O antigo Palácio de Alvaiázere, que o Estado transferiu para a Câmara de Tomar, vai ser requalificado para instalar uma Loja do Cidadão, indicou hoje o presidente do município, Hugo Cristóvão.
Contactado pela Lusa, o autarca disse que a cedência do imóvel “era algo que o município vinha reivindicando há algum tempo”, com o objetivo de “tentar dar utilidade a um património que, sendo do Estado, estava devoluto […] há várias décadas”.
“No Palácio de Alvaiázare, ou o que sobra dele, o que entendemos é desenvolver um projeto, algo que está ainda numa fase inicial, porque também não queríamos avançar muito sem ter a certeza que teríamos a possibilidade de gerir o imóvel. Mas, agora que temos essa garantia, estamos a desenvolver o projeto para ali instalar uma Loja do Cidadão”, declarou o autarca.
Para Hugo Cristóvão, requalificar é “no fundo, o primeiro objetivo”, porque o município não quer “ficar com os imóveis apenas porque sim”, mas para lhes dar utilidade.
O Governo transferiu no final de fevereiro a gestão de 22 imóveis sem utilização ou devolutos para 12 municípios, para reforçar os serviços públicos e setores artísticos, culturais e turísticos, e criar instalações educativas e de saúde.
O acordo envolveu os municípios de Albufeira, Alfândega da Fé, Alvaiázere, Arcos de Valdevez, Coimbra, Coruche, Guarda, Manteigas, Montalegre, Penedono, Portimão e Tomar.
Em Tomar, no distrito de Santarém, parte do outrora conhecido Palácio de Alvaiázere, localizado no centro da cidade, será reabilitado com vista à instalação de uma Loja do Cidadão, reunindo num só local balcões de entidades públicas e privadas.
“Aquilo que contamos é, ao longo deste ano 2025, poder desenvolver o projeto e, simultaneamente, tentar encontrar para ele o financiamento necessário. Sendo certo que, para já, ainda é um pouco cedo para ter uma perspetiva de valores que possam estar em causa”, declarou o autarca, antevendo apenas que, “pela área do edifício, estará sempre em causa qualquer coisa como um milhão de euros, ou até talvez um pouco mais, para realizar a obra”.
Questionado se o município manifestou interesse em outros imóveis do Estado, Hugo Cristóvão apontou três, incluídos na listagem do património do Estado, um dos quais envolvendo uma contrapartida financeira que afirmou não estar disponível para assumir.
“Temos interesse num edifício que está à entrada da cidade, uma pequena casa de função que está junto ao padrão e à capela de São Lourenço, uma habitação que, ao longo de muitas décadas, não teve intervenção e está ali junto ao passadiço que acabámos de criar e que, no fundo, será a ligação com toda a entrada sul da cidade”, declarou.
Por outro lado, indicou, o município colocou também nessa lista um terreno na freguesia de Asseiceira, que é do Estado, e onde a autarquia gostaria de desenvolver “um projeto para a prática do desporto motorizado”.
O autarca apontou ainda o interesse do município num outro imóvel devoluto, mas cujo processo é “mais “complexo” de resolver.
“Temos a questão das ruínas do antigo quartel, ou o primeiro quartel do Regimento de Infantaria 15, ali junto ao Convento de São Francisco, embora aí, sendo antigo património militar, o processo é muito mais complexo porque envolve ainda o Ministério da Defesa, ou, para ser mais exato, o Instituto Social das Forças Armadas, que dá parecer obrigatório e que tem sempre uma perspetiva de realizar verba”, notou.
“Os últimos valores que nos colocaram foram de 3,4 milhões de euros para adquirir essas ruínas e nós, obviamente, para isso não estamos disponíveis. Quer dizer, 3,4 milhões de euros não queríamos gastar sequer na obra lá a fazer, quanto mais na mera aquisição dessas ruínas”, declarou.