Um mês volvido sobre a passagem das depressões que devastaram parte significativa do Centro e Vale do Tejo, os números continuam a impressionar. Em Ferreira do Zêzere, um dos concelhos mais atingidos, cerca de 85% das habitações — aproximadamente 4.000 casas — sofreram danos na sequência da tempestade que assolou o território a 28 de Janeiro. Os prejuízos globais são estimados entre 150 e 200 milhões de euros. Vinte e sete dias depois, 99% das habitações tinham já energia reposta, mas permanecem marcas que não se apagam com o regresso da luz.

É neste contexto que o Correio do Ribatejo lança, em antestreia no seu canal de YouTube, o documentário Registos do que ficou — Ferreira do Zêzere depois da Tempestade Kristin, captado sete dias após a ocorrência e agora divulgado como testemunho de memória colectiva.

O vídeo regressa aos lugares onde o vento arrancou coberturas, derrubou árvores e interrompeu rotinas. Mostra infraestruturas danificadas, paisagens alteradas e o esforço silencioso de quem começou a reconstruir no dia seguinte. Não procura dramatizar. Procura fixar. Porque a memória também é serviço público.

Produzido por Pedro Mourinha, com o apoio de Sylvie Lopes e Francisca Lousada, numa oferta do Estúdio Tipo–Grafia, o documentário contou com o apoio da Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere no mapeamento e visita aos locais apresentados. O foco é um concelho, mas o alcance é regional. As depressões Kristin, Leonardo e Marta provocaram 18 mortos em Portugal, centenas de desalojados e danos significativos nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo.

Ferreira do Zêzere tornou-se símbolo de um território que resistiu. Num concelho com cerca de 8.000 habitantes, persistem ainda constrangimentos nas telecomunicações e milhares de intervenções por concluir. A reconstrução poderá prolongar-se por mais de um ano.

Enquanto jornal com mais de um século de existência, o Correio do Ribatejo assume esta publicação como um acto de memória. Registar é também homenagear. Homenagear quem perdeu, quem reconstrói e quem permanece.

 

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