Desde pequena que sonha em trabalhar com crianças e ter uma clínica só sua. Esse sonho tornou-se uma realidade há quatro anos, altura em que Maria Fronteira decidiu abrir o Centro Infantil Pequenos Heróis, na Rua do Colégio Militar, em Santarém. Desde então, que o Centro Infantil tem recebido e ajudado várias crianças a ultrapassar as suas dificuldades através de diversas valências, como a terapia da fala, a osteopatia e a amamentação. 

Ao Correio do Ribatejo, a Terapeuta da Fala Miofuncional e Directora Técnica da Clínica faz um balanço dos primeiros quatro anos de existência do Centro e revela como este sonho tem ajudado as crianças da região. 

O Centro celebrou recentemente o seu 4.º aniversário. Qual foi o objectivo e missão em fundar este espaço?

Quando terminei o curso sempre tive o objectivo de poder ter uma clínica minha, um espaço onde pudéssemos reunir uma série de especialidades, tudo ligado ao desenvolvimento infantil. Entretanto o tempo foi passando e isso nunca foi possível e, portanto, fui trabalhando sempre para outras clínicas. Antes da pandemia, decidi sair das clínicas onde estava, para ter um espaço meu. 

Porquê o nome ‘Pequenos Heróis’? Qual é o simbolismo e mensagem que querem transmitir às famílias que vos procuram?

Quando decidi abrir não tinha ideia de nome nenhum, sabia somente que teria de ser dedicado à população infantil. E uma vez que é uma clínica infantil, faria todo o sentido que o nome estivesse relacionado às crianças. É também a forma como eu as vejo. São mesmo heróis. 

Têm como slogan “Aqui podes ser quem tu quiseres, a magia começa em ti”. Como é que transformam uma sessão clínica numa experiência lúdica para a criança?

As pessoas dizem-nos muito que passamos o dia a brincar. Mas a verdade é que nós trabalhamos a brincar, porque quando se trata de crianças tem mesmo de ser assim. Assim que eles entram nas salas de todas as especialidades que nós temos, tentamos chegar até eles através da brincadeira, há todo um objectivo. Nós explicamos muitas vezes isso aos pais. Tem de ser assim para motivá-los, cativá-los porque nem sempre é fácil trabalhar com a população infantil, tem os seus desafios. 

Com uma equipa que engloba áreas como terapia da fala, psicologia, osteopatia e nutrição, como é que garantem que estas áreas comuniquem entre si num plano único para a criança?

Nós temos as habituais reuniões mensais de equipa e sempre que temos casos em comum, as técnicas das diferentes especialidades têm sempre de comunicar entre si. Se tivermos alguma criança que necessite de mais do que uma especialidade é muito fácil a nossa comunicação, porque damo-nos todas muito bem.

Muitas vezes o diagnóstico é um choque para os pais. Qual é o papel do centro no apoio emocional e na capacitação destas famílias?

Os diagnósticos que nós fazemos são diagnósticos terapêuticos e que têm tratamento. Mas também recebemos crianças com diagnósticos clínicos, dados por um médico. Acompanhamos muitos meninos com espectro do autismo e esse acompanhamento consiste em darmos ferramentas e melhorar algumas competências da criança. Mas os pais também sabem que é um diagnóstico que irá sempre acompanhar a criança. Nos diagnósticos que nós fazemos, a criança vem por alguma dificuldade, está aqui um determinado tempo, ultrapassa essa dificuldade e vai-se embora.

Ainda existe um certo estigma em torno das crianças que frequentam sessões de terapia e que afaste as famílias?

Felizmente cada vez menos e ainda bem. Há alguns anos era mais difícil, mas complicado de aceitar. Actualmente já não sinto tanto isso. As pessoas estão mais cientes, mais despertas. As crianças vêm aqui praticamente todas as semanas e os pais já encaram isto de uma outra forma. 

Santarém tem infra-estruturas suficientes para apoiar o desenvolvimento infantil ou sente que centros privados como o vosso acabam por suprir falhas no sistema público?

Existe uma falha nas infra-estruturas públicas. As listas de espera são muito grandes e as crianças estão muito tempo à espera de uma consulta. Temos pessoas que chegam ao Centro que estão há dois anos à espera para irem com os filhos ao hospital e o tempo está a passar, os filhos vão entrar para a escola e acabam por vir à nossa clínica. 

Onde gostaria de ver ‘O Pequenos Heróis’ daqui a quatro anos? Há planos para expansão de valências ou do próprio espaço físico do Centro?

Está nos meus planos a expansão da clínica. É um objectivo a concretizar. Já sentimos a necessidade de ter um espaço maior, com maior número de salas. Fazendo o balanço destes quatro anos temos de dar aqui o salto e abranger outras especialidades, nomeadamente especialidades médicas, mas sempre dentro do desenvolvimento infantil.

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