O Polo Enoturístico da Casa dos Patudos – Museu de Alpiarça acolhe, até ao dia 30 de Junho, a exposição “Arte com Vinho” do artista Massimo Esposito, pintor de raízes italianas e que escolheu Alpiarça para viver.

Trata-se da apresentação de um conjunto de pinturas que reavivam a técnica de pintura com vinho tinto, uma prática que foi esquecida por algum tempo, mas que tem ressurgido com notoriedade nos últimos anos.

A exposição destaca a interligação entre arte e o vinho, com um significado muito especial, no ano em que Alpiarça foi distinguida como Cidade do Vinho 2024, numa candidatura conjunta com Almeirim, Cartaxo e Santarém.

Licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), Massimo Esposito vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um projecto de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo. Neste projecto estão incluídas exposições colectivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições.

O que o levou a explorar e reavivar a técnica de pintura com vinho tinto, e como descobriu este método?

Falando com amigos e produtores de vinho fui desafiado a ver da possibilidade de conseguir uma boa qualidade nos trabalhos com esta técnica. E, depois, o enólogo Mário Louro convidou-me, no Cnema, numa prova cega a realizar algumas obras e daí comecei há 13 anos a pintar também com vinho.

Porque escolheu Alpiarça para viver e trabalhar?

Tinha um amigo que trabalhava em Ravenna – onde vivia eu na Itália – que falava sempre de Portugal, que me convidava  sempre a que eu fosse ver onde ele onde morava, neste caso em Alpiarça, e daí…gostei e fiquei. Neste momento, estou mais por Abrantes, que é onde tenho o atelier, mas regresso a Alpiarça sempre.

Como tem sido a sua experiência nesta comunidade?

Tenho muita gente conhecida em Alpiarça e ainda me encontro com eles. No princípio, em 1986, não foi fácil a minha adaptação, mas a convivência ajudou muito a que no entendêssemos (risos).

Qual é, para si, o significado de expor na Casa dos Patudos, tendo em conta a sua ligação histórica à produção de vinhos?

A Casa Museu dos Patudos para mim é uma joia de cultura, de uma beleza ímpar e sempre foi uma referência para mim. Já fiz várias exposições ali, pessoais e colectivas e, naturalmente, como o Sr. Relvas era um produtor de vinho, então é uma simbiose natural.

Quais são os maiores desafios técnicos e criativos que enfrenta ao usar vinho como meio de pintura?

Sobretudo a grande variedade de cores e tons do vinho Português, precisa- se saber como e quais usar em cada obra. Importante, também, é o suporte (cartolina) a usar em cada obra.

Como tem sido a reacção do público às suas obras pintadas com vinho?

Ficam genuinamente maravilhadas e, depois, interessam-se pelo momento criativo e a técnica em si.

Há alguma resposta ou comentário que o tenha marcado particularmente?

As respostas mais interessantes e realísticas são os convites para eventos, assim como várias Quintas manifestam interesse para mostrar o meu trabalho e realizar workshops.

Pode descrever o seu processo criativo ao pintar com vinho?

Essa é uma pergunta difícil a responder: a criatividade é espontânea, mas temos sempre de ter em conta as limitações e possibilidades técnicas.

Há alguma preparação especial que deve ser feita?

A preparação é igual à da aguarela

Há alguma obra ou artista que o tenha inspirado a seguir esta técnica?

Não. Aconteceu de improviso

Como incorpora as diferentes influências de artistas que admira no seu trabalho?

Cada artista tem influências de outros artistas, não vale a pena negá-lo, mas eu pinto só com vinho, não misturo aguarelas, marcadores, lápis aguareláveis ou outras materiais. Pinto só com Vinho!

Como vê o futuro da técnica de pintura com vinho? Acha que continuará a ganhar popularidade e a inspirar outros artistas?

Com o aumento do interesse no enoturismo estou certo que haverá mais possibilidades e interacções entre produtores, clientes e artistas.

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