Foto José Freitas
Foto José Freitas

Depois de vários anos em que as redes regressavam quase vazias, a lampreia voltou este ano a subir o Tejo entre Barquinha e Mação, devolvendo alento a pescadores e restaurantes, embora a prudência permaneça quanto à recuperação da espécie.

Nas margens do rio, entre Tancos, Tramagal, Pego e Ortiga, localidades dos concelhos de Vila Nova da Barquinha, Abrantes e Mação, a recuperação nota-se nas conversas entre pescadores, nos pedidos feitos aos restaurantes e no movimento noturno das embarcações, que regressaram à faina depois de anos descritos como “miseráveis”.

“Se calhar, nos últimos dez anos, foi o melhor ano que tivemos aqui”, resumiu à Lusa Francisco Pinto, pescador profissional de Ortiga, em Mação, e coproprietário do restaurante Lena da Barragem, junto à praia fluvial.

O pescador, com décadas de rio, recordou que no ano passado apanhou apenas seis lampreias durante toda a época. Este ano, entre fevereiro e o início de abril, já capturou entre 60 e 70 exemplares.

“Não é fartura como nos anos 80 e 90, mas apanha-se uma, duas, três por noite. Está muito melhor mesmo”, afirmou.

As lampreias surgem também maiores, com muitos exemplares acima de 1,8 quilogramas e alguns a chegar aos dois quilos.

A melhoria é atribuída, em parte, às cheias deste inverno, que, apesar dos prejuízos causados em várias zonas do país, aumentaram o caudal do Tejo e facilitaram a subida da espécie para a desova.

“Nos anos em que há chuva e cheias, regra geral são anos muito bons. A lampreia tem de apanhar água doce para subir o rio”, explicou Francisco Pinto.

Também Rui Ferreira, pescador profissional de Tancos, no concelho de Vila Nova da Barquinha, confirmou a diferença face aos últimos anos.

“O ano passado foi terrível. Este ano já está melhorzinho, já apanhei bem mais de 50”, contou à Lusa, acrescentando que a melhor noite rendeu cinco lampreias, embora a média continue a ser de uma ou duas por saída.

A pesca decorre exclusivamente durante a noite, com redes, entre as 20h00 e a meia-noite, aproveitando o movimento ascendente do peixe.

Mais abaixo, na zona da Barreiras do Tejo, Tiago Barrigas, pescador auxiliar, fala numa recuperação ainda tímida, mas significativa.

“Antigamente, em anos bons, vinte ou trinta eram uma noite. Este ano, até agora, foram vinte ou trinta na época toda, mas já não nos podemos queixar porque nos últimos anos não houve nada”, disse.

Se no início da época algumas lampreias chegaram a ultrapassar os 100 euros por quilo, atualmente a unidade é vendida entre 70 e 75 euros, dependendo do tamanho.

Nos restaurantes, a tradição mantém-se, mas a procura revela sinais de retração.

No restaurante A Túlipa, no Pego, Abrantes, a lampreia continua a ser servida por reserva, mas o movimento está abaixo do habitual.

“A lampreia há, não com fartura, mas arranja-se. A procura é que tem sido pouca, porque ainda está cara”, disse à Lusa o proprietário, António Larguinho.

No espaço, a dose custa 45 euros, com cinco postas, enquanto no Lena da Barragem o prato é servido a 60 euros, com seis postas.

Segundo os proprietários, o contexto económico e a incerteza internacional estão a pesar nas decisões dos clientes.

“Nota-se um certo recolhimento financeiro por causa da crise e do que se passa no mundo”, afirmou António Larguinho.

Apesar disso, a clientela habitual mantém-se fiel.

“Quem gosta, vem na mesma. Tenho clientes que já vieram este ano três e quatro vezes”, contou Francisco Pinto.

Ainda assim, e com a época de pesca a decorrer até 30 de abril, os pescadores e empresários mantêm prudência, apontando o próximo ano como “fiel da balança”.

Depois de anos marcados pela escassez, que investigadores associaram à destruição de habitats, barragens, poluição e falta de caudais ecológicos, para os pescadores a recuperação só poderá ser confirmada nos próximos ciclos reprodutivos.

“Para o ano é que vamos tirar a prova dos nove”, salientou Francisco Pinto.

Leia também...

Feira Nacional de Agricultura destaca biosoluções como motor de inovação sustentável

A Feira Nacional de Agricultura / Feira do Ribatejo regressa ao Centro Nacional de Exposições, em Santarém, entre os dias 7 e 15 de…

Espectáculo de rua Sómente em Tomar no âmbito do 2º Manobras – Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas

Tomar vai receber, no próximo sábado, no âmbito do 2º Manobras – Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas,  um espectáculo que promete deslumbrar…

Festas de Benfica do Ribatejo estão de regresso entre os dias 15 e 17 de Julho

As tradicionais festas populares da Freguesia de Benfica do Ribatejo estão de regresso entre os dias 15 e 17 de Julho, após dois anos…

Centro Histórico de Santarém com música, animação e lojas abertas até às 23 horas à quinta-feira em Julho e Agosto

No dia 12, quinta feira, houve mais “In.Downtown” no Centro Histórico até às 23 horas com muita animação em vários espaços em paralelo. Célia…