Um ponto. Foi essa a diferença mínima num resultado que coroou a equipa sub-18 feminina do Santarém Basket Clube, diante do UDR Zona Alta, no passado dia 11 de Janeiro, na Nave Desportiva. Com o troféu na vitrine, segue-se agora o acesso ao Campeonato Nacional, diante do ASC/BVMR Monsaraz, um duelo que promete ser intenso e decisivo. O Correio do Ribatejo acompanhou um treino da equipa, no Pavilhão Desportivo da Escola Secundária Sá da Bandeira, testemunhando a preparação, o ambiente e o sonho das atletas e equipa técnica.
No Pavilhão Desportivo da Escola Secundária Sá da Bandeira, ouve-se o chiar das sapatilhas, o som abafado da bola a bater no chão do piso sintético e os gritos de incentivo e alerta por parte do treinador. É este o ambiente que se vive numa sessão de treinos da equipa sub-18 feminina do Santarém Basket Clube, que no dia 11 de Janeiro conquistou o Campeonato Distrital, após vencer o UDR Zona Alta por 70 – 69, troféu esse que é já uma tradição do clube.
“Elas tiveram uma grande capacidade de aguentar a adversidade de sofrer 14 triplos durante um jogo”, recorda Eládio Gouveia, treinador há mais de 20 anos (não contínuos) no clube, que descreve as emoções sentidas pelas atletas, cujos corações “batiam mais forte”, num jogo vencido por apenas um ponto de diferença e no qual as jovens basquetebolistas se superaram.
“Deparámo-nos com algo que nunca nos tinha acontecido. O UDR Zona Alta deu-nos trabalho, mas nós saímos por cima e foi um momento emocionante sermos campeãs mais uma vez”, descreve Sara Correia, cujo sentimento é partilhado por Inês Leitão que sublinha o “factor casa” e o apoio vindo das bancadas da Nave Desportiva de Santarém como determinantes para alcançar a vitória.
Apesar das emoções e memórias do título conquistado ainda estarem frescas e à flor da pele, o trabalho e a preparação continuam em forma de sprints, dribles e cestos.
“As sessões de treino são variadas e planeadas de acordo com as exigências da época”, refere Eládio Gouveia que aponta, no entanto, o facto de as jogadoras estarem a jogar simultaneamente o Campeonato Sénior da 2.ª Divisão Feminina como o “grande factor de evolução” das atletas.
“Mais do que aquilo que fazemos nos treinos, que são de exigência, de trabalho físico e táctico, de conhecermos os adversários e prepararmos o jogo, o que as tem feito crescer é estarem a disputar duas competições ao mesmo tempo”, vinca.
A exigência e intensidade dos treinos é sentida pelas basquetebolistas, onde cada jogada, passe e marcação são repetidos até atingir a perfeição.
“O Eládio é um treinador muito exigente, no sentido de querer o melhor de nós. Além de às vezes nos dar na cabeça, porque também nos faz falta. Sempre que precisamos, sabemos que temos um amigo onde contar”, revela Sara Correia que recorda a paixão pelo basquetebol, vista primeiro como um “castigo” e depois como “uma certeza para a vida”, após uma convocatória para a Selecção Nacional de Sub-13. Já para Inês Leitão, a modalidade, que se iniciou há 12 anos e dura até hoje, serviu sempre como uma “fuga” a outros desportos.
Para além do grande vigor e profundidade dos treinos, as desportistas ainda têm de conciliar estes com a sua própria rotina e estudos, uma tarefa que nem sempre é fácil.
“Todos os dias tenho de fazer uma hora de viagem para o treino e outra de regresso a casa. Às vezes não é muito fácil quando tenho avaliações, porque tenho de gerir o tempo em que saio da escola, com o tempo em que tenho de estudar e vir para os treinos. Mas vir para os treinos faz bem, desanuvia a cabeça”, conta Sara Correia.
Servindo como uma porta de entrada para a equipa sénior feminina, o escalão sub-18 constitui um lugar de sonhos, possibilidades, mas também de desafios.
“Quando elas [atletas] saem do ensino secundário para irem estudar para a faculdade, fora de Santarém, muitas acabam por abandonar a modalidade e infelizmente isso acontece muito”, comenta Eládio Gouveia que afirma que o clube vai tentando formar equipas seniores com algumas atletas que ficam pela região e outras que vêm estudar para a cidade.
Apesar das incertezas da juventude, Inês e Sara têm uma certeza: a de que o basquetebol vai continuar presente nas suas vidas. Tendo como inspiração jogadoras da Liga Betclic, as duas jovens têm aspirações de pisar os pisos sintéticos da maior competição de basquetebol feminina do país, considerando-as um “sonho alcançável”.
Enquanto o sonho ainda não se torna uma realidade, as basquetebolistas vão levando consigo os valores que a modalidade lhes tem transmitido e que as tem feito evoluir e chegar todos os dias um pouco mais longe.
“Torna-nos pessoas melhores, transmite-nos valores que às vezes no dia a dia não são transmitidos, como o rigor, a resiliência e o trabalho em equipa”, destaca Inês Leitão.
O chiar das sapatilhas, o som da bola a bater no chão e os gritos de Eládio Gouveia, procurando corrigir os erros e as falhas das suas jogadoras, continuam a soar no Pavilhão Desportivo da Escola Secundária Sá da Bandeira. Após a conquista do Campeonato Distrital, seguem-se dois jogos diante do ASC/BVMR Monsaraz, nos próximos dois fins de semana (18 e 25 de Janeiro), que podem garantir uma ida ao Campeonato Nacional de Basquetebol.
Espera-se um duelo difícil e muito disputado, onde todos os detalhes fazem a diferença e cuja crença será necessária possuir – nem que seja através de pequenas superstições, como os fones de Inês e o beijo nos ténis de Sara.
Após a realização desta reportagem, a equipa sub-18 feminina do Santarém Basket Clube venceu o primeiro jogo da fase de acesso ao Campeonato Nacional diante do ASC/BVMR Monsaraz por 60 – 83, no passado dia 18 de Janeiro, no Pavilhão Desportivo de Reguengos de Monsaraz.
Ricardo Santos Pereira




