António Camilo, do movimento independente ‘2021 é o Ano’, ganhou a Câmara da Golegã a José Veiga Maltez, do Partido Socialista. Antigo técnico superior de contabilidade na Câmara Municipal e ex-presidente da Junta de Freguesia da Golegã, função que desempenhou durante oito anos, António Camilo quer inverter a tendência de desertificação do concelho, criando “condições de atractividade” para que novos residentes se possam fixar. O essencial para que isto se verifique, diz o autarca, “é haver oferta de emprego, existir uma boa política de habitação e garantir que as pessoas possuem qualidade de vida, o que se consegue através da boa mobilidade, excelentes condições ao nível da comunicação e novas tecnologias, boa oferta de serviços de saúde e de educação”. Em termos concretos, António Camilo revela, nesta entrevista ao Correio do Ribatejo, que pretende implementar políticas de incentivo à natalidade, para além da aposta na dinamização do polo empresarial “como motor para a criação de novas empresas”. O autarca da Golegã assegura ainda que a marca ‘Capital do Cavalo’ é para manter e reforçar: “Está no nosso ADN a ligação ao cavalo, sendo imprescindível manter-nos fiéis aos nossos costumes e às nossas tradições”, afirma.

Quais são os principais desafios que o Município da Golegã enfrenta neste momento e quais as prioridades para este mandato?
Um dos grandes desafios do Município da Golegã, é um dos problemas transversais das regiões mais ao interior, que passa por combater a desertificação na tentativa por fixar os habitantes que vivem no nosso território e, ao mesmo tempo, criar condições de atractividade para que novos habitantes aqui queiram residir.
O essencial para que isto se verifique é haver oferta de emprego, existir uma boa política de habitação e garantir que as pessoas possuem qualidade de vida, o que se consegue através da boa mobilidade, excelentes condições ao nível da comunicação e novas tecnologias, boa oferta de serviços de saúde e de educação, uma oferta cultural de excelência e boas condições para a prática desportiva e promoção de hábitos de vida saudáveis. Toda esta conjugação de factores fará com que o nosso território seja mais atractivo. Em termos concretos, iremos iniciar uma política de incentivos à natalidade, apostar na dinamização do nosso polo empresarial como motor para a criação de novas empresas. Procuraremos aumentar a qualidade e diversidade da oferta educacional e iremos aumentar ao máximo a nossa oferta cultural e desportiva. Iremos também estar atentos às oportunidades que o Plano de Recuperação e Resiliência irá oferecer, nomeadamente ao nível da promoção, instalação e recuperação do parque habitacional.

Que grandes áreas de intervenção estão plasmadas no Orçamento e Grandes Opções do Plano (GOP) para este ano?
A grande aposta do Orçamento e Grandes Opções do Plano de 2022, passa pelo início das obras de requalificação do no Agrupamento de Escolas da Golegã, Azinhaga e Pombalinho, dando assim finalmente melhores condições de ensino a todos os nossos alunos. Este será uma aposta forte deste executivo, assumindo a importância da Educação, e apostando no futuro das nossas crianças. Também haverá um grande esforço para requalificar infra-estruturas do nosso Concelho, tanto a nível cultural, como a nível desportivo, dando o exemplo da conclusão da obra do Cineteatro da Golegã.

Para alguém que visita o concelho, como o apresentaria? Que características distintivas tem este território, do ponto de vista económico e empresarial, cultural e patrimonial?
Num concelho com uma forte presença do sector primário, devido às condições privilegiadas que existem, face à riqueza dos solos, a importância deste sector é fundamental para o equilíbrio social e económico do concelho, sendo que é um sector que se reflete em vários postos de trabalho no nosso município. Este será sempre uma prioridade para o nosso executivo, sendo que a optimização deste sector através da modernização e inovação, será um dos focos a ter.
Em relação ao turismo do nosso concelho, temos como ex-líbris o Cavalo, sendo o município da Golegã a Capital do Cavalo. Os vários eventos anuais, nomeadamente a nossa Feira Nacional do Cavalo, trazem milhares de visitantes todos os anos ao nosso concelho. Esta será uma marca para explorar e para exponenciar durante este mandato. Mas o concelho tem mais para oferecer, e tem todas as condições para ser uma referência turística de excelência durante todos os dias do ano. A nossa casa estúdio Carlos Relvas, única no seu género a nível mundial, é mais um dos principais pontos de interesse do nosso concelho. E temos uma oferta neste sector que se estende às nossas Freguesias, onde em Azinhaga, terra natal de José Saramago, prémio Nobel da Literatura em 1998, existe a Fundação José Saramago que dá a conhecer um pouco a história e a vida do escritor, e a sua ligação às suas raízes.

O que está pensado para o novo ciclo de investimentos que se aproxima? Que projectos gostaria de concretizar neste mandato?
Além do já mencionado, temos vários projectos que ambicionamos concretizar, alguns já previstos no Orçamento para 2022, outros que irão se diluir ao longo do mandato. Para já temos também previsto o investimento no Campo Assunção Coimbra, em Azinhaga, colocando um relvado sintético no mesmo, melhorando as condições da prática desportiva naquela Freguesia.
Melhorar as condições da habitação social, terminar a requalificação e devolver à população o Jardim do Equuspolis na sua plenitude, investir também em pavimentações, saneamento, na ETAR, são também alguns dos projectos previstos para os investimentos planeados.

