A “A Tamareira de Débora”, novo livro do investigador António Monteiro, foi apresentado na tarde do passado sábado (29 de Maio) na igreja da Misericórdia, em Santarém.

O ensaio, no dizer do seu autor, “tem como objectivo principal, o estudo de um emblema que se encontra colocado no portal da Igreja da Misericórdia. A figura foi esculpida durante as obras de reconstrução da fachada em consequência da sua destruição pelo terramoto de 1 de Novembro de 1755, tendo-se perdido o seu significado nos séculos seguintes”.

Segundo o autor, o nome do livro, “A tamareira de Débora”, surge como que uma analogia entre as muitas semelhanças da aplicação da imagem da tamareira ao longo dos séculos.

“Ao longo de duzentas e doze páginas, tento descrever a imagem da tamareira como árvore sagrada dentro de uma linha cronológica, iniciada há doze séculos A.C. com a história de Débora (a única mulher juíza de Israel, que atendia o seu povo sentada debaixo de uma tamareira), depois como árvore que acolhe a Sagrada Família em trânsito para o Egipto, e ainda como árvore que serviu como elemento de inspiração na construção da própria Igreja da Misericórdia, até se revelar nos nossos dias, justamente, destacada num emblema da sua fachada”, afirmou ao ‘Correio do Ribatejo’ António Monteiro.

Este livro, cujo estudo incide especialmente entre 1757 e 1767, período de reconstrução da igreja, e que compreende ainda o período mais alargado do reinado de D. José e de D. Maria I, é, segundo o seu autor, “um pequeno contributo para o estudo da história de Santarém na segunda metade do século XVIII, pois o único trabalho profundo e consistente de maior folgo produzido sobre essa época, é o trabalho de Doutoramento da Dr.ª Maria Virgínia Aníbal Coelho, que deu origem a um pequeno opúsculo publicado pela CMS, em 1993, como Caderno Cultural”.

Conforme António Monteiro salientou na entrevista publicada na edição de 28 de Maio deste Jornal, “o livro responde, em parte, a uma série de perguntas que então se faziam e das quais pouco ou nada sabíamos: Quem idealizou o programa decorativo da nova fachada? Quem fez o desenho? Quem mandou reconstruir igreja? Quem foram os mestres pedreiros? Quanto custou a obra? Página a página, capítulo a capítulo, estas questões vão sendo paulatinamente respondidas, dentro de uma rigorosa observância dos factos tendo como base a leitura paleográfica dos documentos existentes no Arquivo Histórico da Misericórdia de Santarém”.

Perante historiadores, amigos e familiares, António Monteiro agradeceu a todos os que tornaram possível a edição da obra, apresentada pelo historiador Vítor Serrão, para quem “A Tamareira de Débora” traz “novos saberes” sobre a história e a arte escalabitana.

Do elogio da obra, Vítor Serrão passou para o elogio do autor, “sempre rigoroso no recurso às fontes primárias e ao escopro analítico com que cruza, com sensibilidade e saber, História, Arte, Iconografia, Iconologia, Emblemática e Simbólica”.

“A pesquisa de António Monteiro clarifica ainda, com farta documentação inédita, o estaleiro das obras da fachada da igreja. Antes de mais, tira do anonimato o nome dos mestres pedreiros Inácio Duarte, António Pereira, Manuel do Couto e António Ferreira, bem como o de João Pereira Malavaca, mestre serralheiro, nomes praticamente esquecidos no tecido micro-artístico provincial entre Barroco e Rococó,” salienta Serrão no prefácio da obra.

Durante a sessão, muito participada, mas respeitando as normas sanitárias em vigor, António Monteiro foi elogiado enquanto homem e investigador pelo provedor da Santa Casa da Misericórdia que apoiou a edição da obra, tendo Hermínio Martinho lhe conferido o pin da instituição, frisando que são poucos os irmãos que o possuem.
Vítor Serrão criticou a humildade com que António Monteiro se apresentou na sessão, sublinhando a grandeza da sua obra e o trabalho de “historiador” que na verdade ele é.

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