A história contada com imaginação que transforma o velho em novo

Pernes, a nossa terra, é uma terra de deslumbrante beleza natural, detentora de um rico património histórico e cultural, e de uma localização geográfica privilegiada e estratégica.

Deitada em dois montes, que o poeta popular, Francisco Madeira Martins, premiado, nos anos 90, nos concursos de Quadras Populares da Festa de Santo António, descreveu assim:

“Ó Pernes, quem te avistar
do alto do Livramento
nunca mais se vai livrar
do teu doce encantamento”

PUBLICIDADE

ou

“Pernes, se vista à tardinha
Faz-me lembrar, salvo seja,
Longo manto de Rainha
Cuja coroa é uma Igreja”.

Com o Alviela aos pés, no entroncamento, com o rio Centeio, a correr para o Tejo, cedo a civilização árabe ali montou um inteligente e diversificado sistema de levadas, para produção de farinha, a principal indústria da povoação.

Tenho orgulho em ser descendente de moleiros, dessa indústria ancestral de moer o trigo, para fazer o pão, um dos elementos nucleares da alimentação humana: na margem esquerda do Alviela, o meu bisavô paterno, Rafael Amado, tinha o seu moinho, e na margem direita, ficava o Moinho da Casa Manuelina, arrendado, em 1911, por meu avô materno, Vicente Flor (filho de José Flor, moleiro de Vale de Lobos, grande amigo de Alexandre Herculano).

Só alguns séculos depois, na sequência da tentativa do Marquês de Pombal de industrialização do norte do Ribatejo, nomeadamente, a partir de Pernes, a par de Torres Novas e Tomar, se assistiu ao aparecimento e instalação de novas indústrias.

Numa breve viagem sobre esse itinerário industrial, das antigas fábricas de limas, de pás e verrumas, de acessórios para a agricultura dominante, chegamos aos nossos tradicionais torneados de madeira.

Nomeadamente, a partir da década de 40 do século passado, com explosão nos anos 70, os torneados de madeira passaram a ser o cerne do desenvolvimento da Vila de Pernes. Aparece a mão de obra feminina. Aqui, tinham trabalho, para além das pessoas de Pernes, muitas pessoas das freguesias circum-vizinhas, com centenas de postos de trabalho criados. E é neste quadro expansionista que a indústria de torneados de madeira exporta o seu produto para toda a Europa e para os EUA, sendo o principal impulsionador da vida da terra e do seu desenvolvimento. Pernes como pólo de atracção, de trabalho, de comércio, de ensino, de serviços vários e de apoio social.

OS TORNEADOS DE MADEIRA DE PERNES foram justamente classificados pela Junta de Freguesia, como marca registada, em Janeiro de 2013. pelo Instituto Nacional de Protecção Industrial e Marca Ribatejo pelo NERSANT.
Temos raízes, que preservamos e exaltamos, mas o mais importante é o futuro. Como dizia o poeta, José Gomes Ferreira, “saudades só tenho do futuro”.

Um núcleo empreendedor da família Abreu (Zé Manuel Abreu, Ana Luísa e Dinis) lançaram-se num projecto arrojado, também com profundo investimento pessoal, que, sendo moderno e funcional, quis prestar homenagem aos torneados de madeira, à sua história e evolução: o Hostel “O TORNEIRO”, de muito bom gosto e funcionalidade.
Esta nova estrutura, inaugurada em Novembro último, respira assim o respeito pela característica de bem receber, a nossa tradicional hospitalidade, que vem de longe, e cito apenas dois exemplos, que o comprovam, nos dois últimos séculos: O “Hotel Pernense” e a “Pensão Filipe”, e que é, ele mesmo, um encontro com a nossa história.

Nessa linha hospitaleira e nesse futuro, que já começou, temos que contar com uma nova estrutura turística, o Hostel “O TORNEIRO”, a merecer uma visita e estadia obrigatórias, num moderno conceito de fruição. Veio assim aumentar, noutro sector, um rico património que Pernes tem para oferecer: por um lado, arquitectónico: a Igreja da Misericória (antiga Capela do Divino Espírito Santo, paredes meias com “O TORNEIRO”) à Igreja Matriz, de invocação a Nª Sª da Purificação (2 de Fevereiro), da Capela de Santo António (1580), com retábulo da escola do Mestre da Romeira, à Torre do Relógio; por outro lado, o património natural, das célebres e inspiradores “Quedas de Água do Alviela” (Mouchão Parque), cantadas por Bocage, ao Cabeço do Livramento, com a sua tradicional Capela da Senhora do Livramento, e um belo equipamento para festividades, o já bem conhecido empreendimento, “A Tufeira”; até à doçaria tradicional, com destaque para o célebre doce conventual, “Pastéis de Santo António”, marca registada pela Junta de Freguesia, em Dezembro de 2012, também, pelo Instituto Nacional da Protecção Industrial e Marca Registada do Ribatejo, pelo NERSANT.

Também com o Hostel “O TORNEIRO” é a hora de olharmos com olhos de ver para a nossa terra, preservar o que deve ser preservado, valorizar o que deve ser valorizado, e prosseguir rumo ao futuro. Com cada coisa no seu devido lugar, no seu tempo e enquadramento, na sua função, com o seu contributo real. Somos ricos pelo que somos em conjunto, todos juntos!
Hostel “O TORNEIRO”, uma história verdadeira contada com imaginação, que transforma o velho em novo. Seja muito bem-vindo, para podermos continuar a acreditar no empreendedorismo local, que parece renascer, e a servir Pernes, a nossa terra.

Parabéns!

VICENTE BATALHA

PUBLICIDADE

PARTILHE COM OS SEUS AMIGOS