O grupo de trabalho que organizava na componente executiva o Festival era muito reduzido. Já a isso aludi antes.

Contávamos com as pessoas que trabalhavam na Câmara, como o Alfredo Pinheiro, a Cidalina Silva, e a Suzete Guerra. Eu tinha começado a trabalhar no município em julho daquele ano de 1981, (embora o contrato comigo, só viesse a ser aprovado no inicio de novembro, com efeitos a partir de 22 de outubro, data da véspera do começo do festival).

Esta realidade, impôs a necessidade de participação executiva de alguns dos próprios elemento do denominado Departamento de Cultura, bem como de outras pessoas que se foram associando.

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Com toda a sua experiência de longos anos à frente do Festival Internacional de Folclore, o Octávio Mendes meteu férias para assumiu a pasta do protocolo e, não era tarefa pequena, entre receções diárias no salão nobre do Município; Apresentação dos responsáveis pelas refeições, no final de cada almoço (cozinheiros, proprietários de restaurantes, dignatários) com entrega de lembranças, (nomeadamente a miniatura do Zé das Papas); Apresentação das mesas do seminário de Gastronomia, que decorreu ao longo da semana, foi de facto uma tarefa a tempo inteiro. Foi ainda o Octávio que com a ajuda do Victor Baeta montou uma exposição de artefactos agrícolas, alvo de qualificada apreciação.

O Alfredo Pinheiro, coordenava a receção e o acolhimento do festival, que incluía o Posto de Turismo, já então situado no centro da cidade (Rua Capelo e Ivens), com a D. Maria Joaquina, mulher que falava cinco línguas, possuidora de uma cultura geral absolutamente impressionante e o balcão de atendimento do próprio festival, onde ponderava a Suzete Guerra. Nestes locais se procedia á prestação de informações, entrega de programas, resposta a solicitações de ajuda dos visitantes, venda de ingressos para os almoços, sendo que esta última tarefa, era àquele tempo, um verdadeiro quebra cabeças.

O Manuel Castela, já doente e com a sua Livraria Apolo a cargo, normalmente aparecia sempre que necessário, mas sobretudo fora de horas, intervinha em todos os aspetos, fazendo-nos pensar, tarefa em que era secundado pelo Zeferino Silva e pelo Luís Miguel Rodrigues.

O Joaquim Lavareda Simões, que integrava a Comissão da Feira (departamento de Campinos) foi omnipresente naquelas últimas semanas e fez a ponte necessária com a sua organização.

O Carlos Abreu que também ele meteu férias, tinha sobretudo tarefas institucionais: começava todos os dias com o acolhimento das entidades responsáveis pela programação de cada dia; Se recebíamos visitas governamentais e algumas foram logo no primeiro ano, recebia as pessoas, orientava a visita ao festival, no fundo representava o município e a organização; Todos os fins de tarde eram recebidos/as os municípios / regiões de turismo que apresentariam o almoço do dia seguinte. Era feito o ponto da situação dos ingressos para os almoços que tinham sido vendidos, pois embora todos os dias os ingressos à venda esgotassem, os municípios e as regiões reservavam para si um numero variável de lugares para os seus convidados e era nestas reuniões que se fazia o ponto da situação das confirmações e, quase sempre se disponibilizavam mais alguns bilhetes para por à venda; depois era a componente institucional de reconhecimento da arte de cozinheiras e cozinheiros e o agradecimento às entidades responsáveis pela refeição.

Eu era o chamado “pau para toda a obra”. Tinha a meu cargo a comunicação, o artesanato, as tasquinhas e sobretudo, substituía o Carlos Abreu em tudo o que era preciso. Guardo desse tempo um cartão pessoal que ele mandou fazer e que me intitulava pomposamente “Secretário do Festival”. Esta tarefa, no entanto, tanto podia incluir acertar as contas com os municípios / regiões de turismo após cada dia, após as refeições, como, em situação de emergência, com aconteceu logo de inicio com as grandes enchentes de visitantes, claramente além das nossas melhores expectativas, ajudar a colocar grades de separação, vigiar a práticas de preços nas tasquinhas, sendo importante reconhecer que nos primeiros anos, este não foi um problema.

Mas o pendulo de toda a estrutura organizativa foi o Presidente Botas. Durante as montagens, vinha sempre pela noitinha incentivando, mobilizando, dando força, mas também querendo saber de todas as tarefas em execução. Recordo de o ouvir: – O Nuno, estamos atrasados nas montagens! Temos que avançar mais depressa! Tens que mobilizar melhor os colegas! Vamos! Vamos!…

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