Foto de arquivo
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A Câmara de Tomar vai receber 200 mil euros do Fundo Ambiental para desassoreamento do troço urbano do rio Nabão e limpeza a montante e jusante da cidade, disse hoje o presidente do município à agência Lusa.

O apoio faz parte dos cerca de 4,2 milhões de euros (ME) adicionais mobilizados pelo Governo para recuperar territórios afetados pelas intempéries de janeiro e fevereiro, dos quais quase 3,2 ME se destinam a intervenções em linhas de água, zonas costeiras, encostas e outros recursos hídricos de 23 municípios, e um milhão a dragagens na foz do Mondego.

“Dessa verba, ao município de Tomar, vão chegar 200 mil euros que serão canalizados para esses trabalhos no rio Nabão, nomeadamente o desassoreamento na área urbana e a limpeza a montante e jusante da cidade”, afirmou Tiago Carrão (PSD).

Segundo o autarca, “com o próximo inverno à porta, a reparação dos danos causados pelas intempéries continua a ser uma prioridade”, estando em curso “diversos procedimentos de reparação e manutenção na via pública e equipamentos municipais”.

As intervenções no Nabão estiveram entre as prioridades apresentadas pela Câmara numa sessão de trabalho realizada em agosto, em Tomar, com o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), José Pimenta Machado.

Além da limpeza e desassoreamento do rio, foram analisadas intervenções nas comportas dos açudes da cidade e na requalificação das margens, assim como obras no açude do Sobreirinho e no açude e vala da ribeira da Sabacheira.

Tiago Carrão salientou, contudo, que, a par da reparação dos estragos provocados pelas intempéries, permanecem problemas “estruturais” no concelho, alguns “com vários anos”.

Entre estes identificou “a poluição no rio Nabão, as perdas na rede de abastecimento de água do subsistema de Mendacha” e a inclusão no Plano de Gestão dos Riscos de Inundações (PGRI) “das novas cotas de cheia”, medida que, segundo afirmou, permitirá “desbloquear um conjunto de investimentos privados e municipais”.

“Para os resolvermos, além do financiamento, precisamos de ter todas as entidades a puxar na mesma direção. A visita do presidente da APA (…) foi oportunidade de partilhar estes desafios e traçar estratégias para a resolução”, afirmou.

A qualidade da água do Nabão foi igualmente abordada, tendo o município e a empresa intermunicipal Tejo Ambiente defendido uma intervenção à escala da bacia hidrográfica que atue sobre as origens da degradação e envolva as entidades com competências de licenciamento e fiscalização.

A situação da albufeira de Castelo do Bode foi outro dos temas abordados, tendo a Câmara pedido à APA um reforço da fiscalização.

“Este foi um dos temas abordados, nomeadamente a necessidade de fiscalização, porque há aqui matérias que são de competência da APA e, portanto, lançámos esse desafio”, disse Carrão.

O presidente da Câmara apontou o verão de 2027 como uma oportunidade para realizar “ações de fiscalização mais assertivas”, aproveitando a descida prevista do nível da albufeira devido aos trabalhos de manutenção na barragem.

“Vai baixar o nível da Albufeira de Castelo do Bode pela necessidade da intervenção de manutenção na barragem. Isso vai fazer o nível de água baixar ali perto de 15 metros”, afirmou, referindo-se aos trabalhos previstos para 2027.

Na sessão de trabalho com a APA foram ainda abordados o Programa Especial da Albufeira de Castelo do Bode (PEACB), as praias fluviais e os acessos à água para embarcações, assim como a intenção municipal de criar mais ecocentros e a eventual participação de Tomar no Plano Nacional de Restauro da Natureza.

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