Um Tejo Livre”, contra a construção de açudes e barragens que visam reter água para consumo na agricultura intensiva, mas o evento foi cancelado devido à declaração do estado de calamidade, face ao crescimento de casos da doença covid-19.

O “8.º Vogar contra a indiferença” far-se-á, assim, na manhã de sábado, a partir da aldeia avieira de Caneiras, no concelho e distrito de Santarém, num percurso fluvial em canoa, que contará com a participação de 36 pessoas, duas delas da Rede de Cidadania por uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo e seus afluentes, de Espanha.

Paulo Constantino, do PROTEJO – Movimento pelo Tejo, disse à Lusa que a organização optou por fazer apenas a descida, para evitar aglomerações, tendo cancelado a concentração e os contactos com a população que estavam agendados para o período da tarde na praia fluvial de Valada (Cartaxo).

As 18 canoas vão fazer um percurso numa “experiência de comunhão com a beleza do património natural de um rio Tejo livre, com dinâmica fluvial, e do património cultural do rio Tejo, associado à pesca tradicional”, em especial nas aldeias de Palhota, no concelho do Cartaxo, e das Caneiras, descreve uma nota do movimento.

Para o proTEJO, o património natural e cultural do Tejo deve ser defendido, o que implica a “rejeição dos projectos de construção de novos açudes e barragens – Projecto Tejo e Projecto de Barragem no rio Ocreza –“ e a “exigência de uma regulamentação daqueles que já existem”.

O objectivo, afirma, é “garantir um regime fluvial adequado à prática de actividades náuticas e à migração e reprodução das espécies piscícolas; um estabelecimento de verdadeiros caudais ecológicos; e uma continuidade fluvial proporcionada por eficazes passagens para peixes e pequenas embarcações”.

Paulo Constantino afirmou que o memorando “Por Um Tejo Livre” – sobre a importância de preservação de um rio Tejo livre de açudes e barragens para assegurar os fluxos migratórios das espécies piscícolas, a conservação dos ecossistemas e habitats aquáticos e o usufruto do rio pelas populações ribeirinhas -, que seria apresentado na sessão da tarde, vai ser enviado posteriormente aos grupos parlamentares, à Comissão Parlamentar do Ambiente, e aos ministros do Ambiente e Ação Climática e da Agricultura.

O “8.º Vogar contra a indiferença” conta com o apoio dos municípios do Cartaxo e de Santarém, da União de Freguesias da Cidade de Santarém, da EcoCartaxo, dos Bombeiros Sapadores de Santarém, da Associação dos Amigos das Caneiras, da Rede de Cidadania por Uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo e seus afluentes, da Fundação World Fish Migration Day, sendo o Clube de Canoagem Scalabitano responsável pela descida do rio.

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