O Vitória Clube de Santarém comemorou, no último dia 11 de Agosto, 27 anos desde que o seu nome se pôde escutar pela primeira vez, em 1995, nas ruas do pequeno bairro do Alto do Bexiga, quando começou a ser sonhado e projectado por um grupo de crianças escalabitanas.

Na altura, estes jovens decidiram proceder ao registo estatístico de todos os jogos que promoviam com os rivais da rua abaixo e demais adversários, em torneios escolares e regionais, desenvolvendo um sentimento de paixão e de mística por um clube virtual, que, dez anos mais tarde, em 2005, finalmente reuniu condições para se apresentar oficialmente ao concelho de Santarém.

Num clube cuja modalidade-rainha é o futsal, a oferta desportiva alarga-se já a diversas modalidades, afigurando-se incrível verificar que a genuína ambição juvenil que o originou foi crescendo sustentada e exponencialmente, atingindo patamares impensáveis.

Hoje, o imberbe sonho vitoriano deu lugar a uma colossal realidade, com o clube a poder orgulhar-se de ocupar uma posição de relevo enquanto escola de formação de crianças e jovens, com o devido reconhecimento a nível nacional e até internacional.

O presidente e sócio n.º 1, António Pardelhas, é a figura que encabeça este projecto, tendo sido recentemente eleito por mais dois anos.

Inicia agora mais um mandato na presidência do clube. O que o motiva a continuar e qual o balanço do trabalho realizado?

Abordo este novo mandato com a mesma vontade e disponibilidade com que iniciei o primeiro. Quem, como eu, anda no associativismo por amor e paixão sabe perfeitamente que este se torna um vício saudável: mesmo que queiramos sair, a dependência é maior do que a vontade.

Hoje, temos a fortuna de contar com um conjunto de jovens directores vitorianos que, eles sim, representam os alicerces que sustentam este pequeno grande clube. É o entusiasmo dessa juventude que me motiva para continuar a consolidar esse sonho de meninos.

O balanço que faço não podia ser mais positivo, não só pelos resultados desportivos alcançados, mas sobretudo pela admiração e respeito que o Vitória conquistou na área desportiva e social, tanto a nível distrital como nacional.

A quem dedicaria a cerca de meia centena de títulos oficiais já conquistados no futsal do Vitória?

Dedico-os a todos aqueles que acreditam nos seus sonhos, pois foi através desse propósito que eles foram alcançados. Foi com o empenho de todos que os conseguimos, e é com o mesmo espírito que abraçamos o futuro, com vista a mais conquistas.

Em que medida é que a nova sede social, atribuída pela Câmara Municipal de Santarém, veio ajudar ao crescimento do clube?

Tenho muito orgulho em responder a esta questão, dado que a atribuição da nova sede representou um marco indelével na vida do clube. Foi a partir dela que o Vitória se afirmou enquanto entidade e pôde desenvolver a sua actividade de uma forma mais organizada, oferecendo outras modalidades desportivas à comunidade em que está inserido.

Nestes últimos anos, temos dinamizado muito o nosso espaço, ao ponto de actualmente, com todas as actividades diárias, podermos afirmar que se encontra praticamente lotado. Porém, esse também é um problema que está em vias de resolução, com a atribuição por parte da Câmara Municipal de Santarém do espaço da extinta Escola Fixa de Trânsito, contígua à nossa sede.

O ano de 2021 marcou também a aquisição da primeira carrinha de 9 lugares do clube. Actualmente, quais as necessidades de um clube desta dimensão nesse âmbito?

Saber esperar é uma virtude, e nós aguardámos 16 anos para poder concretizar mais um sonho. Tem sido nosso apanágio crescer de forma sustentada, e 2021 foi o ano em que finalmente conseguimos reunir condições para tal, tendo, porém, a noção de que apenas colmatámos uma ínfima parte das nossas necessidades ao nível de transportes.

Para se ter uma noção, na última época tivemos em actividade 17 equipas só na modalidade de futsal, pelo que, no mínimo, deveríamos contar com 6 carrinhas para poder satisfazer as necessidades semanais no âmbito dos diversos campeonatos distritais e nacionais.

Também nas outras modalidades já sentimos enormemente essa necessidade, como é, por exemplo, o caso da equipa de footgolf, que este ano conquistou o título de campeã nacional.

