Inês Ramos é Socióloga, mãe e mais uma cidadã do Mundo. Adora música. É aí que encontra o seu refúgio e lugar seguro, acreditando sempre no amanhã.


Depois de “Larguem-me a Cueca”, em 2020, num tom divertido, Inês Ramos surge agora com “Segue! Mar calmo nunca fez bons marinheiros!”, num registo diferente e com sugestões de canções para o leitor ouvir antes da leitura de cada capítulo.
“Gostaria, com este livro, de passar uma mensagem que irá ser diferente de pessoa para pessoa, pois o grande propósito e desafio aqui é cada um sentir por si e em si… cada capítulo, cada música, e fazer a sua própria caminhada”, diz a autora natural de Lisboa, mas a residir em Azambuja desde os 22 anos.


Neste contexto, cada capítulo será, então, iniciado por uma música que quem lê, para conseguir alcançar este nosso espaço comum, deverá ir ouvi-la, antes de iniciar a leitura.


“Cada música irá levá-lo a um lugar… e depois, na minha companhia… iremos aceder a esse espaço de emoções, sentimentos, viagens e estados de alma”, explica a autora, que tem poemas publicados em colectâneas diversas e escreveu a letra de uma música – Fado Negro da Cor – com o seu amigo Miguel Ouro.
“Quero, através da música, criar impacto em cada um… suscitando uma reflexão ou sentimento. Um espaço interactivo, porque quero, através da música, mexer com os sentidos de quem me lê, activar momentos em cada página e todo um mundo de emoções, risos, reflexões e reacções”, conclui.

Em que altura da sua vida descobriu a vocação para a escrita?
Desde criança. Sempre li muito e, quando brincava, todos queriam brincar com bonecos e eu com livros e/ou a escrever pequenas histórias num caderninho que o meu pai me deu que me acompanhava sempre. Por exemplo, quando me portava mal, o meu pedido de desculpa ao “ofendido” ia sempre por escrito, em carta!
Sempre tive uma imaginação fértil inclusive, os meus amigos, em tom de brincadeira, diziam-me que eu tinha “tendência” para fazer grandes filmes! Drama não, mas um bom filmezito!


O que inspirou esta sua obra, “Segue! – Mar calmo nunca fez bons Marinheiros”?
Este livro surgiu num período um pouco conturbado da minha vida, em que tive de lidar com a perda do meu pai e com alguns problemas de saúde que me deitaram bastante abaixo, mas que, simultaneamente, me “obrigaram” a repensar a minha vida e, na forma de a viver e sobretudo, na forma de a sentir.
Sempre adorei música e em quase todos os momentos da minha vida existiu e, existe, música de fundo a acompanhar-me, o que também, naturalmente, nessa altura aconteceu!
Então “agarrei” nessas minhas músicas (ou nessa minha playlist) que de alguma forma, me ajudaram e ampararam neste período difícil e, decidi escrever um livro em que, cada capítulo se iniciasse, com cada uma delas. Músicas essas que, de alguma forma naquele momento, me resgataram.

De que trata este livro?
Cada capítulo é iniciado então por uma música e a selecção musical é muito distinta entre si e portadora de várias mensagens. Temos desde Queen, Aretha Franklin, Carlão, Abba, Muse, Likin Park e António Variações, entre outros. Peço assim, a quem me lê, e com o propósito de se conseguir alcançar um espaço comum e de partilha, para irem ouvir a música que antecede cada capítulo e, depois então, iniciar a sua leitura…
Procurei, através deste livro Segue!, criar um espaço interactivo porque quero, através da música, mexer com os sentidos de quem me lê, activar momentos, em cada página, e todo um mundo de emoções, risos, reflexões e reacções.

Como é o seu processo criativo?
Além de continuar a andar com o meu caderninho sempre atrás, registando ideias e momentos, refugio-me muito, neste processo em que estou a tentar construir algo, na música e no contacto com a natureza.
Preferencialmente, a fazer grandes caminhadas na praia à beira-mar, com os auscultadores a ouvir a minha música e a ir tomando nota do que vai surgindo e assim, ganhando forma.

O que representa para si a escrita?
A escrita, a música e a minha filha são o meu refúgio e o meu porto seguro.

Que livros é que a influenciaram como escritora?
Reportando-me “à prata da casa” todos os do Eça de Queiroz, com predilecção pelo Crime do Padre Amaro e Os Maias e, num outro registo, Florbela Espanca. Internacionalmente, todos os da Isabel Allende e Gabriel Garcia Márquez.

Considera que um livro pode mudar uma vida?
Tenho a certeza que sim! Pelo menos houve um, que mudou a minha.
Estava tão envolvida e embrenhada nesse livro que não o conseguia parar de ler, cheguei até, em viagens de comboio a perder a minha estação mais do que uma vez, só para não ter de parar de o ler naquele instante. Foi aí que percebi que gostaria também que, fosse esse o meu caminho.

Tem outros projectos em carteira que gostaria de dar à estampa?
Como sou também socióloga e gosto muito da área da educação não formal, nomeadamente, da educação pela e através da arte, incidindo sobretudo na concretização de um trabalho de intervenção social junto de crianças e jovens, gostaria de, a par com a escrita, de investir e explorar oportunidades nesse sentido.

Um título para o livro da sua vida?
Acordem para a Vida!

Viagem?
Havana/ Cuba.

Música?
Da Weasel.

Quais os seus hobbies preferidos?
Ouvir música, ler, escrever e tirar fotografias.

Se pudesse alterar um facto da história qual escolheria?
O Holocausto.

Se um dia tivesse de entrar num filme que género preferiria?
Comédia.

O que mais aprecia nas pessoas?
Sinceridade e sentido de humor.

O que mais detesta nelas?
O cinismo e grandes egos.

Acordo ortográfico. Sim ou não?
Não, mas, sou obrigada!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Leia também...

“No Reino Unido consegui em três anos o que não consegui em Portugal em 20”

João Hipólito é enfermeiro há quase três décadas, duas delas foram passadas…

“É suposto querermos voltar para Portugal para vivermos assim?”

Nídia Pereira, 27 anos, natural de Alpiarça, é designer gráfica há seis…

“A época foi, a nível desportivo, sublime, mas desastrosa em todas as outras variáveis”

Gonçalo Carvalho levou o Rio Maior SC ao Campeonato de Portugal, numa…

O Homem antes do Herói: “uma pessoa alegre, bem-disposta, franca e com um enorme sentido de humor”

Natércia recorda Fernando Salgueiro Maia.