Sem que nada o fizesse supor, o Partido Chega, de André Ventura, contratou a ex-deputada Cristina Rodrigues, eleita em 2019 nas listas do PAN, como assessora jurídica do grupo parlamentar do partido.

Naturalmente, nada temos a ver com as contratações que qualquer partido decida fazer, no entanto, dada a circunstância de o Chega haver assumido no seu programa eleitoral a defesa da tauromaquia em Portugal, o que, decerto, terá contribuído expressivamente para a sua subida de votos, e Cristina Rodrigues ter assumido uma contestação efectiva à tauromaquia, ao ponto de marcar presença na manifestação que ocorreu nas imediações do Campo Pequeno no dia em que João Moura ali actuou, não pode passar em claro.

Pedro Pinto, antigo forcado, crítico tauromáquico, empresário e apoderado, que é o líder parlamentar do Chega, minimizou a polémica afirmando que a antiga deputada do PAN “é apenas e só assessora jurídica, vai trabalhar directamente com Rodrigo Alves Taxa, que já era assessor jurídico do Chega na Assembleia da República, e que, como sabem, é um grande aficionado. (…)

“Não há perigo nenhum para a Tauromaquia, fiquem tranquilos, o Chega apoia a Tauromaquia. Ainda anteontem o André Ventura disse ao “Farpas” que este ano irá assistir a algumas corridas precisamente para manifestar o seu apoio, e a entrada de Cristina Rodrigues para o gabinete jurídico de assessoria parlamentar não constitui nenhuma ameaça à Tauromaquia”.

Mau grado esta justificação, os danos colaterais não tardaram. Maria Manuel Romão Tavares, conhecida aficionada que foi candidata do Chega à presidência da Câmara de Alter do Chão nas últimas eleições autárquicas, considerou nas redes sociais que a “aquisição” da ex-deputada do PAN foi uma desilusão e já pediu a sua demissão do cargo de vice-presidente da Distrital de Portalegre, alegando que “A minha dignidade está acima de tudo (…) quando uma casa começa a ser mal frequentada, eu deixo de lá entrar…”.

Na mesma ocasião, Maria Manuel Romão Tavares acrescentou que “Não posso aceitar alguém dentro do meu partido que tem ideias completamente antagónicas às minhas. Eu não abdico dos meus valores e dos meus princípios e há linhas vermelhas que não se podem ultrapassar (…) Tenho a certeza que, infelizmente, hoje o Chega perdeu grande parte do seu eleitorado, mas se os dirigentes acham que a decisão foi acertada, devem continuar nesta linha de pensamento, eu, como discordo, retiro-me”.

Aguardemos as cenas dos próximos capítulos… poderei compreender as justificações de Pedro Pinto, mas não me parece que houvesse necessidade de dar este passo.

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