O Vitória nasceu em redor do futsal, mas hoje já se pode considerar um clube eclético, com a chegada de “novas” modalidades, como o teqball, footgolf, boxe, jiu-jitsu, krav maga, espada japonesa, xadrez, pilates e outras aulas de grupo, além de se encontrar filiado na Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal. Em que medida é importante esse rasgar de horizontes ao nível da base social do clube?

O ecletismo do Vitória vem surgindo de forma espontânea, pois cada uma das modalidades que hoje compõem a oferta desportiva do clube surgiu da abordagem de pessoas que nos procuraram no sentido de poderem praticar o seu desporto favorito, sendo que, na maioria dos casos, não tinham na cidade resposta para satisfazer às suas necessidades.

Estamos sempre disponíveis para conversar no sentido de poder acolher quem queira juntar-se a nós com uma nova modalidade, sendo esta naturalmente também uma mais-valia para o clube no alargamento da sua base social.

Quantos associados tem actualmente o VCS?

Actualmente, contamos com cerca de 700 sócios. Recentemente, instituímos também a figura do sócio empresa, convictos de que irá ter uma enorme aceitação junto do tecido empresarial do concelho. Em qualquer associação, os sócios são a base fundamental para atingir o sucesso.

Como é que o VCS vê o desporto que se pratica na cidade ao nível das instalações desportivas e dos apoios que lhe são concedidos? São suficientes?

Na minha modesta opinião, o concelho de Santarém, em termos de prática desportiva, está muito bem, no sentido em que quase todos podem usufruir da modalidade de que mais gostam. No entanto, isso cria uma maior necessidade em termos

de oferta de instalações desportivas, pois, além de serem insuficientes em quantidade, algumas já necessitam de grandes intervenções estruturais para poderem acompanhar o desenvolvimento desportivo do concelho.

De qualquer forma, sabemos que as entidades oficiais estão a trabalhar no sentido de dotar Santarém de mais instalações desportivas.

E um pavilhão próprio, é um objectivo possível de concretizar no futuro? Alguns sócios mencionam o sonho de um “Pardelhas Arena”…

Todos os sonhos são possíveis de concretizar. Porque não, um dia, um pavilhão para o Vitória? De facto, esse é um assunto que tenho ouvido recorrentemente e, para ser sincero, não o encaro como uma utopia.

A breve trecho, poderei levar o assunto a quem de direito. Devemos aproveitar as oportunidades que se avizinham para concretizar esse sonho.

O Vitória e o Correio do Ribatejo mantêm uma parceria que já dura há dois anos, juntamente com o Grupo de Dadores de Sangue de Pernes, promovendo na sua sede uma colheita anual de sangue. As portas do clube abrem-se, portanto, à cidade não apenas para a prática desportiva.

O Vitória estará sempre aberto a participar em todas as actividades, sejam do foro desportivo, social, cultural, educativo ou outras. É para nós uma honra manter esta parceria, sendo que destacamos o evento de estreia, em que se registou uma enorme adesão e solidariedade por parte dos atletas do Vitória.

Com o projecto Agir+, do Programa Escolhas, iniciativa governamental integrada no Alto Comissariado para as Migrações, o VCS apoia jovens desfavorecidos. Esta é uma das preocupações do clube, ter bem presente a sua responsabilidade social, até porque também foi fundado por jovens?

Pelas suas origens, essência e missão, o Vitória nunca pode descurar a sua vertente social, que está na frente das suas prioridades.

O clube está sempre disponível para apoiar os mais necessitados e vulneráveis. Neste âmbito, por exemplo, fomos durante vários anos quase diariamente buscar duas crianças à instituição “O Vigilante” para que pudessem continuar a sua prática desportiva e, mais recentemente, estabelecemos a referida parceria com o LENE, para apoiar o projecto Agir+.

Este é um projecto que nos dá especial motivação, pois remete-nos, precisamente, às nossas origens. Enche-nos de orgulho e gratificação ver um jovem feliz e poder contribuir para que tenha experiências diferentes e saudáveis.

Outro exemplo foi a doação de material desportivo a crianças africanas. Das ruas do Alto do Bexiga, o VCS rumou às de Abidjan e de Bissau, com o clube a firmar parcerias com colégios da Costa do Marfim e da Guiné. Como decorreu esse intercâmbio? É para manter?

