Foto de arquivo
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Os trabalhadores da Nobre Alimentação cumprem hoje a 18.ª greve e admitem manifestar-se em Espanha, durante o comité das sucursais europeias do grupo, se os administradores da empresa de Rio Maior não aceitarem negociar o caderno reivindicativo.

Sem números números definitivos sobre a adesão à 18.ª paralisação, o dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos (SINTAB) considerou hoje “haver mais trabalhadores concentrados em frente à empresa” face às últimas greves em que a adesão foi superior a 60%.

“Estamos a tentar organizar outras formas de luta, para não ser igual aos anos anteriores, uma greve por mês”, disse hoje, adiantando que os trabalhadores da empresa Nobre planeiam uma manifestação em Espanha.

“A empresa faz um comité onde reúne os representantes das fábricas dos vários países e estamos a ponderar organizar uma manifestação à porta do comité este ano, em maio”, afirmou o sindicalista.

O endurecimento da luta dos trabalhadores da Nobre Alimentação, em Rio Maior, no distrito de Santarém, resulta da falta de “qualquer resposta da empresa ao caderno reivindicativo” que começou a ser negociado em fevereiro de 2023 e que à realização de greves quase todos os meses.

“Na última reunião, o mês passado, a administração informou que não está disponível para negociar nada este ano”, disse Diogo Lopes, explicando que, além da manifestação em Espanha, pretendem entregar na Assembleia Municipal de Rio Maior uma moção aprovada hoje pelos trabalhadores concentrados em frente à fábrica e que agendaram nova greve para o dia 11 de abril.

Na moção, os trabalhadores acusam a Nobre de manter “a precariedade dos vínculos laborais”, bem como de não ter apresentado uma contraproposta ao caderno reivindicativo, optando por “afrontar o seu direito de organização sindical, fazendo propostas avulsas, insuficientes, diretamente aos trabalhadores, que estes rejeitaram de forma generalizada”.

No documento, a que a Lusa teve acesso, os trabalhadores exigem um aumento salarial de 150 euros, um subsídio de alimentação não inferior a 8,5 euros por dia e 25 dias úteis de férias.

Exigem também a semana de trabalho de 35 horas, folga do trabalhador no dia do aniversário, a aplicação integral do Contrato Coletivo do setor, como o direito às diuturnidades e a correta atribuição das categorias profissionais, bem como a negociação de um Acordo de Empresa em que constem todos estes direitos.

Os trabalhadores exigem ainda a “reposição da legalidade nas questões de organização sindical”, já que, segundo o SINTAB, a empresa está a “negar o direito a crédito de horas às delegadas sindicais”, quer deste sindicato quer da União dos Sindicatos de Santarém.

No documento exigem dos acionistas, “uma posição pública e demonstração de responsabilidades sobre a discriminação a que os trabalhadores em Portugal estão sujeitos, ganhando considerável e inexplicavelmente menos do que aqueles que, noutros países, produzem de forma igual”.

Em junho de 2023, os trabalhadores europeus do grupo mexicano Sigma, que detém a Nobre Alimentação, em Portugal, manifestaram “repúdio e indignação” pela postura da administração da empresa instalada em Rio Maior, declarando-se solidários com as reivindicações dos trabalhadores portugueses.

A posição foi expressa numa moção aprovada em Madrid, na qual os trabalhadores das empresas do grupo situadas na Europa se declararam “profundamente preocupados” com a postura da administração da Nobre, salientando que a Sigma, “líder mundial em produtos alimentares”, tem “um compromisso com a justiça e a valorização dos seus trabalhadores em todas as suas operações”.

A Lusa questionou a Nobre Alimentação sobre os números da adesão à greve de hoje, mas ainda não obteve esclarecimentos.

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