O espectáculo no CNEMA coroou o sucesso de um projecto nascido em Tremês e que hoje move centenas de alunos em Santarém e brilha além-fronteiras, num percurso marcado pela superação da pandemia e pela ambição de criar uma companhia de dança, sem perder a ligação às raízes da vila.
Realizou-se no passado sábado, dia 27 de Junho, a 26.ª Gala ADDT & Phil´s Place Santarém. O evento, organizado pela Associação Desportiva de Tremês (ADDT) e pela Academia Phil´s Place, celebrou o final do ano lectivo 2025/2026. A iniciativa contou com muita animação, variedade de estilos de dança e várias centenas de pessoas na plateia do auditório do CNEMA.
“É como se fosse um espectáculo teatro-revista e musical, em que as pessoas experimentam a capacidade de estar em cima de um palco, como se fossem verdadeiros artistas”, descreveu Filipe Santos, fundador da Academia Phil´s Place Santarém.
O espectáculo assentou em três princípios: o espírito de união, o querer experimentar e a diversão. Para Filipe Santos, estes pilares são fundamentais para o impacto anual da gala na comunidade.
“Os pais ficam extremamente contentes por verem os filhos a dançar, os atletas divertem-se e, acima de tudo, é o momento alto do ano. Sinto que é o reencontro de todos nós naquele momento, após um ano de trabalho”, referiu.
Sob o tema “Reencontro”, o evento aliou o tempo ao sonho, culminando numa fusão de diferentes coreografias e estilos que uniram as duas instituições.
Das raízes em Tremês à afirmação em Santarém
Há 26 anos, nascia em Tremês a ADDT. Criada por um grupo de pais, a associação tinha como missão oferecer melhores condições e visibilidade para a prática de danças de salão na vila.
“A única actividade que colocava Tremês no mapa eram as danças de salão. Era a única actividade que havia e parece que nunca foi valorizada no bom sentido”, conta Filipe Santos.
A falta de valorização intensificou-se na pandemia de Covid-19, com o decréscimo de alunos e instabilidade na estrutura associativa. Tais circunstâncias levaram à fundação, em 2020, da Academia Phil´s Place, com o objectivo de criar novas modalidades desportivas dentro da associação.
“Avancei sem medo, mas de forma pragmática, porque isto tinha de correr bem. Estou muito contente por aquilo que temos hoje, mas foi bastante desafiante”, recordou.
Actualmente, o Phil´s Place conta com mais de 350 alunos, com idades compreendidas entre os dois e os 90 anos. Além da dança, o projecto oferece cuidados de saúde e bem-estar.
A vertente de competição desportiva é outra das grandes apostas. Membro integrante da World Dance Council (WDC), a academia tem somado participações e conquistas a nível regional, nacional e internacional.
“Temos alcançado resultados importantes, nomeadamente no Campeonato do Mundo do Japão, realizado no ano passado, e no Campeonato da Europa, em que ficámos no sétimo lugar”, revelou Filipe Santos.
Além de participar, o Phil´s Place organiza anualmente o Scalabis Dance Festival, em Santarém, que vai já na sua 5.ª edição.
“Tivemos mais de 600 pessoas na assistência e mais de 300 atletas a competir. Foi extremamente interessante ver que é possível fazer eventos de dança e a nível cultural e desportivo em Santarém”, destacou o presidente da academia.
Com a 6.ª edição no horizonte, o responsável revelou que o plano passa pelo alargamento da competição para dois dias, dedicando um deles a uma prova europeia ou mundial. O projecto tem também promovido a acessibilidade da dança na região.
“Apesar das danças de salão serem vistas como elitistas, tentamos ao máximo desmistificar isso. Criamos as melhores condições possíveis, desde pagar inscrições aos nossos competidores até investir no guarda-roupa dos espectáculos”, sublinhou.
Apesar da projecção regional, a academia não esquece as suas origens em Tremês. “Sempre que nos são solicitadas apresentações ou cooperação directa com as associações locais, estamos disponíveis. Estamos ligados à vila porque foi onde crescemos”, assegurou.
Desafios e projectos futuros
Durante a semana, a sede na Portela das Padeiras transforma-se num palco de ensaios. Cada movimento dos alunos é observado com cautela por Filipe Santos que ajusta posturas com rigor. Com várias actuações no decorrer do ano, a parte financeira constitui o maior desafio.
“Alugar um espaço como o auditório do CNEMA pode custar 3 mil euros, impendentemente de termos 850 ou 250 pessoas na plateia”, afirmou.
O projecto subsiste com o apoio da Câmara Municipal de Santarém, candidaturas a fundos do IPDJ e da DGArtes, além das receitas dos próprios eventos.
Questionado sobre o futuro, Filipe Santos adiantou que o próximo objectivo passa pela criação de uma companhia de dança própria para apresentar espectáculos por todo o país. O criador anunciou ainda a ampliação da sede e, relativamente a Tremês, espera conseguir reactivar em breve as aulas na vila, em colaboração com o executivo autárquico.
Ricardo Santos Pereira



































