O Bloco de Esquerda (BE) alertou hoje para a necessidade de uma estratégia urgente para resolver as “descargas ilegais nas linhas de água” do Rio Nabão, bem como medidas de ampliação e correcção da rede de drenagem.

“Recomendamos ao Governo a implementação urgente de medidas concretas para a despoluição e para a recuperação ambiental da bacia hidrográfica do Rio Nabão [que atravessa vários concelhos dos distritos de Leiria e Santarém”, disse a deputada bloquista Fabíola Cardoso.

Fabíola Cardoso falava depois de o BE ter-se deslocado às margens do Rio Nabão, em Tomar (Santarém), onde foi realizada uma apresentação pública de uma recomendação ao Governo, entregue na semana passada no parlamento.

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“Isto é um problema muito antigo, as causas estão perfeitamente identificadas e o Bloco de Esquerda vem com esta estratégia pretender comprometer politicamente o Governo com a dotação financeira suficiente para implementar aquilo que já conhecido e que é necessário”, referiu.

De acordo com a deputada, o financiamento deverá servir para “implementar medidas para ampliação e correcção da rede de drenagem” e reforçar a “acção inspectiva” nas unidades industriais da região ligadas à pecuária e à produção de azeite.

“[…] São conhecidas e estão já identificadas como realizando descargas ilegais nas linhas de água. […] Há um problema grave que tem a ver com a junção das redes de águas pluviais e das águas residuais, o que faz que, quando chove muito, a quantidade de efluentes que chega às ETAR’S [estações de tratamento de águas residuais] não consegue ser tratada, o que leva a descargas no rio”, observou.

A deputada eleita pelo distrito de Santarém alertou ainda para a necessidade de “obras de beneficiação” na ETAR’S, nomeadamente na ETAR de Seiça.

“Todas as medidas exigem recursos financeiros, exigem recursos humanos, para que, de uma vez por todas, se resolva o problema de poluição do rio Nabão”, reiterou.

Questionada sobre o montante necessário para resolver a situação, Fabíola Cardoso explicou que não é função do BE avançar com valores, mas que a empresa Tejo Ambiente tem “avançado com montantes na ordem dos 15 milhões de euros”.

“Podem parecer valores altos, mas, se considerarmos que estamos a falar de investimentos que podem ser financiados com recurso a fundos europeus, nomeadamente aos fundos do plano de recuperação e resiliência, talvez esta seja uma janela de oportunidade para resolver este problema”, realçou.

O grupo parlamentar do BE recomendou na sexta-feira ao Governo a implementação de medidas urgentes para a despoluição e recuperação do Rio Nabão.

Em comunicado, o grupo parlamentar do BE disse que entregou na Assembleia da República um projecto de resolução para que o Governo assegure o financiamento, com urgência, da despoluição do Rio Nabão.

No documento, assinado pelos 19 deputados do BE no parlamento, é lembrado que a “poluição do Rio Nabão e seus afluentes persiste há décadas” e que as “descargas ilegais de efluentes provenientes da actividade industrial da região são frequentes e conhecidas por contaminar as linhas de águas locais”.

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