A Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Médio Tejo (CUSPMT) vai promover um abaixo-assinado pela reposição e melhoria das telecomunicações, seis meses após a tempestade Kristin ter deixado infraestruturas danificadas na região, revelou esta segunda-feira, 10 de agosto, a estrutura.
“Não é só por terem passado seis meses sobre a tempestade, é por verificarmos que muito está por fazer e o nosso receio que daqui por seis ou 12 meses ainda haja situações por resolver em termos de comunicações e outros serviços”, à Lusa o porta-voz da CUSPMT, Manuel Soares.
Assim, a estrutura de utentes, com sede em Torres Novas, vai distribuir um documento reivindicativo para chamar a atenção para problemas que persistem em diferentes pontos do Médio Tejo, quer ao nível dos serviços, quer das infraestruturas de telecomunicações.
“Há concelhos onde a situação é mais problemática”, afirmou Manuel Soares, apontando casos em que os serviços ainda não foram restabelecidos e outros em que as infraestruturas permanecem danificadas, afetando a qualidade dos serviços atualmente prestados.
Contudo, a CUSPMT considera que a situação não se resume aos danos provocados pela tempestade no final de janeiro, defendendo a necessidade de uma intervenção mais abrangente nas infraestruturas de telecomunicações de todo o Médio Tejo.
No abaixo-assinado, os promotores afirmam que continuam a existir habitações sem ou com acesso deficiente a telefone, televisão por cabo e Internet, situação que afeta as comunicações, acesso à informação, trabalho, ensino, além de outros serviços indispensáveis ao quotidiano.
No documento é reivindicada a “reposição ou melhoria urgente” dos serviços afetados, “informação clara e transparente” sobre os prazos de resolução, “investimento em infraestruturas mais modernas, resistentes e fiáveis” e uma “melhoria efetiva da qualidade dos serviços” prestados aos consumidores.
Manuel Soares apontou Ourém, Tomar, Torres Novas, Abrantes e Mação como alguns dos concelhos onde foram identificados problemas, sublinhando que a situação é visível para quem percorre as estradas da região.
“Há postes que estão em pé porque se apoiam nos fios, há fios pelo chão, há fios cortados”, descreveu, acrescentando que existem também situações em que postes e cabos caídos condicionam o acesso a caminhos rurais e outras em que postes permanecem em risco de cair para faixas rodoviárias.
Nas zonas urbanas, a CUSPMT identificou igualmente problemas relacionados com os bastidores das redes, incluindo portas abertas e equipamentos deslocados, além da acumulação de centenas de cabos, alguns dos quais, segundo o porta-voz da comissão, poderão não ser utilizados há décadas.
“Há todo um trabalho nas infraestruturas e na melhoria da qualidade dos serviços que é preciso ser feito”, insistiu.
A comissão alerta também para os riscos associados à proximidade entre infraestruturas de telecomunicações e de energia elétrica, considerando que a persistência das situações identificadas pode afetar a segurança e a continuidade de serviços essenciais.
“Se esta situação não for resolvida, podemos não ter energia elétrica, não ter telecomunicações, que fazem parte hoje do dia-a-dia das pessoas e são serviços públicos essenciais”, reiterou.
A CUSPMT indicou ter recolhido material fotográfico sobre situações identificadas, numa tentativa de pressionar para que sejam resolvidos e evitar que se mantenham ou voltem a ocorrer em futuras situações meteorológicas adversas.
No abaixo-assinado é referido que a ocorrência da tempestade demonstrou a “fragilidade das infraestruturas” e que essa vulnerabilidade pode continuar a comprometer a fiabilidade das comunicações.
O abaixo-assinado estará disponível para consulta e assinatura em 300 locais dos 11 concelhos do Médio Tejo até ao final do mês e será depois enviado ao Ministério das Infraestruturas, com conhecimento à Assembleia da República, às autarquias, à ANACOM e a outras entidades relacionadas com o setor.