Não é nada fácil para um clube como o Vitória ter condições para ajudar outras instituições, mas, quando existe vontade, o pouco “pão” que temos chega para todos. Tem sido filosofia do clube partilhar sempre que possível o que tem com os outros, sendo que, nesse sentido, começámos por

ajudar com material desportivo um colégio da Costa do Marfim e, mais recentemente, uma academia de crianças da Guiné-Bissau.

Permanecemos em contacto e naturalmente que estas colaborações serão para prosseguir no futuro.

A qualidade da academia de futsal vitoriana vem merecendo a confiança de cada vez mais encarregados de educação na hora de escolher uma modalidade para os seus filhos. Sente que a cidade reconhece amplamente o trabalho que é desenvolvi do diariamente no clube?

O Vitória adoptou uma forma de estar no desporto muito própria, dando oportunidades a todos, mas nunca descurando a qualidade.

Temos o privilégio de ver o nosso trabalho reconhecido pelos encarregados de educação dos nossos atletas, pelos nossos parceiros e até pelos nossos adversários, e, de uma forma progressiva, também vamos adquirindo o respeito e a admiração das entidades oficiais e do tecido empresarial.

Para tudo isto, devemos dizer que muito tem contribuído a certificação do clube por parte da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), sendo que, actualmente, somos uma Entidade Formadora Certificada de 4 Estrelas, tanto no futsal feminino como no masculino, uma avaliação que nos coloca, respectivamente, no 2.º e no 4.º lugar a nível nacional neste âmbito.

Além disso, continuamos a ser o segundo maior clube de futsal em número de atletas federados, e é por tudo isto que ajudamos também a colocar o nome de Santarém entre os maiores do desporto nacional.

Um dos comprovativos de qualidade do VCS é precisamente essa certificação no futsal masculino e feminino enquanto clube formador, sendo uma das mais bem avaliadas pela FPF. Que mais-valias trouxe esse estatuto?

As pessoas, por vezes, não têm noção da dimensão deste feito: entre largas centenas de clubes, constar no 2.º e no 4.º lugar a nível nacional, num processo de elevadíssima exigência, é motivo de imenso orgulho.

A grande mais-valia trazida por este processo é, precisamente, a responsabilidade e a exigência que o clube sente em se superar todos os anos de forma a contar com as melhores condições para os seus jovens atletas, não só na vertente desportiva, como também na área social, formativa e ao nível do acompanhamento médico e escolar.

Em termos desportivos, claro que esse estatuto se traduz, na prática, nas melhores condições e na maior visibilidade que o clube consegue proporcionar aos seus atletas, tornando-o mais apetecível para quem deseja aprender futsal e evoluir na modalidade.

Esse reconhecimento veio fazer subir a fasquia no grau de exigência e responsabilidade enquanto emblema formador de excelência no plano nacional, daí que seja já normal o clube ver sair jogadores e jogadoras para os clubes “grandes” de Lisboa. É uma inevitabilidade hoje em dia?

Sem dúvida que, hoje, o Vitória é alvo de escrutínio todos os dias, temos de ter os níveis de exigência sempre em alta. Com a exposição inerente ao facto de disputar

as melhores competições, é natural que os inúmeros atletas de qualidade que vem formando não passem despercebido aos tradicionalmente chamados “grandes”, sendo que todos os anos se têm registado transferências para emblemas como o Benfica ou o Sporting.

Essencialmente, hoje, quem representa o Vitória sabe que está permanentemente a ser seguido pelos maiores clubes do país.

A vertente feminina é, desde 2008, um dos grandes ex-libris do clube, que conta actualmente, como referido, com a 2.ª melhor certificação do país por parte da FPF. Como vê a evolução do futsal de formação feminino no clube?

As nossas meninas são, sem dúvida, um dos principais orgulhos do Vitória. Tanto em termos desportivos como sociais, encarnam o verdadeiro espírito vitoriano, constituem uma família feliz que vem alcançando os objectivos que se propõe.

Temos atletas que estão no clube desde 2007, que têm experienciado e acompanhado todas as conquistas e crescimento do clube, e que se vêm mostrando determinantes para abrir caminho às jovens atletas de enorme qualidade que, neste momento, desde petizes até juniores, asseguram o futuro do nosso futsal feminino.

