Patrícia Frazão, 22 anos, foi eleita Rainha das Vindimas do concelho do Cartaxo, na noite de sábado, 17 de Setembro.

Natural da freguesia de Vale da Pedra, trabalha como consultora imobiliária mas é na representação que assenta o seu sonho.

É atriz e já esteve nomeada para os Globos de Ouro da SIC para categoria Melhor Peça/Espetáculo com a peça À Volta o Mar, No Meio o Inferno, de Maria do Céu Guerra, na companhia de teatro A Barraca. Diz não ter sido com intuito de promover a carreira que participou no concurso, que segue há vários anos, mas não esconde que pode dar o empurrãozinho que é preciso.

Sente-se orgulhosa de ser a Rainha das Vindimas e promete dar o seu melhor para ajudar a promover o sector vitivinícola do Cartaxo, especialmente junto dos jovens.

Como surgiu a participação no concurso?

A minha participação na Rainha das Vindimas surgiu, por já acompanhar há alguns anos o concurso e saber que, infelizmente, existe cada vez mais di­ficuldade em ter candidatos.

Espero que todos os jovens tenham a mesma iniciativa de manter viva a tradição, e participem também eles no concurso.

O que te distinguiu das outras concorrentes?

Todos os concorrentes deram o seu melhor e estiveram à altura do desa­fio, acredito que o meu resultado se deveu também ao facto de estar muito bem preparada para a eleição da concelhia, visto que já tinha trabalhado muito para a eleição da minha freguesia, o

Vale da Pedra, onde adquiri muitos conhecimentos vitivinícolas, e pelo facto de ter o curso profissional de atriz, o que me dá alguma destreza e provavelmente ajudou a que estivesse mais à vontade em palco.

Qual das provas sentiu mais dificuldade?

Devido à proximidade da minha eleição com o início das provas da concelhia, senti uma di­ficuldade na gestão do tempo, para preparar a prova de palco que incidiu sobre o tema “O Tejo, aqui tão perto”, tendo em conta que ainda não tinha explorado este assunto, foi necessária muita pesquisa da minha parte, para ter os conhecimentos necessários para elaborar a prova e transmitir a mensagem que pretendia.

Em qual se sentiu mais à vontade?

Por ter nascido no Vale da Pedra, sabia muito bem o que queria apresentar da minha terra e das minhas gentes na prova de vídeo, foi uma prova que me aproximou muito

das minhas raízes o que acabou por ser mais leve e ter um gosto especial.

O que signi­fica ser rainha das vindimas?

No meu ponto de vista ser rainha das vindimas é muito mais do que ter uma cara bonita e as medidas padrão, é ter amor às nossas origens, conhecê-las e saber defendê-las, é ter um orgulho pela terra que nos viu crescer e sentir a responsabilidade de representar as nossas gentes. Ser Rainha das Vindimas é ser ­ fiel à nossa essência, sabendo dar valor ao nosso concelho e ajudar na sua promoção como uma voz ativa.

O que pode fazer em benefício do sector vitivinícola do Cartaxo?

Apesar de ter sido eleita muito recentemente e ainda estar a assimilar tudo isto, tenho muita vontade de aprender e conhecer mais. Sendo jovem e tendo uma maior proximidade das redes sociais, acredito que consiga divulgar e elevar o nome do Cartaxo junto dos jovens, e aproximá-los da importância do sector vitivinícola no Cartaxo como um alicerce económico fundamental.

Qual seria a sua estratégia para defender no seu ‘reinado’ não somente os vinhos da região, mas de todo o vinho português?

A minha estratégia passaria primeiramente por conhecer melhor as outras regiões vitivinícolas para as conseguir promover tal como merecem, uma vez que Portugal consegue ter terroirs tão distintos. Acredito que o vinho português no futuro será equiparado aos melhores vinhos do mundo, mas para isso é necessário alterar o pensamento dos portugueses, apelando a consumir e valorizar o que é produzido no nosso país.

Nem só de beleza e glamour vive este concurso, sendo que as candidatas foram avaliadas, também, pelo conhecimento demonstrado acerca do seu concelho em domínios como o vinho, a vinha, ou enoturismo.

Como caracteriza o concelho do Cartaxo nesses domínios?

O Concelho do Cartaxo tem vindo a demarcar- se do rótulo de “vinho carrascão” que prevaleceu durante tantos anos, através da implementação de novas técnicas vitivinícolas, tal como na plantação de novas castas, não priorizando tanto a quantidade, mas sim a qualidade.

O terroir do Cartaxo confere ao nosso vinho características únicas, a preços acessíveis para que todos possam provar o tão afamado néctar dos deuses. Felizmente, o enoturismo tem vindo a ganhar espaço no nosso concelho, tendo a possibilidade de visitar o mais antigo museu dedicado ao vinho, à vinha e ao mundo rural de Portugal, mas também às adegas, vinhas, alojamento local e em breve um hotel vínico.

Como vê a evolução dos vinhos da região Tejo e se, entre as preferências dos jovens, poderá o vinho vir a substituir a cerveja, no que aos consumos diz respeito?

A evolução dos vinhos da região Tejo, tal como da própria CVR Tejo e dos seus produtores tem sido notória ao longo dos últimos anos, não só pela forma de comunicar e promover os vinhos da região, mas também de chegar a mais pontos de venda, o que no meu entender é extremamente importante.

No entanto, apesar de sentir que os jovens cada vez mais apreciam vinho, não acredito que seja possível substituir a cerveja, pelas condições socioeconómicas dos jovens na atualidade.

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