“Nós, professores, temos de utilizar as tecnologias, em prol do desenvolvimento e das capacidades dos alunos”

Luís Estudante, é um músico profissional, de 28 anos de idade, que está integrado na Banda de Música da Força Aérea Portuguesa. O jovem, natural da Fajarda, concelho de Coruche, dedica a sua vida à música. Luís para além de músico profissional, é também professor de Eufónio e Tuba no Conservatório Regional de Artes do Montijo, na Academia de Música da Ericeira e na Escola de Música da Sociedade Instrução Coruchense e professor de Tuba no Conservatório D’Artes de Loures. Integra ainda várias bandas informais que animam as festas da região.

Como é que surge a música na sua vida?
Eu sempre gostei de música, para dizer a verdade. Tocar um instrumento começou por ser um hobbie, tinha eu 13 ou 14 anos. Com o passar do tempo, comecei a perceber que podia e tinha de ser esta a minha vida!

Quais são as suas referências musicais?
Eu tenho diferentes gostos musicais. Gosto de ouvir um pouco de tudo para poder opinar, pelo menos, de forma fundamentada. As minhas referências, especialmente na minha área (Música e Pedagogia) são Arnold Jacobs, Gene Pokorny e o meu grande amigo e professor, Ilídio Massacote.

Que formação fez na área da música?
Comecei por frequentar a Escola de Música da Sociedade Instrução Coruchense, com o professor Carlos Silva; segui os meus estudos no Conservatório Regional de Artes do Montijo e ingressei na Escola Superior de Artes Aplicadas de Castelo Branco, onde fiz a Licenciatura em Instrumento e o Mestrado em Ensino de Música.

Para além de músico, é também professor. É fácil ensinar música aos mais jovens?
É fácil ensinar qualquer pessoa. Tudo depende da vontade dessa pessoa querer aprender… ou não. Acredito que, nos dias que correm, seja muito mais difícil ser professor, dadas as tantas “distrações” que os jovens têm ao seu dispor, desfocando-os de uma constante da vida: a aprendizagem. Mas cabe-nos a nós, professores, contornar a situação e encontrar estratégias para solucionar estes problemas e usarmos, principalmente as tecnologias, em prol do desenvolvimento e das capacidades dos alunos.

Como é que surge a oportunidade de ingressar na banda da Força Aérea?
A oportunidade de ingressar na Banda de Música da Força Aérea surgiu em 2015. Com o Mestrado ainda em andamento, tive de reflectir muito e ponderar muito bem quais as opções profissionais que iria tomar, até porque, devido à minha idade, já só teria essa oportunidade de poder concorrer. Assim o fiz e já há cinco anos que faço parte da instituição.

Além das bandas filarmónicas onde toca, participa em várias bandas informais? Como é que ajusta o tempo para estar em todas?
É preciso fazer muita ginástica. (risos) Não é fácil encaixar todas as actividades e algumas, de vez em quando, vão ficando para trás. Mas vou tentando conciliar tudo ao máximo. Acima de tudo, assumo-me como um músico versátil: já tive a oportunidade de colaborar com as orquestras Gulbenkian e Sinfónica Portuguesa, que, para mim, são o topo do nosso país, em termos de grupos orquestrais; num âmbito completamente diferente, gosto muito de tocar em grupos de animação musical (Camisas Negras, Seven Dixie, etc), tendo criado, inclusive, há cerca de dois anos a Charanga “Os Batatas”. Há que fazer, acima de tudo, o que mais gostamos e a minha vida tem sido tudo isto: orquestras, conservatórios, escolas, bandas e grupos de animação e… grupo folclórico! Ainda há tempo de dar uma “mãozinha” no Rancho Folclórico da Fajarda, do qual faço parte há cerca de 11, 12 anos. Resumindo, a vontade de fazer sobrepõe-se sempre a qualquer cansaço que possa surgir.

Que objectivos tem para o futuro no mundo da música?
Os meus objetivos principais são continuar a trabalhar e a dar o melhor todos os dias pois tenho a certeza que boas experiências irão sempre aparecer. Há que ser paciente e trabalhar hoje para colher amanhã ou no outro dia. Esta é uma vida muito ingrata, mas com trabalho e dedicação, tudo se alcança.

Que conselhos dá a quem quer seguir uma carreira nesta área?
Nesta área é preciso, acima de tudo, paciência. Para tudo. Para saber lidar com as vitórias e com as derrotas. Cai-se muita vez: desânimo, desfoco, desmotivação remete-nos para caminhos mais fáceis, mas é aí que a força vem ao de cima e, ou vamos a 200 km/h na autoestrada e continuamos a acelerar ou puxamos a marcha-atrás de repente, assentamos os pés no chão e voltamos a trabalhar, do zero, se for preciso. Esta é uma área em que levar um rótulo de “és muito bom” ou “és muito mau” vale o que vale: nada. Tem de haver um esforço diário, pois só assim conseguimos ir para a frente, sem pensar sequer em rótulos.

Qual é a sua vertente da música que mais gosta? E a que mais detesta?
Como já referi, eu gosto de todo o tipo de música. De uns géneros mais, de outros nem tanto. Se for música, dá para gostar: muito ou pouco. Se for ruído, não dá para classificar.

Quais são os seus hobbies favoritos?
Gosto de praticar desporto, que é uma coisa que já não fazia há cerca de três anos. Estou a voltar ao ritmo e, sem dúvida, é uma grande ajuda para as minhas actividades diárias. Gosto de assistir a espetáculos musicais e de ir ao futebol,

Qual é para si uma viagem de sonho?
Uma viagem de sonho, no verdadeiro sentido da expressão, é ir até um país africano e poder trabalhar com alguns dos seus habitantes. Poder ensinar-lhes algumas coisas mais, vivenciar as suas experiências de vida. Acho que seria uma viagem marcante e tenho a certeza que a irei fazer.

Se pudesse alterar um facto na história, qual seria?
Acho que não alteraria nada. A história é isso mesmo. As coisas acontecem e tudo deve ser recordado: como boas experiências ou como ensinamentos para a vida.

Se pudesse participar num filme, qual escolhia?
Já estou a participar no melhor filme possível, que é ter esta oportunidade de poder trabalhar nesta área tão fascinante para mim. Mas há um filme que me marcou e que se chama “Perfume de Mulher”. A participar, gostaria que fosse nesse.

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