Neste particular, não podemos deixar de referir o excelente trabalho que tem sido realizado pela coordenação técnica, que possibilitou chegarmos a este patamar junto da FPF, numa obra que promete continuidade, sempre em crescendo.

Nas últimas temporadas, a convocatória de atletas para Seleções Nacionais tem sido relevante. É o prémio pelo trabalho desenvolvido?

Colocar atletas em representação do país é um dos prémios mais gratificantes, e é fruto de todo o trabalho de qualidade que tem sido desenvolvido nos últimos anos pelo clube e pelos seus técnicos ao nível da formação. Hoje, sentimos que quem joga no VCS está sempre mais perto de chegar às seleções nacionais, pois existe um acompanhamento permanente por parte da estrutura técnica da FPF.

O facto de o clube participar nas melhores competições nacionais também aumenta essa exposição, e sentimos um enorme respeito e reconhecimento por parte da FPF, que tem vindo a desenvolver um trabalho fantástico na evolução da modalidade em Portugal.

O torneio Vitória Futsal Cup Masters marca já o calendário de provas nacionais. É uma aposta para manter, nos mesmos moldes?

No universo futsalístico, o Vitória Futsal Cup Masters, para além de contar com um formato pioneiro, é, para muitos, o maior e melhor torneio de formação realizado em Portugal.

A aposta neste sentido será sempre crescente e, para 2023, o Vitória propõe- se realizar o evento em dose dupla, dedicando um fim de semana apenas ao futsal feminino, em todos os escalões, numa iniciativa inédita que pretendemos que constitua um impulso qualitativo nesta vertente a nível nacional.

Além do plano da formação, o VCS começa agora a ter ambições nas suas equipas seniores, fruto dos muitos produtos de qualidade que vêm emergindo das suas camadas jovens. Quais são os objectivos nestes escalões?

Pessoalmente, sempre ambicionei colocar o futsal vitoriano junto dos maiores, mas com uma condição, que, de resto, é a missão assumida pelo clube: compor as suas equipas seniores, maioritariamente, com atletas oriundos das camadas jovens e plenamente identificados com o emblema e os seus valores.

De resto, se juntássemos todos os melhores jogadores formados no clube que estão no activo, e com os meios técnicos de que hoje dispomos, não tenho dúvidas de que teríamos, já no imediato, uma equipa para estar junto dos melhores.

O topo é o nosso limite, sentimos que estamos mais perto, mas queremos atingi-lo de forma consciente e sustentada, para que a experiência não seja efémera.

Seria importante para a cidade de Santarém contar com um clube na Liga Placard de futsal? Quais as ambições do VCS nesse sentido, e com que apoios necessitaria de contar para concretizar esse sonho?

Claro, seria muito importante para Santarém ter uma equipa na 1.ª Divisão, não só masculina como também feminina, até pelas muitas pessoas que isso mobilizaria.

Para tal, claro que é necessário o apoio da nossa cidade, da Câmara Municipal, mas também sensibilizar o tecido empresarial para os benefícios que adviriam para os escalabitanos e para a economia local pelo facto de poderem contar com equipas seniores a disputar os campeonatos nacionais.

Temos esperança de que apareçam cada vez empresas a acreditar no nosso projecto e dispostas a investir e a levar o desporto de Santarém ao lugar que a cidade e os seus habitantes merecem: o topo.

Sempre com os olhos postos no futuro, o que de inovador poderemos ainda esperar do VCS nos próximos anos?

Ser formado por jovens e para jovens, é este o ADN do Vitória. O futuro é da juventude, e, nesse capítulo, o clube está bem apetrechado, com pessoas de muita qualidade, capazes de surpreender com as suas ideias e vontade de concretizar projectos.

Queremos continuar a dotar o clube das melhores condições para a prática desportiva em todas as modalidades, prestar um serviço de excelência dispondo dos melhores equipamentos e, sobretudo, dos melhores recursos humanos, os mais capazes e focados.

É por tudo isto que nos orgulhamos de os encarregados de educação confiarem em nós e de os nossos jovens se sentirem felizes e valorizados. Em suma, somos uma verdadeira família.

JOÃO PAULO NARCISO

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