A Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo alertou para os riscos de quedas e acidentes durante a apanha da azeitona, atividade que provoca anualmente dezenas de ocorrências com necessidade de assistência hospitalar na região.
“Em 2025 foram 129 quedas associadas/codificadas neste âmbito da campanha agrícola”, indicou hoje à agência Lusa fonte da ULS do Médio Tejo.
O alerta surge numa altura em que decorre a campanha de apanha da azeitona, tradicionalmente realizada durante o outono, envolvendo trabalhadores agrícolas e numerosos pequenos proprietários que mantêm a colheita manual ou recorrem a equipamentos mecanizados.
Numa mensagem de sensibilização, a ULS Médio Tejo, que integra os hospitais de Abrantes, Tomar e Torres Novas, advertiu para a ocorrência anual de dezenas de acidentes relacionados com a colheita da azeitona, muitos dos quais exigem atendimento nos serviços de urgência.
A instituição identifica as quedas de árvores e escadas entre os principais riscos da atividade, alertando também para acidentes associados à utilização de equipamentos agrícolas e às condições dos terrenos onde decorrem os trabalhos.
A sinistralidade pode também ocorrer durante o transporte e processamento da azeitona nos lagares, bem como nas operações posteriores de manutenção e poda dos olivais, que envolvem riscos adicionais de traumatismos e ferimentos provocados por objetos cortantes.
As quedas constituem, segundo a ULS Médio Tejo, um problema de saúde pública, sendo o acidente mais notificado nos hospitais portugueses, com cerca de 5% das ocorrências a resultar em fraturas e entre 5% e 11% a provocar outros danos graves.
Perante estes riscos, a instituição recomenda cuidados acrescidos, sobretudo entre as pessoas de idade mais avançada, aconselhando que evitem subir às oliveiras e privilegiem a utilização de equipamentos que permitam realizar a colheita a partir do solo.
“É preferível utilizar o varejador para ripar a oliveira em segurança – deixando os ramos mais altos por colher – do que colocar em risco a sua saúde ou mesmo a vida”, sublinha a ULS Médio Tejo.
Entre as medidas preventivas recomendadas estão a limpeza prévia dos terrenos, eliminando pedras, buracos e ramos soltos, a utilização de calçado antiderrapante e a verificação da estabilidade das escadas e dos pontos de apoio antes da sua utilização.
A instituição aconselha ainda a evitar trabalhos isolados, sobretudo em zonas de difícil acesso, e recomenda pausas regulares, hidratação e utilização de equipamentos de proteção adequados.
O alerta dá continuidade a ações de sensibilização promovidas em anos anteriores, quando o então Centro Hospitalar do Médio Tejo já advertia para dezenas de acidentes anuais associados à campanha da azeitona.
Na altura, a instituição identificava as quedas, os traumatismos graves e os acidentes com maquinaria agrícola entre as situações que motivavam assistência hospitalar, chamando também a atenção para os riscos das operações realizadas nos lagares.
