Nuno Tiago Russo tem uma visão privilegiada do sector agrícola no País: actual vereador na Câmara de Santarém com o pelouro do Apoio ao Desenvolvimento Agrícola do Concelho, foi secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural e exerceu funções como técnico superior no Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas.

A propósito da 58ª Feira Nacional de Agricultura / 68ª Feira do Ribatejo, o Correio do Ribatejo esteve à conversa com Nuno Russo que não tem dúvidas que este certame, para além de ser a principal montra do sector no País é, também, “educação, cultura e turismo”.

O município de Santarém tem vindo a reforçar a sua presença na FNA. Interpreta isto como um sinal de que o Ribatejo está a ter mais espaço no certame?

A Feira Nacional de Agricultura é simultaneamente a Feira do Ribatejo, e o Ribatejo é indissociável da Feira, o reforço da presença do Município de Santarém está relacionado com a ligação umbilical que Santarém tem com Feira, com o objectivo de estar presente e participar em todas as actividades que visem o desenvolvimento e a promoção agrícola do concelho, especialmente na maior Feira de Agricultura do país, assegurando a representação de Santarém como Capital da Agricultura Nacional e do Ribatejo.

Mas a FNA não é só agricultura, é educação, é cultura, é turismo, por isso mesmo é que o Município de Santarém tem uma participação diferenciadora, e uma programação diversificada, quer no seu stand oficial, como no stand da CIMLT, como ainda na AMPV, através da animação cultural na Feira, da realização de um Seminário e o envolvimento em iniciativas da CAP (Pac4ALL) e da CONFAGRI (Leite – Produto de Excelência).

Há aquela velha questão, de algumas pessoas ainda acharem que a Feira era boa no Campo Emílio Infante da Câmara. Qual é a sua opinião?

Como em tudo na vida, não se pode, nem se consegue, agradar a todos, mas ponderando os prós e os contras, a Feira ficou, sem dúvida nenhuma, a ganhar pela sua passagem para o CNEMA, pois oferece um conjunto de condições que o Campo Emílio Infante da Câmara não conseguiria oferecer.

O CNEMA foi construído, à altura, para responder às necessidades da FNA, e considero que até ao momento tem correspondido às exigências da evolução de uma Feira com mais de 50 anos, sendo que terá um novo desafio com a organização da AGROGLOBAL, algo que seria impossível de realizar no centro da cidade de Santarém.

Tem uma visão privilegiada do sector. Quais são os grandes desafios que a Agricultura da região enfrenta?

A Agricultura enfrenta sempre grandes desafios, quer a nível regional como nacional, aliás é a actividade económica que mais desafios enfrenta em resultado da imprevisibilidade dos vários factores que influenciam direta, ou indirectamente, a sua actividade. Atravessa-se uma altura difícil, pós-pandémica, em contexto de guerra, com elevados custos de produção, sendo o maior desafio a necessidade de valorização do preço de venda dos produtos, que permita o aumento do rendimento do agricultor e a rentabilidade da agricultura, mas também poderia falar do combate às alterações climáticas ou ainda da necessidade da gestão eficiente dos recursos naturais, particularmente a água.

Há alguns anos, a autarquia chegou a aventar a possibilidade de vender a posição que detém no capital social do CNEMA. Teria sido um erro estratégico, a seu ver?

Considero que o Município de Santarém deve manter a sua posição na estrutura accionista do CNEMA, contudo, deve também fazer valer-se da mesma para, junto dos restantes accionistas, em particular do principal accionista, e influenciar positivamente as decisões sobre o CNEMA, para que se continue a promover e prestigiar o nome da cidade e do concelho de Santarém.

Tem vindo a defender o reforço da aliança entre a agricultura e a tecnologia para garantir uma gestão mais sustentável dos recursos disponíveis. A feira deste ano é a prova disso mesmo?

Defendo eu e todos os que se relacionam, de uma forma ou outra, com a agricultura, pois para encarar e ultrapassar os desafios referidos, só usando o conhecimento, a tecnologia e a inovação é que será possível garantir mais produtividade, competitividade e rendimento, isto é, mais desenvolvimento e sustentabilidade ao sector produtivo e à respectiva cadeia alimentar.

O sector dos vinhos tem crescido na região do Tejo. Que medidas devem ser tomadas para projectar ainda mais o sector?

No sector dos vinhos, a Comissão Vitivinícola Regional do Tejo (CVR Tejo) tem estado a fazer um trabalho de excelência com os vinhos da região, e eu comungo da sua visão de ajudar os produtores a aumentar a sua presença nos mercados estratégicos, com vinhos diferenciadores em resultado das nossas Castas e do nosso Terroir, com qualidade e a um bom preço, associados à gastronomia ribatejana e escalabitana e ao enoturismo de excelência.

Trabalhamos conjuntamente com a CVR Tejo, em várias iniciativas e eventos, apoiamos os nossos produtores a participar em concursos de vinhos e eventos, nacionais e internacionais.

É vereador do Apoio ao Desenvolvimento Agrícola do Concelho. Quais os principais dossiers que está a trabalhar?

Temos muito trabalho pela frente e em desenvolvimento, mas posso dar nota que iremos realizar um estudo para o diagnóstico da realidade agrícola, pecuária, florestal e agro-industrial do concelho de Santarém, tendo em vista a elaboração de uma estratégia futura e um plano de acção, que permita identificar oportunidades que potenciem o investimento nestes sectores, definindo o papel do Município de Santarém, enquanto facilitador do desenvolvimento agrícola no concelho e na região.

Referir também que nos dias 18 e 19 de Junho, o Município de Santarém será o convidado de honra no certame “O Melhor de Portugal”, em Bruxelas, onde irá apresentar, divulgar e promover o melhor de Santarém, com os seus produtores e produtos do sector agro-alimentar.

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