A Golegã não é só Feira de São Martinho. É um concelho ligado ao sector primário, mas em que a grande aposta também passa pelo turismo. Defende uma aposta mais clara nestes sectores?
Como já referi, o Concelho da Golegã tem muito mais para oferecer a quem nos queira visitar do que apenas a Feira Nacional do Cavalo. A aposta neste sector será clara, com uma maior promoção e divulgação do bom que temos para quem nos visita. Queremos, e temos todas as condições, para ser um destino turístico de excelência na nossa região, com uma oferta e muitas atracções para se visitar durante todo o ano.

A marca ‘Capital do Cavalo’ é para manter?
Sem dúvida que a “Capital do Cavalo” será para manter, trabalhando no sentido de ainda melhorar essa marca e esse reconhecimento. Temos todas as infra-estruturas necessárias para o desenvolvimento do desporto equestre, e no nosso concelho temos várias das coudelarias históricas, muito conceituadas a nível nacional e internacional, no que toca à criação do Cavalo Lusitano. Está no nosso ADN a ligação ao cavalo, sendo imprescindível manter-nos fiéis aos nossos costumes e às nossas tradições.

Que investimentos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) seriam fundamentais para alavancar o concelho e a própria região?
A construção de uma alternativa à actual ponte que liga a Golegã à Chamusca é de particular importância estratégica para a região. Diria, até, que se trata de uma questão de inteira justiça para as populações.
A meu ver, a questão deve ser analisada através de dois prismas. Por um lado, evitar que os camiões carregados de resíduos com destino ao EcoParque do Relvão, na Chamusca, circulem por dentro das nossas Vilas.
Por outro lado, não menos relevante, é a necessidade que temos de eliminar as dificuldades de mobilidade e circulação que se verificam na travessia da actual ponte, o que provoca graves constrangimentos à mobilidade das pessoas, provocando ainda enormes prejuízos à competitividade das empresas que se encontram estabelecidas na nossa região. Não se pode admitir, nos dias de hoje, e numa região de referência no âmbito do setor logístico, que seja necessário esperar 1 hora para passar um troço de 2 km.

Qual é a sua opinião sobre a reorganização administrativa na região com a criação de uma NUT II englobando a Lezíria, o Médio Tejo e o Oeste?
Sobre esta reorganização administrativa penso existir uma vontade e um consenso na região para a necessidade da criação desta nova NUT II que englobará a Lezíria, Médio tejo e Oeste.
Está é uma área que apresenta uma identidade própria, e com uma forte dinâmica de articulação com a Região de Lisboa e Vale do Tejo, e certamente isso poderá criar as condições para um programa de desenvolvimento da região, e alcançar de forma mais efectiva a identificação e os consensos para os investimentos e financiamentos de projectos essenciais para uma estratégia integrada nesta área geográfica.

O facto de o Ribatejo estar dividido em duas CIM’s e responder a duas CCDR’s, tem prejudicado o desenvolvimento da região?
Mais do que debater a estruturação actual, considero importante que se avalie a eficácia do trabalho que é realizado por estas estruturas. Do meu ponto de vista, o papel das CIM é fulcral, na organização dos municípios e no agarrar de oportunidades para as regiões, como um todo.
É, também, papel dos Municípios ser parte activa e contribuir para o sucesso da região. É isso que procuraremos fazer durante o nosso mandato. O facto de existir um projecto que possa beneficiar concelhos que se encontrem localizados em sub-regiões diferentes, não deverá ser impeditivo para que se criem sinergias e parcerias deste tipo.

O país deve avançar para um verdadeiro processo de regionalização, na sua opinião?
Além de ter a minha opinião própria sobre este assunto, acho seriamente que o mais importante deveria ser um sério debate sobre o tema, na medida em que os agentes políticos soubessem explicar aos Portugueses a parte teórica em algo compreensível.
Existem várias realidades diferentes entre as regiões, e desde que se fala na regionalização, praticamente todo o nosso território já alterou, pois somos cada vez mais um pais envelhecido e com as consequências demográficas a fazerem-se sentir tanto em termos económicos como a nível social.

O que o motivou, pessoalmente, a assumir a liderança de uma autarquia? Como é que sentiu o apelo para a política?
Quando surgiu a ideia de formar um Movimento, desejava trazer algo diferente, sério e de valor para as Gentes da Golegã. Neste momento, e como Presidente da Câmara, motiva-me essencialmente o bem-estar das pessoas e quero, em conjunto com todos, trabalhar para esse bem-estar das gentes deste Concelho, resolvendo de forma célere os problemas quotidianos e ir ao encontro dos seus anseios e desejos.

Que mensagem quer deixar aos seus munícipes?
Uma mensagem de esperança e de confiança. Sabemos que a maioria da população confiou em nós para conduzir os destinos do concelho, num período que se afigura atípico. Se por um lado isso revela confiança, por outro é, também, uma enorme responsabilidade. No entanto, a mensagem que quero deixar é a que devem estar tranquilos porque estamos a trabalhar a 100% para corresponder ao programa eleitoral que apresentámos às pessoas e que tudo faremos para desenvolver o nosso concelho. Foi essa a missão que assumi, e será essa missão que irei cumprir.

Filipe Mendes

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